sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ANALFABETO




Não entendo de verbos, substantivos, concretos...
Desconfio dos excessos, abstratos
Meu fardo é a indignação que carrego
A ignorância que renego
Transpiro um inquietante descontentamento
De uma educação por gotejamento
A “Pátria Educadora” e a paralisia
Prefiro a poesia...

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

ÁFRICA-AMÉRICA



África-Mãe e seus orixás
Espectros, tradições, Iemanjá
Correntes europeias a tilintar
Bantos, sudaneses, Yorubá.

 Congoleses, candomblé, Congada
Guerra, garra, Ogum
Quilombos, resistência, Oxum
Remanescentes, legado, Quilombolas!

Grandeza, etnias, misticismo
Fé, religiosidade, Santeria
Perseguições, preconceito, ironia
Redenção, miscigenação, sincretismo.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A REFORMA QUE NÃO MUDA NADA

      Mais uma vez, o país se vê às voltas por homens e tempos sombrios! Frente a uma democracia que criminaliza o contraditório, Estado laico que tem “rabo preso” com bancada religiosa, barganhando apoio, cargos,  cerceando instituições e a liberdade de expressão! Um projeto fascista, tramado nas alcovas da caserna e nas sacristias, que buscam consolidar-se no poder, sob a égide de um discurso ardiloso de moral, ordem, patriotismo ufanista, Deus como cabo eleitoral e um conservadorismo hipócrita, legitimado sob-relinchos, o “pocotó-pocotó” da indigência cognitiva e batedores de panelas.
    Primeiro “chegam” ao poder. Depois vão cercando-se de todos os mecanismos legais – ainda que imorais – para colocarem em prática um plano sinistro e duvidoso para o povo brasileiro, com o nome de reformas. Ministérios e ministros em todas as esferas dos poderes, a serviço de “estancar a sangria”, antigos e atuais.
     PEC 241, “Escola sem partido”, “Reforma” do Ensino Médio, “Reforma” da Previdência, Reforma Trabalhista e o futuro da nação alicerçado na areia movediça da corrupção, em bases duvidosas, questionáveis e asnáticas. Quem insiste em ignorar os acontecimentos dos últimos 500 anos desse país, estão condenados a carregar o fardo da ignorância, da injustiça, do racismo, do analfabetismo e da histórica desigualdade social. Cegos, omissos, acovardados pela imbecilidade, subjugados por uma classe política que envergonha o povo, manchado de sangue e pela indigência!
        O fisiologismo e as alianças espúrias na vida da República brasileira consomem a moral e os ideais que ainda restam em algumas raríssimas exceções parlamentares. As alianças político-partidárias pavorosas coroam e acabam com o resto. Uma salada mista de ideologias - ou "sem viés ideológico" -, que ao final, de mãos dadas e chafurdadas na mesma roubalheira e incompetência, querem exatamente as mesmas coisas: se safarem e o poder! Isso explica a facilidade e a desfaçatez governamental, em aprovar medidas tão impopulares e prejudiciais a médio e longo prazo. “Reformas” passam com tranquilidade, sem debates, sem consulta popular e com o apoio absoluto do Congresso. Pronto, o grande golpe contra o povo está consolidado!
     A última jogada dos “especialistas” foi mascarar a real situação do ensino brasileiro, ignorando de fato seus crônicos e históricos problemas. A Lei de Reforma do Ensino Médio, sancionada pelo presidente Michel Temer, não discute a solução para questões perenes no nosso sistema de ensino. Bem como as ideias defendidas pelo novo Ministro da Educação. “O objetivo da educação totalitária nunca foi incutir convicções, mas destruir a capacidade de formar alguma”, afirmou Hanna Arendt.
      Um dos meus questionamentos e de muitos brasileiros é como um projeto de lei dessa envergadura foi apresentado à sociedade, conduzido e quais os profissionais ouvidos e consultados? Houve transparência nesse processo, um debate aberto com especialistas em educação, orçamento, professores, alunos e sociedade em geral? Será que os "responsáveis" legais pela educação do alto de seus gabinetes e púlpitos, conhecem a realidade do ensino brasileiro? Sabem o que são e em que condições funcionam as escolas públicas do Brasil? Ou pretendem conhecer a realidade do ensino e das escolas brasileiras, a partir dos vídeos gravados pelos colaboradores e fiscais acéfalos do governo em salas de aula? 
         Vergonhosamente, quase em surdina, aprovaram uma “reforma” que não muda na verdade nada do que deveria ser de fato, mudado. Penso que o objetivo maior, seja outro. Desviar o foco dos verdadeiros problemas da educação brasileira, buscando popularidade, aspirações políticas e a manutenção do balcão “toma lá, da cá”, o velho e atual fisiologismo nacional. Quando não negociam com partidos, o fazem com bancadas.
        No Brasil, nada que seja de interesse popular é resolvido com tanta rapidez e “eficiência” por esse temerário parlamento, como foi aprovada a PEC 241 e a Reforma do Ensino Médio!
        As mirabolantes e quase cômicas propostas para o ensino médio brasileiro, ignora as gigantescas desigualdades entre o ensino público e o privado! Sem combater, resolver essa disparidade, já não houve reforma! Houve na verdade, o desvio do foco de um problema grave. São realidades discrepantes, gritantes e vergonhosas.
         Reforma? E a manutenção absurda das salas de aulas com 70, 80 alunos? Com uma acústica que arrebenta com a garganta de qualquer professor, que estuda a vida inteira e dedica quase como um sacerdócio ao ensino em um país, que irresponsavelmente, vira as costas para essa realidade gritante! “O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido”, Hanna Arendt.
      A constrangedora precarização do exercício do magistério, professores em jornadas duplas, triplas para conseguirem sobreviver. Será nessas mesmas condições que os profissionais de “notório saber” irão ministrar suas aulas mirabolantes?
           A questão vai muito além. Uma realidade perversa que parece insignificante ou invisível aos olhos dos administradores públicos, privados e de muitos pais. Como se não bastasse, as instituições e órgãos reguladores, fiscalizadores e representativos, por omissão, cumplicidade ou incompetência, não conseguem enxergar e muito menos resolverem esse vexame! De ponta a ponta no sistema, que agora se camufla sob a “revolucionária” reforma que não reforma nada.
           Outra medida interessante adotada pela internacional reforma é a implantação da escola de período integral. No modelo atual, insistem em ignorar – novamente -, algumas instituições de ensino que mal conseguem funcionar meio período. Não existe quadra de esportes, ambientes insalubres, falta o básico em boa parte das escolas públicas do Brasil: professores. Merenda! Algumas áreas do conhecimento – Física, Matemática, Química, Biologia -, alunos chegam a ficarem meses sem professores! Será que a Reforma do Ensino Médio não deveria ter se preocupado em solucionar mais essa vergonha nacional do nosso ensino? Será que o colombiano e os pastores conhecem essa realidade ou só os “doutrinadores”?
          Mendonça Filho, ex-Ministro da Educação, defendeu o fim do ensino noturno no Brasil. Em uma entrevista, ele afirmou que “a luta é para que os jovens concluam o ensino médio aos 17 anos e não tenham que trabalhar durante o dia e estudar à noite”. Parece piada! Será que o Governo não conhece a realidade da maioria esmagadora dos jovens brasileiros? Pensaram na classe trabalhadora, que labora arduamente durante o dia para sobreviver e contribuir com a Previdência o mais cedo possível e estudar no turno noturno para concluírem seus estudos? Contemplam a modalidade de ensino EJA - Educação de Jovens e Adultos? Um país com os índices vergonhosos de analfabetismo, sem falar dos analfabetos funcionais. Prova cabal do quanto desconhecem a realidade brasileira e o quanto essa proposta é excludente e irresponsável!
          Boa parte dos municípios brasileiros se quer, pagam o piso nacional aos professores, segundo o próprio Ministério da Educação. Além de estupefato, fico preocupado com os segmentos sociais, excluídos, indigentes, estufando o peito feito pombo de rua e aplaudindo reformas que acorrentam ainda mais os trabalhadores e retrocedem nosso modelo de educação. Como focas amestradas felizes após algumas migalhas, feito peru fazendo propaganda do Natal! “A árvore chora de tristeza ao ver que o cabo do machado também é de madeira”.
         Outra questão interessante nesse circo são os defensores dessa reforma, usarem como argumentos, a comparação desse modelo, com modelos internacionais, adotados em países desenvolvidos! Que maravilha! Então aproveitem e compare também, o modelo de sociedade, de governos, de políticos, de salários de professores, de saúde, saneamento básico, legislação, justiça e etc. Vamos lá, comparem! Deve ser assim, copiando outras realidades – bem distantes da nossa -, que estão fazendo outra escandalosa “reforma“, a da Previdência!  É tão escabroso, surreal o que estão querendo fazer com a educação e com a previdência no país, que eu penso que eu deva estar delirando e quando meu entorpecimento passar estarei em outra realidade menos mórbida e perversa.
            Quero continuar acreditando na “bondade humana” de Anne Frank e numa educação realmente para todos. Em que um dia, o ensino público, não precisará de cotas ou declaração oficial de incompetência do estado para gerir a educação nesse país, sob o comando de alguns engravatados, que deveriam usar cabresto, porque algemas alguns já incluíram em sua indumentária.
          A reforma que a sociedade brasileira espera é aquela que contemple a todos com uma educação de qualidade, equidade, pública ou privada! Passando pela dignidade, valorização e o respeito aos alunos, cidadãos, profissionais da educação, que exaustivamente lutam árdua e bravamente, nas escolas desse país, enfrentando diariamente todos os tipos de desafios possíveis e prováveis. De pais frustrados e incompetentes, que insistem em não educarem seus filhos; o abandono afetivo; buscando terceirizar suas responsabilidades e atribuir o fracasso familiar para escola ou professores, aos baixos salários e salas superlotadas!
          Portanto, Isso nos ajuda a refletir sobre a baixa procura e o interesse de nossos alunos, pela carreira do magistério e os cursos de licenciaturas. O país de analfabetos está condenado a não terem professores! Por outro lado, professor para quê? 
           Conclusão, quem pensa incomoda e torna-se arma perigosa para governantes como os nossos, em todos os níveis! Educação jamais será prioridade em um país com o nível de pessoas que temos no poder! O que esperar de um país laico constitucionalmente que modelo de disciplina é militar, bancada religiosa no Congresso indica Ministro da Educação e pais fracassados responsabilizando professores e a escola pela ignorância histórica que o fizeram! “Realmente, vivemos muito sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota a insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar”, afirmou Bertolt Brecht.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

sábado, 24 de novembro de 2018

A JUSTIÇA TARDA E FALHA


A TOGA SE CURVA E SÓ ENXERGAM O QUE CONVÉM

           O escárnio da Justiça igual para todos, ainda que um princípio constitucional da isonomia, que em tese assegura a todos os brasileiros esse direito, tem sido cada vez mais difícil olhar com confiança e credibilidade para o Poder Judiciário e nossas instituições como um todo. Tão desalentador quanto nossos índices de desenvolvimento humano, saúde, educação, segurança pública, saneamento básico e uma infinidade de sandices típicas de um país com tanta autoridade pública, denunciadas e investigadas, blindadas tanto por togas sagradas, hiperpoderosas e supersalários, quanto por mandatos e cargos intocáveis. “A justiça tardia nada mais é que a injustiça institucionalizada”, afirmou um dos maiores juristas deste país, o baiano Rui Barbosa.
           Tenho a nítida impressão, que os extratos sociais mais abastados, as elites econômicas e políticas deste país, sob prerrogativas – legais, mas imorais – como o foro privilegiado e o manto da justiça facciosa possuem uma relação de muito mais confiança com a justiça. Como afirmou o senador Aécio Neves, após o STF permitir seu retorno ao Senado e suspender o pedido de prisão contra ele, feito pela PGR, “eu confio na Justiça brasileira”. Enquanto os indivíduos desprovidos de amigos influentes e poderosos, que não são recebidos nas alcovas do poder, na calada da noite pelo chefe máximo do Executivo, anônimos, que compõem a maioria da população brasileira, não demonstram a mesma confiança. Justiça é direito ou quem paga mais – o advogado ou o juiz - leva? Alguém teria alguma dúvida das razões pelas quais existe essa diferença abissal de credibilidade e confiabilidade?
         Indiscutivelmente nos falta um sistema judiciário mais confiável, imparcial e eficiente; acessível, popular, menos pomposo e obsoleto. Uma legislação arcaica, uma hermenêutica que não se traduz em justiça e equidade. E quase sempre, “cega” quando convém. Na década de 60 do século passado, o líder negro na luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos Martin Luther King Jr. afirmou em um discurso histórico, “eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. Eu acrescentaria também: não pelo seu status social ou sua conta bancária ou relações promíscuas com os Poderes do Estado.
          Desde os primórdios da humanidade, as leis foram sendo criadas à medida que os conflitos sociais ganhavam maiores proporções, transformando-se em mecanismos, instrumentos legais de controle e em inúmeros casos, favorecendo muito mais ao Estado que os indivíduos.  Será que o que se chama de justiça, de fato foi a intenção inicial e primordial? Quando o imperador amorita durante o Primeiro Império Babilônico, Hamurabi (1810 a.C. – 1750 a.C.), criou o famoso Código de Leis – Código de Hamurabi, oriundo da Mesopotâmia com suas 281 leis talhadas em diorito, levou-se em consideração a justiça para todos? Historicamente temido por sua rigidez – "princípio de Talião” - e considerado o mais antigo e completo código de leis. Na base do “olho por olho, dente por dente”, entre seus inúmeros artigos, o tratamento dado a um servo era bem diferente do que era destinado a seu senhor. Será esse o grande senso de justiça e igualdade de todos perante a lei que nos foi legado?
         O grandioso Império Romano legou-nos a base do Direito ocidental. Princípios jurídicos e termos utilizados até hoje, como Habeas corpus,  “dura lex, sed lex”, expressão em latim cujo significado em português é “a lei (é) dura, porém (é) a lei”, referindo-se à necessidade de se respeitar a lei em todos os casos, até mesmo naqueles em que ela é mais rígida e rigorosa.
         No Brasil, possui amparo no "princípio da Legalidade", princípio este preconizado no artigo 37 da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”.          A expressão “dura lex, sed lex” sofreu uma adaptação "literária" por Fernando Sabino, ao pronunciar a conhecida frase: Para os pobres, é dura lex, sed lex. Para os ricos, é dura lex, sed latex que significa: "para os pobres a lei é dura mas é a lei, e para os ricos a lei é dura, mas estica'". Com essa "adaptação" irônica e crítica de forma brilhante, expõe inteligentemente a questão jurisdicional brasileira que possui, muitas vezes, a capacidade de interpretar, adaptar, adequar a aplicação da lei de acordo com interesses escusos e de alguns réus.
           Será realmente que todos os julgamentos – quando chegam a acontecerem - de figurões nacionais, políticos e empreiteiros, sentenças proferidas, são devidamente cumpridas ou pelo nível social e econômico dos réus, as penas são negociáveis? No “Mensalão”, na Operação Lava Jato, os benefícios concedidos em Delações Premiadas, como por exemplo no Caso da JBS, a absolvição da chapa Dilma-Temer no STE, as regalias concedidas a condenados (as) como redução de penas e prisão domiciliar, como o da ex-primeira dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo, Eike Batista, Marcelo Odebrecht, Paulo Maluf entre outros “honoráveis canalhas” são as mesmas dadas a presos comuns, anônimos e pobres? Se não, a lei não é igual para todos?
           Muito status, embuste, termos impecáveis, vocabulário rebuscado, sofisticadíssimo, ternos engravatados, togas e na hora do vamos ver, da prática... Um espetáculo ritualístico, repleto de conservadorismo, aparências e injustiça. Uma legislação permissiva, imoral e com alguns legisladores, legislando em causa própria, a serviço do crime organizado e contraventores. Leis que permitem inúmeros recursos – caso se tenha bons defensores e uma conta bancária bem polpuda, que consiga bancar despesas com honorários e custas processuais, diga-se de passagem. Brechas, Foro Privilegiado para os “privilegiados” e cela especial para cidadãos “especiais” e de primeira grandeza.
          Isso que é justiça diante da igualdade de todos perante a lei? Será que o artigo 5º. da Constituição da República Federativa do Brasil, equivocou-se de país? Será que o poder Legislativo está legislando em causa própria e o Judiciário com seu magnânimo poder e onipotência, julgando recursos e mais recursos? A autonomia e a independência entre os poderes estão realmente sendo mantidas, para que haja equilíbrio e harmonia? Encontros, viagens e jantares entre os presidentes do TSE Ministro Gilmar Mendes e o Presidente da República Michel Temer, fora da agenda presidencial seria um comportamento transparente, republicano, democrático como deve ser? O mesmo Charles de Montesquieu e o seu clássico “O Espírito das Leis” de 1748,  afirmou que “a injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”.
          Para uma gama de indivíduos de baixo poder aquisitivo, quando precisam recorrer à majestosa justiça, clamam pelo amor de Deus, expectantes muito mais pela justiça Divina, pois estão convictos – lamentavelmente – que a justiça praticada pelo Estado nem sempre lhes enxergarão, ouvirão, nem muito menos, os favorecerão! Alguns dizem em tom desesperado diante de alguma fatalidade: “só justiça”, como se isso fosse algo tão improvável, inatingível. Até parece que não deveria ser um processo natural, para qualquer cidadão, pobre ou rico; colarinho branco ou encardido; magistrado ou analfabeto; militar ou civil; parlamentar ou indigente; branco ou negro; homem ou mulher.
          Será que o Poder Judiciário, bem como os que o compõe, em todas as suas instâncias, não está repleto de “justiceiros”, mercenários, que com sua rede de influências e amizades, não tem se deixado contaminar pela injustiça e parcialidade? Nossas instituições não podem continuar sendo presididas por indivíduos que colocam interesses pessoais e privados acima dos interesses públicos. A honra, a moral e a ética não poderão ser corroídas por meros discursos partidários e de instituições corporativas, buscando justificar o injustificável. Os mais atingidos, ultrajados e constrangidos pela inoperância do Estado, são exatamente os que mais sustentam com suor, sangue, abandono e injustiça, o povo!
          Falta-nos mais Rui Barbosa, Denise Frossard, Patrícia Acioli, Carlos Ayres Britto, Teori Zavascki, Antonio Cezar Peluso, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, Jesseir Coelho de Alcântara e tantos outros magistrados e magistradas honradas e honrados, que nos enchem de esperanças e convictos de que nem tudo está perdido! 
          Em um Estado legal, de direito, livre e democrático, as ideias, as divergências, o contraditório, as críticas, fazem parte da construção de novas ideias e da consolidação da democracia. O debate não é em nome do convencimento, proselitista, nem na busca de consenso, mas, de justiça social, uma alternativa, um caminho para se consolidar verdadeiramente uma Nação livre e com liberdade plena de expressão e pensamento. Ainda que os fantasmas da censura velada e da mordaça que mutila a verdade. Ainda assim, temos que acreditar, ter fé e esperança no Poder Judiciário. Para que justiceiros e vingadores, não assumam um papel que é da lei; se alojem nas engrenagens da barbárie e do ódio, destruindo qualquer possibilidade de paz e liberdade.
          Portanto, a injustiça reinante, impera novamente, fazendo vítimas pela segunda vez. Quando o brilho do acusado ofusca o brilho da magistratura, a cegueira da imparcialidade desaparece; surdez para não ouvir o clamor de quem precisa e quando lhe convém, muda. Ou seja, “o juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”, afirmou Platão.
            Em nosso caso, infeliz e vergonhosamente, incontáveis vezes a Justiça tarda e falha! E “eu só peço a Deus, que a injustiça não me seja indiferente, pois não posso dar a outra face, se já fui machucada brutalmente”, Mercedes de Sosa.


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

Sapere aude


Pais não sejam hipócritas e levianos. Seus filhos estão pedindo socorro, amparo, proteção! Estão aflitos e inseguros. Desorientados e sem referências morais, também se educa pelo exemplo, principalmente o doméstico. Acolham-os mais intensamente; ame-os mais demoradamente; eduque-os dedicadamente, pautado no respeito, na gratidão e no amor; abrace-os longa e fortemente; ajudem-os a entenderem que os livros, a educação indicarão caminhos mais longos e demorados, suas raízes são amargas, mas, darão adocicados frutos; atentem-os para os perigos das ameaças e buscas pelas “soluções” imediatas das armas e da intolerância. Dessa forma, a escola cumprirá muito melhor o seu verdadeiro papel e o professor, deixará de ser a “ameaça” tão temida, que quase sempre, está em casa e na sua indiferença! Responsabilizar terceiros pelo fracasso e incompetência dos genitores, não contribuirá para solução dos problemas. A escola e os professores não são inimigos da nação, só não conseguem fazer nada sozinhos. Quando a escola se torna uma válvula de escape ou depósito dos filhos de pais ausentes, professor bode expiatório e a grande ameaça ao país, é porque “a vaca já foi para o brejo com corda e tudo”.  Sapere aude!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.



sexta-feira, 23 de novembro de 2018

RETIRANTE


“O sertanejo e´, antes de tudo, um forte”

A natureza agredida resiste o Umbuzeiro
O clamor da vida e a beleza do Juazeiro
Onde está a água meu Deus bondoso?
Que esturricou o açude e o rio caudaloso,
Aumentando o sofrimento de seu povo
Deixando-os em pele e osso...

O vaqueiro e a terra arrasada
A resistência e a cultura da vaquejada
Meu sertão abrasivo, em chamas
Ainda temos um fio de esperança
A cada momento nasce uma criança
Fazendo-nos acreditar na vida, na bonança!

A caatinga e a agonia do bioma
Desmatamento histórico e a seca como herança
Minha força, minha sede, nos mantém de pé
Uma região esquecida, mais um povo de fé
Esperança em Deus e em “meu Padim, padi Ciço”, forte
Nordeste de luta, meu Juazeiro do Norte!

 A morte que insiste no sertão
Mãos calejadas e grandeza da tradição
Cultura nordestina, orgulho, Patativa do Assaré
Cordel, Xaxado, Baião, Acarajé
“Auto da Compadecida”, Ariano Suassuna
A poesia da seca, “Morte e vida Severina”

A brava luta do picui, chupa dente, ameaça
Ararinha azul, tatu-bola, queixada
A asa branca bateu asas e foi-se embora...
Foi quem sabe, para junto de Nossa Senhora
Interpelar por nós a toda hora
Para que mande as chuvas ao romper da aurora.

Um campo santo em cada quintal
Fome, miséria e a riqueza do sisal
Asa Branca saiu em revoada sobre a terra petrificada.
E levando consigo, nosso irmão Luiz Gonzaga
Que juntos nos aguardam em meio às cascatas,
Onde um dia, faremos nossa última morada!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

A LUTA DIÁRIA CONTRA A INJUSTIÇA E A ESTUPIDEZ


       Na rudeza da vida, a coragem do brasileiro probo e que labuta, faz de sua via crúcis um calvário diário. A resiliência dos mais aptos, que resignados carregam a escória improdutiva do país, sob o açoite da Casa Grande e da sanha do chicote dos ordinários.
       No clássico Os Sertões, o pré-modernista Euclides da Cunha, afirmou que “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” E ainda frente ao infindável ardor da luta desigual, peita o infortúnio com bravura e a persistência dos vencedores. Astutos por natureza, otimistas por religiosidade e o humor nato que dribla o óbito como em Ariano Suassuna.
       Em cada rincão um ataúde farto, largo, para ossos tão frágeis e tão escassa carne. Vivência que a inanição ceifou em searas de misérias, latifúndios de mendicância, tribunais de injustiças e banquetes de indiferenças. Um eviterno “Doer, que dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer”, afirmou Rachel de Queiroz. Como em Vidas Secas e os desafios da sobrevivência de Fabiano e sua prole, a cadela Baleia tratada como gente, dramaticamente descrita pelo sertanista e também modernista Graciliano Ramos.
       Terra as quais quem planta não tem direito a comer, quem paga não pode usufruir, quem trabalha vegeta sob olhares famintos e definha a míngua. A aridez e o sol escaldante, a metamorfose kafkiana da água que esculpiu argila, a aridez da caatinga e a beleza do Mandacaru em flor! Resistente como a Jurema que para não perder água, perde suas folhas durante as longas estiagens.
         A saga e o suplício de escanzelados retirantes, imortalizado nas obras do “menino de Brodowski” Cândido Portinari. As mazelas de um povo e suas dores em Morte vida Severina, na Ode de João Cabral de Mello Neto. Os tormentos da grande seca de 1915, Rachel de Queiroz em seu romance O Quinze, descreveu com mestria, que marcou sua infância e revelou a resistência do sertanejo. Aqui, na mais tenra idade, aprende-se a duras penas que “A lembrança só dói quando fresca. Depois de curtida é um consolo.”
        Ante ao senhor e seus capatazes, o rubro suor, vai procriando a fortuna de minorias, que negam até o pão a quem lhes sustentam, sob a égide da exploração da brutal luta de classes. As migalhas aos indigentes, o desprezo aos zumbis favelados, em “condomínios” de dálitis sob pontes e viadutos. Os quilombos de ontem, os mocambos e quartos de despejo de hoje! Um campo santo em cada canto, uma cova rosa ou vala comum, para quem lutou e morreu pela terra. “Viver é negócio muito perigoso...”, Grande Sertão: Veredas do genial Guimarães Rosa.
         Os odiosos e infames, que com armas e intolerância, zurram suas mensagens pelo mundo. Parindo uma legião de assassinos e néscios, que sob bandeiras da bestialidade, banalizando a violência, disseminando o ódio e contribuindo para o grande rebu nacional. O infortúnio dos indigentes que fomentam o Estado e vítimas da corrupção intrínseca, mendigando piedade e compaixão de quem os odeia. E no silêncio do eleitor, a certeza do também pré-modernista Lima Barreto, quando afirmou, “O Brasil não tem povo, tem público.” Que no grande e patético espetáculo circense que se reduziu a república das bananas, os aplausos da covardia, omissão e estupidez.
     O silêncio mordaz da indiferença e as injustiças sociais evisceram as mazelas do país e escancara vergonhosamente, a cumplicidade de quem deveria combatê-las.  Togas e pompas, justiceiros e omissão, a serviço de quem paga mais. Os poderes do Estado, harmônicos e letárgicos, cuidando do umbigo um do outro, numa ardilosa conspiração contra o povo! A Camorra governamental e delação premiada aos amantes inimigos do poder, que fazem do fisiologismo sustentação ideológicos, transformando o país em um salseiro.
         Sob o comando de roedores públicos, rebentos do randevu nacional, gente graúda de cafetão e beleguins nativos como prostitutas de luxo. Calígula, imperador romano (12 – 41) sentiria orgulho do quanto suas práticas políticas e administrativas, foram tão bem assimiladas por seus contemporâneos. Se seu equino de estimação Incitatus não se tornaria Cônsul – Brasil, como ocorreu na Roma antiga -, hoje vários “equinos” públicos, também. Inúmeros haras Brasil a fora, com nome de parlamento.
          Portanto, meu pessimismo na razão, reside no otimismo da ação; eleitor que exala informação e na hora do pleito falta formação; no silêncio sepulcral da justiça e no despertar da consciência social. Se o Brasil não é para amadores, realmente, não poderíamos estar em melhores mãos, ou patas com tornozeleira eletrônica!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

O CÉU CHORA POR MIM

Aurora rompeu preguiçosa
Sepulcral, bucólica
Olhos chorosos
Nublados, inebriados
Raiou cinzenta, saudosa
Em cascatas celestiais
Chuvas torrenciais
Inundou minh’alma
Em suspiros e lágrimas
Silêncio filosofal
E o choro angelical
Infortúnio dos rebentos
A saudade dos exilados
A indigência dos órfãos
O céu chora por mim
Meu barco a deriva
Naufragando na dor
A caminho do porto solidão
Procela furiosa
Deserto oceânico
De profundeza abissal
Chagas abertas
Águas balsâmicas
Bons ventos a trouxeram
Redemoinhos uniram-nos
Em um último suspiro
Esvaiu-se
Minha mísera existência
Entre raios e relâmpagos
Insight
Um eviterno temporal
De saudades!


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.


         

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

BARCAÇA NEGRA


Da costa oeste vão distanciando;
abaixo do convés de uma galé
correntes duras que vão tilintando
com o feroz balanço da maré.

A escuridão das ripas vai cercando
a família, amor e também fé.
São cativos por meses esperando
fecundar Novo Mundo de café.

À guerra do branco é dado o indulto
À paz do negro é dado ardil porão;
declaração explícita de insulto!

Da rota desastrosa da exclusão,
discriminação sob um pano oculto:
Que nome dar, se não escravidão?

-- Adriano Calzada


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

VIVA A RESISTÊNCIA


DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, VIVA A RESISTÊNCIA

         O “Dia Nacional da Consciência Negra” 20 de novembro, foi instituído em homenagem a Zumbi dos Palmares, escravo negro que liderou a resistência no Quilombo dos Palmares em Pernambuco, que morreu em 20 de novembro de 1695. Lutou até a morte contra a opressão dos escravocratas e as mãos sujas de sangue humano em nome do poderio econômico e da ignorância!
          Dia não de festas, comemorações, confetes e aplausos para as migalhas gotejadas em nome da igualdade racial. Não será mais um feriado paradoxal, para celebrações e cortejar autoridades religiosas ou bajular figurões políticos com status de estadistas.
        Uma luta homérica defendida por grandes vultos como o “poeta dos escravos” Castro Alves, os abolicionistas Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e tantos outros que contribuíram nesta caminhada de resistência.
        No país constitucionalmente laico, reinam os feriados cristãos católicos, falsos heróis, golpes e viva a igualdade racial e cultural brasileira! Viva a hipocrisia do sagrado e do profano, a ignorância e a intolerância religiosa, contra as religiões de matriz africana!
          É dia, como todos os dias são, invariavelmente, evidenciar  e refletir sobre a importância da cultura africana na construção do povo e da sociedade brasileira, um despertar para a questão vergonhosa dos negros no Brasil! O racismo, a indiferença, rejeição, violência, preconceito e todo tipo detestável de “olhares tortos” e pré-julgamentos,  para os “sempre suspeitos neguinhos”.
        É preciso e urgente, um despertar ruidoso, um olhar crítico para uma população de indivíduos excluídos socialmente, culturalmente,  que seu maior “crime” é a cor negra da pele! Que carregam na alma marcas do açoite e do exílio, o ranço mal cheiroso das senzalas e as mãos calejadas de quem construiu boa parte da grandeza desta nação. Que insiste em renega-los, “negar” uma das maiores vergonhas históricas da humanidade,  a escravidão e que não há discriminação racial e social, contra os anônimos nas páginas policiais e nos obituários diários.
            Ou seja, qual o perfil da maior população carcerária do Brasil, segundo o IBGE? E de analfabetos? E residentes em amontoados de barracos nas periferias do país? Coincidência?Não. Ausência histórica de políticas públicas de inclusão sérias e responsáveis. Não “soluções” eleitoreiras e mediáticas, que não emancipam e não incluem de fato. A construção da mentalidade latifundiária, patriarcal, alicerçada no coronelismo, na figura do homem branco, machista e quase sempre, racista!
           Estudos apontam que a partir do século XVII em Pernambuco, escravos africanos vítimas do senhorio cristão europeu, foram trazidos pelos portugueses para o Brasil, em navios asfixiantes e em condições ultrajantes. Sob o tinir dos grilhões, desembarcaram e, com eles, além da dor do exílio, a saudade da terra mãe. Sua garra e suas raízes como armas de resistência e esperança. A identidade que os açoites e a senzala, que o racismo e a intolerância, não conseguiram silenciar ou apagar.
          A construção da grandeza dessa terra, inúmeras vezes marcada pelo sangue alheio, para saciar a sanha de latifúndios canavieiros, cafeeiros, numa supremacia branca, patriarcal e ordinária. O sal gotejado na terra fértil, irrigada pelo suor de bantus e sudaneses, fez a fortuna e a doçura da cana. Do açúcar alvo como a neve, que deixava mel o amargo café. Temperado pela vergonhosa escravidão dos renegados e a miséria dos ignorados!
         Pelas mãos e pés de guerreiros que por sua pele negra, resistentes como ébano, foram historicamente   inferiorizados e marginalizados, pela pseudociência da Eugenia, alicerçada na intolerância e no darwinismo social.
        É inegável o quanto somos um país miscigenado – índio americano, branco europeu, negro africano. Uma diversidade cultural e religiosa riquíssima, fruto do sincretismo e do ecletismo cultural-religioso. Que nos legou não só um povo multirracial, como também, o cristianismo e suas convicções, a grandeza das religiões de matriz africanas e suas tradições milenares. De  Xangô deus da justiça, do fogo, tanto quanto Tupã para os Tupis-guaranis.  O mesmo Atlântico que banha a Baía de todos os santos é as mesmas águas que banham a África e seus orixás. Numa demonstração clara do quanto às diferenças, nos tornam tão iguais!
      A educação, assim como vários outros setores da sociedade, possui um papel preponderante neste processo ardoroso de transformação desta sociedade ainda com ares provincianos. Racista, machista e homofóbica, trazendo o debate permanente, numa busca incansável pelo esclarecimento e o entendimento crítico do papel de cada cidadão, para transformar essa realidade da miséria, preconceito e intolerância. Sempre serão nossas atitudes e o nosso caráter, determinantes para qualquer mudança.
       Portanto, é notório o quanto muito nos enriquece, esta convivência com tamanha diversidade étnica, religiosa e cultural. Que nos coloca frente a frente, com questões desafiadoras, pautadas pelo respeito e a tolerância. Princípios elementares, básicos, grandiosos e determinantes para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.
          A luta das minorias, dos excluídos é uma luta de todos! Uma incansável luta contra a violência que exterminam jovens e mulheres negras diariamente – bem como, não negras! O feminicídio é alarmante, reflexo do modelo de sociedade que temos o dever moral e cívico de mudar!  
        Querendo ou não, todos nós temos sangue negro! Alguns, nas mãos. A mesma que segurou o chicote e hoje ostenta o racismo e a intolerância!                       
            Axé!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.