terça-feira, 5 de julho de 2016

MARIA AUGUSTA


Desencontros, encontros
Solidão e incerteza
Indiferença, lágrimas
Tropeços e embaraços
Acaso e o encontro inesperado
A invisibilidade da indiferença
O silêncio dos esquecidos
A desesperança dos renegados
O grito das minorias
Minha flor de Ébano
No deserto jardim de infância
Na primavera dos excluídos
No inverno da solidão

O calor do verão
A fortaleza do meu abraço
Cabelos encaracolados
Como molas, saltitantes
Negros como a “Asa da Graúna”
Teu sorriso é como o nascer do sol
Incandescente e raios multicoloridos
Pele púrpura e olhos salientes
Alegria contagiante
O abandono e a dor aguda
Minha miss sunshine
Maria Augusta
A vida que faltava à minha vida!


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Claretiano Centro Universitário, Pós-Graduando (Especialização) em História e Cultura Afro-brasileira e Africana; Mestrando em História – Cultura, Religião e Sociedade – pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Professor, poeta, escritor e palhaço voluntário de hospital. Colabora com artigos de opinião, poesias e crônicas nos jornais Diário da Manhã, Jornal Opinião Goiás e Folha de Caiapônia. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2019 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

SILÊNCIO


Sempre tive tudo
Pais que me amaram
Amigos que me conquistaram
Filhos que me eternizaram
Mulheres que me amaram
Os equivocados que me odiaram
Clássicos que me embalaram.


Restou-me os sonetos
A saudade e os segredos
Da fortuna, o infortúnio
Da felicidade, o degredo
O silêncio monástico e o medo
Da boca cálida, o gelo
Da morte, um beijo.


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

A CORRUPÇÃO E SEUS TENTÁCULOS



         Falar das virtudes de quem quer que seja, verdadeiras ou não, sempre foi mais fácil. Uma espécie de paradoxo do cotidiano, que ser sincero é ofensa! Dizer o que todo mundo quer ouvir é fácil e doce, ventila poesia, ainda que não seja genuíno! O problema maior é que quando os canalhas morrem, se redimem e viram lendas, não bandidos! “O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas”, afirmou Nelson Rodrigues.
       A corrupção no seu mais amplo e profundo sentido manifesta-se como endemia nacional!  Percebo a necessidade de uma reflexão maior e mais séria sobre esta questão. A desonestidade pessoal e a imoralidade política, que permeia todos os setores da sociedade. Que no Brasil, parece cultural! Sem pieguice ou aquele típico hipócrita “politicamente correto”, como diz Pondé.
         Discutir e refletir sobre este mal que permeia as relações e instituições, requer acima de tudo coragem e atitude, principalmente diante da nossa frágil democracia. De liberdades vigiadas e repressões silenciosas, que colocam a liberdade de expressão em xeque. Principalmente diante desta falsa e hipócrita moral religiosa, que ser desonesto para muita gente é cultural. “A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa”, disse o grande Jô Soares.
          Chegamos num nível de mentalidade tão inaceitável, que para muitos, a corrupção, a trapaça tem se tornado algo “aceitável” e “normal”! Indiscutivelmente, uma vergonhosa inversão de valores, numa espécie de cultura nacional.
         Quantas pessoas afirmam de forma explícita e categórica que “todo político é ladrão”? E desde quando for ladrão é normal e aceitável? Às vezes tenho a sensação, que há até certo “conformismo” ou “aceitação” popular na afirmação. Será mesmo? O que será pior e mais vergonhoso, a corrupção ou a impunidade? E aquela máxima popular de “quem não é corrupto, quando for eleito, tornar-se-á”! Precisamos rever alguns conceitos. Não podemos perpetuar a ideia do errado, ser o certo! Ser “esperto”, “malandro” é muito diferente de ser honesto. E ser corrupto é o mesmo que ser ordinário e desonesto.
           Entendo que em todos os segmentos da sociedade, possuem pessoas honestas e de conduta íntegra e também, aquelas desprovidas de qualquer brio ou caráter. Pessoas competentes e confiáveis, bem intencionadas, comprometidas e idealistas, bem como, as incompetentes, de moral e conduta duvidosa, sórdidas. Seja político, jogador de futebol, militar, professor, escritor, pastor, padre, bispo católico, bispo evangélico, ateu, à toa, empreiteiro, empresário, banqueiro, funcionário da Petrobrás, famoso ou anônimo, a corrupção é um desvio de caráter, crime covarde, que não tem “cara” ou culpa; já o resultado, nota-se em cada analfabeto deste país; na qualidade da educação; na insegurança da segurança pública, na constrangedora e sempre duvidosa, saúde estatal e suas frágeis e patéticas instituições.
           A ideia deste artigo, fruto da indignação – que é o que me move - e dos absurdos quase inacreditáveis deste país, precisam ser vistos e entendidos, como muito além da crítica, da provocação ou de uma “caça as bruxas”, como alguns “ofendidinhos” se sentirão. Até porque, já dizia Rui Barbosa, “não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.” E como são longevos!
           Na verdade, um convite a uma reflexão filosófica, moral e política um pouco mais aprofundada. Um despertar para algo que nos parece, infelizmente, familiar e “natural”. Quem sabe, um despertar deste estado de letargia, de cidadãos mais conscientes e críticos, mais intolerantes à desonestidade, que precisam ter clareza e a certeza, que corrupção não é exclusividade de classe política ou qualquer outra categoria profissional. Inerente à condição de indivíduos involuídos e velhacos!
              A corrupção se manifesta nas mais singelas e “ingênuas” atitudes do nosso dia-a-dia. Como “oferecer” um trocado ao policial como compensação por uma “gentileza”,  por um “quebra-galho”.  Aquele que suborna é tão corrupto e infame, quanto o que aceita o suborno! O estúpido que vive dando carteirada por ser autoridade – e ainda se apresenta com a clássica e ordinária pergunta: “você sabe com quem está falando”? Isso quando o infeliz, não é um amigo do amigo da autoridade, nas raízes malditas e vergonhosas do tão antigo e tão atual coronelismo!
            Pode até parecer cultural e legal, mas é imoral. Aquela “insignificante” e ingênua cola na escola – que o delituoso de forma patética ainda ironicamente, típico dos apodrecidos -,  diz: “quem não cola, não sai da escola!” – não é lindo? Para muita gente, isto é normal! É aí que está o problema. O que fura a fila da cantina, do banco, do estádio, do cinema; que transgride as leis e alguns princípios básicos da boa convivência. Que direta ou indiretamente sempre prejudica alguém; o “jeitinho brasileiro”, como os recibos forjados por grandes “profissionais imaculados” para enganar o Imposto de Renda na hora da Declaração. Ou seja, estão todos no mesmo time de detestáveis, que arrebentam com a Nação, comprometem o presente e ameaçam o já incerto futuro.
           Barão de Montesquieu afirmou, que “a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.” Portanto, de nada adianta ir para as ruas com cartazes e palavras de ordem criticando a corrupção, os “mensaleiros”, o “petrolão”, por exemplo, se na primeira oportunidade, o indivíduo tropeça e ignoram princípios, valores elementares e básicos, mesmo sabendo da ilegalidade do seu ato. Ou seja, de nada valerá as ferrenhas críticas à corrupção dos outros, se no “nosso” dia a dia, sempre “estamos” tentando ludibriar ou passar alguém para trás. Ainda que seja, enganar-se a si mesmo!
         Desta forma, vejo a necessidade de repensarmos algumas atitudes e reavaliarmos princípios éticos básicos. O Brasil é um país gigantesco por natureza,  povo trabalhador por excelência, sofredor e vítima da famigerada prevaricação e a incompetência de quem governa e de alguns eleitores. Otimistas e esperançosos por uma grande transformação, que fará da cegueira, da parvoíce triunfante,  o caminho alicerçado na esperança e em cidadãos conscientes, críticos e intolerantes ao caos. Usufruindo daquilo que nos aguarda num horizonte ainda incerto, que é o verdadeiro exercício do respeito ao próximo, ao erário público, na construção da verdadeira cidadania. Que ainda tem sido um direito distante, restrito e negado a muitos humildes e anônimos brasileiros, que constroem o patrimônio dos “honoráveis bandidos”, convictos da impunidade das leis e da miopia dos “deuses terrenos” desta republiqueta de bananas. Chefiadas por uma quadrilha de gângster, de fazer inveja a qualquer organização criminosa – Yardies, Yakuza, Cosa Nostra - salvo raríssimas, raríssimas, quase imperceptíveis exceções!
              Portanto, caros leitores, acredito ser a educação – doméstica, escolar -, a arte, o debate de ideias, a leitura, a reflexão, seria o caminho mais próximo, para repensarmos nossos valores e princípios, morais, éticos e filosóficos. Na incansável luta pela transformação e a construção de uma sociedade mais fraterna e honesta. Reconhecendo-nos dentro do processo histórico, no qual, estamos todos inseridos e convictos de que somos nós, os únicos responsáveis por nosso destino e por um mundo melhor, ou não.


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.