segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

VIVA LA VIDA


Liberdade não se define
Saudade não se exprime
Sonho não se reprime
A Vida se vive!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

sábado, 29 de dezembro de 2018

SE


Se pudesse
Desvencilhar da gramática
Caso oblíquo, átono

Voltar no tempo
Existência sem lamento
Eternizar seu sorriso

Ternura de estar contigo
O amor em um momento
A saudade no firmamento!

Minha mãe, sentimento
Lágrimas e sorrisos, sofrimento
Sua voz nos meus ouvidos

Da lápide o estampido
No epitáfio the sound of silence
Sempiterno viver ao relento!


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

NOSTALGIA


Eu queria poder
Ter poder
Voltar no tempo
Amar o momento
Em silêncio o padecer
Eviterno firmamento!

Luz do querer
Meu bem querer
Minha mãe, sentimento
Saudade lamento
Padecer
Exílio lento.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

domingo, 23 de dezembro de 2018

O CONTO DO VIGÁRIO

UMA REFLEXÃO DE NATAL
Então é Natal...                      
Vamos celebrar!
Um brinde à gula, às velas coloridas, a bebedeira de muitos devotos, ao espetáculo pavoroso de irresponsabilidade e violência nas festividades da festa cristã, às belíssimas canções natalinas, luzes ornamentando a opulência de palácios financiados por quem não tem onde morar, o que comer ou ao menos um palito de fósforo que fosse capaz de iluminar a dignidade da miséria... Áreas nobres enfeitadas pela indigência das periferias... A magia do glamour do verdadeiro espírito natalino, perpetuando a cultura do universo fantasioso da fraternidade e harmonia cristã, dos homens de bem com seus coldres reluzentes, na barganha pela recompensa do paraíso eterno. Sugestivo, frente ao inferno terreno, vivido diariamente por tantos, inclusive, no Natal!
Ingenuamente, acreditei um dia no Coelhinho da Páscoa, de olhinhos vermelhos e orelhas grandes, que incondicionalmente trazia ovos deliciosos de chocolates para todas as crianças. Inclusive, para as pobres, negras, anônimas, cristãs ou não e que quase sempre, vivem penduradas nas encostas movediças do abandono social e estatal!
Também acreditei que se eu fosse um bom menino, numa espécie de permuta com o Todo-Poderoso, eu seria recompensado com um belo presente de Natal. Eu seria merecedor, não por ser criança, inocente, ingênua ou bom garoto, ganharia, pois acreditava que todas igualmente ganhariam presentes, por ser Natal, independentemente de merecer ou não. Como se o conto de Natal, fosse realmente como me disseram que era!
Na imaculada da minha mais tenra idade, também aprendi sobre um Cristo bem mais cristão que aquele que muitos cristãos ostentação pregam agora.
O Natal dos indigentes – cristãos ou não - dura o ano todo! O rubro do sangue derramado pela indiferença e o abandono; as luzes brilhantes e coloridas, iluminadas pelo giroflex das viaturas da polícia; os fogos de artifícios são as bombas de gás e os tiros do Estado, que enfeitam e alegram nossa árvore gigantesca, o morro! Isso explica a grande inspiração em Schubert, que iluminou Herivelton Martins em “Ave Maria no Morro”!
Insistentemente passei a indagar-me:
__ Por que o Natal é sempre tão iluminado, festivo e colorido se na rua que eu moro - mesmo pagando taxa de iluminação pública - nem poste tem? Será esse o motivo que pelo qual Papai Noel não visita os miseráveis das regiões periféricas? Será medo de assalto ou Natal é para alguns agraciados pelo capital?
__ Ainda bem que as valas comuns da minha rua e o poder paralelo na minha comunidade, permitem que o caminhão da coleta de lixo passe, se não, meu Natal também seria no lixão, aquele que Papai Noel, muitos políticos competentes e fervorosos religiosos, se quer sabem da “existência” durante todo ano!
__ Por que Papai Noel não é negro e só veste vermelho? A vida toda sempre ouvi dizer por alguns cristãos de “bem” que o vermelho era odioso e uma ameaça! Papai Noel também? E aquele refrigerante famoso, também?
__ E Papai Noel, existe?
Agora, o tempo roubou minha infância, como a religião dos ladrões, charlatões, abusadores e hipócritas roubaram minha fé! E com ela, minha inocência. Descobri que o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel, estão para cultura cristã, como Saci Pererê e o Negrinho do Pastoreio, estão para o folclore brasileiro, na mesma dimensão de importância e realidade.
O mesmo “Boi da cara preta” que embalou meus traumas e temia encontrar na infância, agora adulto e portador de todos os pecados e culpas do mundo, temo ser mandado para o inferno, mesmo cercado por tantos demônios disfarçados de anjos! Enfim, tanto na infância como agora, vivo amedrontado pelas mesmas e cruéis ameaças de condenação, que os puritanos, patrulheiros da fé e da moral alheia, candidatos a santos e as portas do paraíso, insistem em apontar o dedo.
Sob um constante terrorismo velado imposto pela tradição religiosa e consumista, sob a sombra do êxtase da burguesia, da farra das indulgências e simonia. O Natal como um bálsamo anual, vem nos brindar com um discurso sacrossanto atrelado perniciosamente a um capitalismo selvagem, cúmplices em interesses escusos de cada lado, selando um pacto entre o sagrado e o profano, a serviço da ilusão e da mediocridade. Percebo agora, que era preciso fomentar meus sonhos de criança, para fomentar a sanha dos interesses econômicos, em nome de Deus.
E “que o verdadeiro espírito de Natal esteja dentro de cada um de nós”. Inclusive dos canalhas, larápios do erário público; dos sanguinários homofóbicos; dos estúpidos racistas; dos covardes machistas que agridem, violentam, estupram e assassinam mulheres; os ordinários molestadores de crianças nas alcovas das sacristias; os patifes de direita ou esquerda que dividem a mesma cela; os hipócritas que vão a igreja esfolar os joelhos numa sordidez deslavada e que cinicamente, ainda se intitulam “santos”!
Um destino glorioso de presentes, pompa e o desperdício dos banquetes...
Para outros, também “supostos” e pretensos filhos de Deus, restam as migalhas que os ratos rejeitaram. O infortúnio de miseráveis esqueléticos e famintos, invisíveis aos presentes de cada dia e alheios aos banquetes natalinos!
O consumismo apropriou-se da festa “sagrada” ou vice-versa. Comemoram com mimos e comilanças o nascimento de Cristo, que segundo as Escrituras, nasceu em uma estrebaria, numa manjedoura, entre equinos e bovinos, numa demonstração clássica de simplicidade e talvez, do que seria o verdadeiro “espírito natalino”. Penso que Ele se constrangeria hoje, com o nível das comemorações em alusão ao seu nascimento, com muitas plumas e paetês, ostentação e oba-oba.
O Natal realmente é uma festa interessante!
Controversas a parte, reza a tradição cristã que o menino Jesus nasceu no dia 25 de dezembro. Numa região do continente asiático, conhecido atualmente como Oriente Médio.  Região de sol escaldante e grandes áreas desérticas, entre mulas, ovelhas, cavalos e bois.
Muito diferente da Lapônia europeia, que dizem viver o Papai Noel, o símbolo maior do Natal de um Cristo que nasceu em um contexto simples e humilde, viveu e morreu lutando contra a hipocrisia, as desigualdades e as injustiças.
Então qual seria de fato o verdadeiro sentido cristão do Natal? E o Presépio? Cabe na festa?  Eternizado num momento, uma reprodução artística tão simples e majestosa, ovelhas, jumentos, estábulo... Para um Natal excludente, profano, regado a bebedeira e comércio! Lucro, exploração... Natal é para quem pode pagar! Seria então este o verdadeiro significado do “espírito natalino”?
E os presentes? Ah, os presentes. Papai Noel nunca falha.
Agora, se for criança pobre, quase sempre não tem nem o que comer na Ceia de Natal, nem benesses! Confraternizam e socializam-se com os ébrios e a indiferença social, o clima festivo lúgubre que celebram todos os dias santos, divide o espetáculo com os indigentes, sentados a grande mesa do abandono, fartando-se do banquete dos renegados, vivendo em pele e osso, o verdadeiro espírito do Natal.
Que saudade da minha inocente infância! Dos beijos e dos abraços de minha mãe! Quem aprendeu a viver como escravo tem medo da liberdade!
E o que os “papagaios” repetem todo ano, soam como unanimidade e dogma. Que neste Natal eu receba de presente menos hipocrisia, menos indiferença, menos intolerância e atitudes, ações no lugar de palavras e intenções!
Conclusão caí no “conto do vigário”!
Ah, nos “messias” mitológicos, salvadores da Pátria, arautos da honestidade, baluartes da moral e da fé cristã e ostentando seus coldres reluzentes, nesses eu nunca acreditei!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

DANDO PÉROLAS AOS PORCOS


    Longe do fervor do momento, num misto de sensações, indignação e constrangimento frente à parvoíce triunfante que nos cerca, eis uma reflexão. Recentemente lancei meu sexto livro. Consequência natural de um grande amor pelos livros, pela leitura e o prazer em escrever – ainda que um eterno aprendiz. Sempre acreditei que a educação, o conhecimento, a leitura, são armas poderosas no combate às injustiças sociais, a maior e pior de todas as mazelas, a ignorância!
      Novamente, vivi de perto os reflexos de uma realidade miserável intelectualmente, fomentando analfabetos funcionais – “O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê” – afirmou Mário Quintana,  e o hábito do menosprezo pela produção cultural alheia. Uma lástima que sempre observei em todos os outros lançamentos. Se sempre me lembrar do país que vivo, com o nível de governantes de índole e erudição duvidosa dos que temos talvez isso não me causasse tanta estranheza. Mesmo acreditando que um dia mudaremos esta condição de povo sub.
     O lançamento de um livro, um filme, uma peça, uma vernissage remete-nos ou deveria, a um grande evento, momento de êxtase, nascimento, sublimação, carregado de novas ideias, propostas, críticas do cotidiano, dilemas e reflexões diversas. É uma ideia sonhada, que germinou e resultou em uma obra de arte, literária, cinematográfica, que direta e indiretamente, contribuirá para o crescimento cultural de uma sociedade e o despertar de um contemporâneo olhar, frente ao caos.
  Tenho lamentavelmente observado, pessoas supostamente “esclarecidas”, pseudointelectuais quase sempre conhecidas do autor, chegarem e pedirem “um livro”! Isso quando comparecem ao evento, em parte, nem vão, sentem-se desconfortáveis com o ambiente.  
        Muitos destes equivocados, para não dizer outra coisa, pensam que os autores, os artistas,  escrevem livros ou produzem arte, com a finalidade de presentear amigos! Ainda que se possa fazer alguma doação – acredito que isso também faça parte -,  não é essa a princípio, a finalidade de uma produção artística.
        É preciso que fique claro que é o ganho do artista, sua sobrevivência, fruto de seu trabalho intelectual. Penso que Ariano Suassuna, Clarice Lispector, Drummond e tantos outros, nunca escreveram pensando em fortuna, nem muito menos, para rifarem suas obras, como bons samaritanos e saírem distribuindo suas produções a todos os pedintes. Spielberg, Almodóvar, Fellini jamais produziram, dirigiram uma obra da Sétima Arte, com a finalidade de não receberem por elas. São profissionais, vivem disso. Normal e natural como em qualquer outra atividade profissional, ou deveria. O que assusta e “surpreende”, é o comportamento insistente de algumas pessoas de ignorarem o dispendioso trabalho artístico, artesanal e intelectual que é necessário para se atingir um resultado final, como a publicação de um livro, um filme, uma escultura, por exemplo, e alguém resumir sua produção em “me dar um”!
           Será que o dono de um táxi deveria transportar os amigos ou quem quer que seja de graça? Um incansável empreendedor dono de um restaurante deveria fornecer refeições na “faixa” aos amigos? Será que as pessoas que vão a um espetáculo – show, teatro -, deveriam ganhar as entradas dos artistas e produtores? A resposta é óbvia, por que as pessoas insistem em pensar que eu tenho que “dar” meus livros? Que lógica é essa, que o escritor pensa e produz uma obra literária, tempo, gastos financeiros com a produção, divulgação, e depois de tudo, ainda tem quem pense que a obra – por mais “insignificante” que venha a ser - é de graça? Inominável! Inveterada prática da indigência, da mendicância, sempre de boca escancarada ou mãos estendidas pedindo, querendo “alguma coisa” de graça, ainda que em migalhas! Ou incultura mesmo. Por um instante, sinto-me profundamente constrangido e desanimado... Ainda assim, farei o que puder, para que os anônimos cidadãos deste país, aqueles que só aparecem na mídia nas páginas policiais, possam ter acesso à cultura de forma mais espontânea, naturalmente e com qualidade. Sem por tanto, desrespeitar e desvalorizar o trabalho do artista. O poder público tem um papel fundamental neste processo.
        Frente a este desrespeito para com os autores e artistas consagrados ou anônimos, fica minha reflexão. São desafios diários e históricos de toda ordem possível. Não há investimentos que contemple suficiente e verdadeiramente a todos que precisam de incentivos voltados para a produção cultural; além das “panelinhas” de algumas “estrelas” condenando ainda mais ao ostracismo os invisíveis. Práticas muito comuns em alguns veículos de comunicação, que fecham as portas, ignoram quando o artista é desconhecido e precisa de qualquer tipo de ajuda. Como a que vivi dentro de um conceituado jornal que ironicamente sou colaborador com alguns artigos de opinião, que se recusaram a divulgar o lançamento do meu último livro! Se a intenção foi me desanimar, sou persistente e “é preferível morrer como rebelde a viver como escravo”, como afirmou Sandino.
         Este menosprezo pela literatura, pelos livros, autores e artistas se revela nas pesquisas mais recentes. 44% da população brasileira não leem e 30% nunca comprou um livro, aponta a pesquisa Retratos da Leitura. Possivelmente eu esteja esperando muito de quem não está habituado ao exercício da leitura e da busca por ser culto. Como afirmou José Martí, “ser culto para ser livre”. Está a chave para um país com tanta riqueza fomentando tanta pobreza.
       É preciso ser corajoso, ousado, transgressor para ser culto neste país! O conhecimento é instrumento de poder na transformação de uma sociedade e um alento no universo da opressão e da magnânima estupidez.
         Desabafos a parte, está na hora de valorizarmos mais a leitura, a literatura, a arte, a produção artística de forma geral, como um caminho alternativo, para mudarmos essa cultura da incultura, da desonestidade, da corrupção, da desumanização crescente e recorrente, diante de desafios cada vez maiores e humanos. Louvar o caráter e a honra como valores insubstituíveis e necessários na construção de uma sociedade mais ética, justa, próspera e culta.
          Portanto, enquanto tivermos pessoas que pensam que produção literária ou qualquer outra atividade artística, intelectual é para serem distribuídas como santinhos em campanha eleitoral, continuaremos “dando pérolas aos porcos”.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.


sábado, 22 de dezembro de 2018

CEGOS, SURDOS E OMISSOS

AOS OLHOS DE QUEM GOVERNA, O POVO É APENAS UM DETALHE

         Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Goiás, morrem em média na capital que se candidatou a cidade sede na Copa de 2014 - não é piada - duas pessoas por dia por falta de UTI. O que prova mais uma vez, que se é algo que os goianos e goianienses precisam, são de fato, novos e modernos estádios de futebol, financiados com dinheiro público não é mesmo? “Seria cômico, se não fosse trágico.” Seja qual for a razão para tamanha hipocrisia e descaso, a certeza é uma só: incompetência. E olha que trotam alguns néscios por aí, defendendo um “novo imposto” para a saúde. Uma espécie de filme “trash”, “CPMF, Parte II – O Retorno.” Não podemos esquecer, que a CPMF não melhorou a saúde pública no Brasil e depois que foi extinta, não piorou – desafiando a Lei de Murphy!
         O mais impressionante é assistirmos ao festival patético da pior espécie de gente - os “bajuladores” - engravatados ou togados nas mais altas esferas dos poderes municipal e estadual, zurrando aos quatro cantos do mundo, que “fulano” não pode ser esquecido, é um símbolo da política goiana, um ícone da vida pública, entre outras bizarrices. Uma histeria coletiva de beócios e seus “asnáticos” discursos – sem ofender os muares. Típicos “puxa” de plantão, para garantirem seus cargos comissionados e polpudos salários, vendem a alma e o povo é quem paga. Parlamentares de festim em conluio com seus correligionários comportam-se como inimigos dos eleitores. É preciso lembrá-los, que quem ocupa cargo público, deveria ter a obrigação de cumprir seu papel com competência e honestidade. Não estão fazendo favores ao povo!
     Os gestores públicos, não trabalham de graça. Ao contrário, são muitíssimo bem remunerados, “eficientíssimos” ou deveriam. Não precisamos de Bônus, muito menos de esmolas – em nome de “qualidade” da educação pública! “Congratulações para os banqueiros, gratificações para os bancários...” Titãs. Segundo Ministério da Educação, em média, o que a escola particular investe em um mês, o governo leva um ano para investir o mesmo valor na escola pública. Se isso não for constrangedor, é no mínimo, criminoso! As Operações da PF na Lava Jato, falam por si, como a Cash Delivery, explícita cleptocracia.
         O que os governantes realizam durante sua gestão, seu governo, é preciso entender e ficar claro, até como “Utilidade Pública” é que foram eleitos para isso, com essa finalidade. E pronto. E ser honesto, honrado é dever de qualquer um, uma obrigação, independentemente de quem seja.  Até da classe política - me perdoe as raríssimas exceções. Não temos que aplaudir inauguração de obras públicas, se quem a realizou está sendo muito bem pago e em alguns casos, levando um extra por fora. Usufruem de regalias e mordomias, que nenhum outro trabalhador no Brasil, possui. Aproximadamente R$ 200 bi, são desviados do erário pela corrupção por ano no Brasil – Mensalão, Petrolão, por exemplo.
         Assaltam os cofres públicos, para financiarem privilégios e as benesses sedutoras do poder, não em favor do cidadão, mas, para seus escusos interesses. E ainda faz propaganda das realizações e programas governamentais, dinheiro público para financiar o que só o Governo vê e fomenta votos. Induzindo os indivíduos menos informados, de que fizeram algo além do que deveriam fazer! Por que não usam verbas de propaganda para “inglês ver”, em áreas as quais o povo, os cidadãos, os eleitores deveriam usufruir. Isso tem outro nome, uso da máquina pública em benefício de quem está no poder, cabo eleitoral institucionalizado. E olha, que tem uns que não deixam o poder, outros que não querem deixar e outros que deixam, mas, voltam! “Não há coisa mais prejudicial a uma nova verdade que um velho erro”, Goethe.
         O Brasil está estéril de homens públicos sérios, competentes e honestos ultimamente. Os percevejos parlamentares, transvestidos de Louva-a-deus, inventam legendas partidárias descartáveis – “os nanicos” – de olho nas negociatas com partidos maiores e o Fundo Partidário. Ideologias eleitoreiras, mitológicas e salvadoras – não existem propostas, vociferam verborragia, hipocrisia e oportunismos. Transformam seus redutos políticos em verdadeiros “currais-eleitorais”, nos remetendo aos velhos e atuais tempos do coronelismo, oligarquias históricas, do voto de cabresto, de mandos e desmandos, com o irrestrito aval e o tinir de auréolas das bancadas BBB e dos perus de Natal cegos do que jamais enxergarão. Goiás, Alagoas, Pará, Roraima e outros “currais” pelos confins do país.
          Por aqui, não é diferente. Não se elege o melhor, há muito tempo! Não temos esse tão almejado privilégio. O que nos resta no exercício de nossa acanhada e modesta cidadania, é votar no menos ruim. O que explica o nível de governo e ações competentíssimas nos últimos anos. CELG, BEG, CAIXEGO, educação, saúde, segurança pública, a região do entorno, o vexatório transporte coletivo e muito mais, que aos olhos de nossos “nobres, perpétuos, ilibados e competentes” governantes, é apenas um mero detalhe. Se “o povo tem o governo que merece” então, estamos realizados! Nossa vocação para celeiro de fracassos é assustadora! "Tudo que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam", Burke.
          Enquanto isso, o espírito natalino embala anônimos à míngua pelo chão em algumas unidades de saúde pública, por falta de UTIs. Ou seja, para o “circo”, sempre tem alguém pronto a encobrir a própria incompetência em um corporativismo assustador. Os “palhaços”, famintos e moribundos cidadãos de bem, eleitores, definhando e condenados em qualquer espelunca chamada de CAIS.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

CUIDADO: ELE ESTÁ ARMADO!

O ESTATUTO DO DESARMAMENTO EM XEQUE

          Os índices de violência, a falência do sistema penitenciário, a rotina de homicídios no país, têm deixado a população alarmada, insegura e assombrada. As estatísticas são chocantes, preocupantes e a incompetência, companheira inseparável do descaso estatal e da falta de políticas sociais, eximindo os ordinários que deveriam combater esta barbárie. Aqui, mata-se ou morre por muito pouco ou nada. “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”, afirmou Jean-Paul Sartre.
     As armas de fogo - responsáveis pela grande maioria dos crimes no país - são adquiridas sem maiores dificuldades, contrabandeadas por nossas imensas fronteiras, por preços e condições módicas. Debaixo dos olhos de um Estado cretino, oligárquico e moribundo, com aval de alguns agentes públicos e uma sociedade perplexa e sedenta por sangue. Condições férteis e históricas para as ações do crime organizado, das milícias justiceiras, do Estado paralelo terrorista, sobrepondo a soberania republicana de bananas com nome de corruptos. Canalhas não menos odiosos e maléficos a sociedade, institucionalizado e criminoso.  Alimentando um mercado gigantesco ilegal do tráfico, fomentando encarniçadas guerras urbanas, guerrilhas, dizimando em grande parte, cidadãos de bem, anônimos e ignorados pelas estatísticas oficiais. É a indústria bélica vomitando armas, munições e bombas, numa demonstração irracional da grandeza e da eficiência humana de exterminar, de se autodestruir em nome da “legítima defesa”.
        Se o argumento mais inteligente e louvável de quem levanta pela manhã, faz suas preces em nome de Deus e da paz, deleita em um balsâmico banho, um apetitoso desjejum e coloca uma 9 mm na cintura como se estivesse indo para guerra, sob o “ingênuo” pretexto de se defender, não está saindo de casa, em hipótese alguma, com um espírito de paz, desarmado de corpo e alma! O suposto faroeste que permeia mentes delirantes e insaciáveis de “justiça” de jagunços, só espera o primeiro a atravessar seu caminho e olhá-lo de qualquer forma. Armas foram inventadas com uma única finalidade: matar.
        A violência nossa de cada dia, provocada por bandidos – de qualquer laia, nas tribunas ou nas alcovas - não são menos violenta e bestial, do que aquela provocada por pessoas de “bem” que andam armadas e atirando até na sombra. Sob a alegação equivocada de “legítima defesa”! Discussão de trânsito, doméstica, em festas, escolas, em qualquer lugar ou ambiente, se tem alguém armado, o desfecho quase sempre é temerário, um só: mortes, assassinatos. Uma espécie de “Guerra Preventiva” instituída na Doutrina Bush, após os atentados de 11 de setembro, “atacar, antes que me ataquem”!
       Dados oficiais e alarmantes dos órgãos de Segurança Pública revelam que a maioria esmagadora das vítimas que morrem durante um assalto, é porque reagiram – com ou sem uma arma na cintura. Inclusive, os próprios agentes das forças policiais, fora do horário de serviço, lamentavelmente, engrossam essa estatística.
         Será que os honrados homens públicos do nosso país – raríssimos – realmente acreditam nessa tese que armar a população “de bem” em nome da autodefesa, será verdadeiramente a solução para o combate da violência? Mais armas em circulação, mais pessoas armadas, não resultará num efeito contrário? Será que de fato armar um povo que o Estado sempre ignorou, não será cortina de fumaça, camuflando outra realidade não menos dura, que a miséria? Em grande parte, pessoas que não possuem nem o que comer, que não são municiados nem de direitos básicos, que nunca tiveram acesso nem ao mínimo!  Como educação de qualidade – em um país de analfabetos -, um sistema de saúde que contemple suas verdadeiras necessidades, geração de emprego, moradia digna, saneamento básico, oportunidades equânimes e justiça social, não seriam as melhores armas que um povo lutador mereceria? Ou esse discurso de “armar o cidadão de bem”, é o melhor fundamento político da “bancada da bala” para cevar seu curral eleitoral? Aspirações eleitoreiras, jogando para o povo uma solução, que em tese, seria do Estado. Ou a questão é outra? Estão fazendo lobby para a indústria bélica, e muitos estão ruminando a ideia, embebidos do primitivo desejo de justiça com as próprias mãos? Os maiores defensores hoje no Brasil do fim do Estatuto do Desarmamento são exatamente parlamentares sem nenhuma expressão no parlamento, em defesa de projetos de lei consistentes, que combatam de fato a miséria e a violência. Já dizia Nelson Rodrigues, “invejo a burrice, porque é eterna”.
       Quem disse que andar armado é sinônimo de segurança? Quem anda armado, mata o bandido em legítima defesa, como também, mataria qualquer outro, se fosse o caso – iria depender do seu estado de espírito. Quem anda armado, não está disposto a dialogar, conversar, quase sempre não raciocina, frente ao instinto perverso, aperta o gatilho e pronto. É a expressão máxima de seus argumentos, desrespeitarem um direito natural. Não se mata por falta de vontade, talvez, oportunidade.
         Um ex-Secretário de Segurança Pública de Goiás, quando esteve no comando da pasta, sabiamente determinou que policiais fora do seu horário de trabalho, estariam proibidos de portarem armas em recintos fechados. A pergunta é: será porque, demoraram tanto para tomarem esta decisão? Alguns pistoleiros, na sombra de membros de uma das mais respeitáveis instituições deste país, tornam-se foras-da-lei quando não estão em serviço e sempre dispostos a colocarem a vida de outrem em risco, tomados por um superpoder exterminador.
         Incorporam a jurisdição do gatilho, para resolver toda e qualquer conversa. Os outros, que se danem. Imagino o nível de mendicância intelectual, de quem pega uma arma e começa atirar em um ambiente fechado com várias pessoas e sob quais argumentos alguém faz isso? Quase sempre, quem grita e usa a força bruta como seu maior fundamento, demonstrando uma capacidade intelectual limitada, rudes e uma ameaça constante para a sociedade. Medíocres, que buscam num irresponsável bang-bang, se afirmarem como “machões”, “valentões” que não levam desaforo para casa, jogando pelo ralo, qualquer possibilidade de convivência social, numa espécie de fetiche.
        Armas deveriam estar somente nas mãos de profissionais capacitados das forças de seguranças e em serviço. Ainda assim, vemos excessos e ameaças constantes. Infelizmente, nas mãos de bandidos, também tem sido inevitável. Já as pessoas de bem e do bem, buscam a paz e usam outras armas. Sigmund Freud afirmou que “não se cogita a repressão total das tendências agressivas do homem: o que podemos tentar é canalizar essas tendências para outra atividade que não seja a guerra”.
           E quantos casos vergonhosos, envolvendo policiais fora do horário de serviço, cometendo assassinatos e se escondendo como ratos atrás da instituição e do corporativismo, para se safarem? Bandido é bandido. Seja de farda, de terno, de toga ou a paisana. O que alguns chamam de defesa, talvez, seja ataque. Quem não se lembra do trágico episódio ocorrido durante uma confusão em um show, quando um policial assassinou a tiros um jovem na pecuária? E a briga e tiros em uma boate na mesma pecuária, envolvendo um delegado da Polícia Civil do DF? E dos polícias militares – também fora do horário de serviço – que trocaram tiros em uma casa de dança, também em Goiânia? E na capital paulista, que durante uma briga de trânsito, outro policial, matou e em seguida, cometeu suicídio? Detalhe, todos os casos noticiados pela imprensa. Estamos reféns de indivíduos neuróticos, psicopatas, despreparados psicologicamente, com ou sem porte de armas, legal ou ilegalmente, colocando a sociedade em risco constante e iminente. Como qualquer outro que são considerados “oficialmente” bandidos. Quem usa uma arma, seja em serviço ou não, policial ou não, sempre fará usa dela. Ou se “defendendo” ou “atacando”. Arma não tem outra finalidade a não ser destruir. Vidas, sonhos, famílias, projetos. Ou seja, se em tese, os agentes policiais, são e estão preparados, capacitados, habilitados, laudados para usaram armas de fogo e ainda cometem insanidades, imaginem o grande e afoito público nessa odisseia de vampiros desdentados, sanguinários e justiceiros?
         Portanto, quem defende armar a sociedade até os dentes, não está em defesa da vida nem da paz. Como um patético pretenso candidato à presidência da república para o pleito de 2018, declaradamente cristão e grande entusiasta das práticas de torturas, extermínios e armamentos. O grande paradoxo nacional de quem hipocritamente professa o amor cristão e pratica o que muitos de seus néscios imitadores, esperam ser a solução. Encabrestando seguidores, que aos zurros clamam pela truculência e uma sela, em um espetáculo vergonhoso de tilintar de ferraduras. Quem anda armado e não está em serviço em que o uso é necessário e nem é bandido, está propenso, a se tornar um. Assim nascem os assassinos. “Heróis”, covardes, contumazes e justiceiros.
         Entendo e acredito, que a sociedade deverá se guiar, por outros princípios, por caminhos alternativos e razoáveis. Abrindo a possibilidade do diálogo contínuo e da busca de soluções inteligentes e que tenham na preservação da vida, sua prioridade. Que conduza a sociedade para uma justiça legal e não vingança. O respeito à condição humana, pautada em princípios éticos e que possam contribuir para um processo mais justo e soberano. Sem justiça social, o combate à corrupção e o respeito ao cidadão brasileiro, jamais teremos uma sociedade pacífica. Precisamos de muito mais respeito por parte dos legítimos representantes do povo, comida para quem tem fome, educação, moradia, de qualquer calibre. Pois “a felicidade é uma arma quente” já dizia o imortal Belchior.
        A História tem exemplos categóricos, de grandes líderes, de grandes estadistas, que realizaram profundas transformações, sem dispararem um só tiro! Mahatma Gandhi, Luther King, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, pacifistas e exemplos a serem seguidos. “Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz que é permanente”, afirmou Gandhi.
      A tolerância deveria ser a única arma letal da humanidade. A paciência e o respeito como munição na defesa pessoal. O bom senso e a racionalidade o escudo da legítima defesa.  


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

CRÔNICAS DO MUNDO/1

Nas minhas andanças pelo mundo, testemunhei em alguns lugares, frases que me fizeram parar e refletir.
Em janeiro de 2016, em um muro de Havana, Cuba, deparei:
 - “Hasta la victoria siempre.” Viva!
Em dezembro de 2013, em minhas caminhadas pelo subúrbio de Santiago, Chile, outro muro poético:
 - “Pensamos demasiado y sentimos muy poco”. Maravilha!
 Ainda pelo Chile, em Valparaíso:
 - “La pintura blanca jamás cubrirá el rojo de la sangre...”
Cada muro com sua História e sentimentos igualmente grandiosos e compartilhados. Expressando a força, a dor e a resistência de um mesmo povo!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

TRADIÇÃO E FÉ

AO SOM DOS ATABAQUES

       Chegou a hora, ruas em festas, tambores, cuíca, caixa, reco-reco, pandeiro, cavaquinho, tarol, tamborim e a sanfona. O som da África, batuques, atabaques, grande alegria, ritmos e muitas cores. A música das senzalas coloca a Casa-Grande para dançar. O sincretismo e a dança marcada, salve, salve o Congo e Nossa Senhora do Rosário, Congada!
     Estudos apontam que a partir do século XVII em Pernambuco, escravos africanos vítimas do senhorio cristão europeu, foram trazidos pelos portugueses para o Brasil, em navios asfixiantes e em condições ultrajantes. Sob o tinir dos grilhões, desembarcaram e, com eles, além da dor do exílio, a saudade da terra mãe. Sua garra e suas raízes como armas de resistência e esperança. A identidade que os açoites e a senzala, que o racismo e a intolerância, não conseguiram silenciar ou apagar.
         A construção da grandeza dessa terra, inúmeras vezes marcada pelo sangue alheio, para saciar a sanha de latifúndios canavieiros, cafeeiros, numa supremacia branca, patriarcal e ordinária. O sal gotejado na terra fértil, irrigada pelo suor de bantus e sudaneses, fez a fortuna e a doçura da cana. Do açúcar alvo como a neve, que deixava mel o amargo café. Temperado pela vergonhosa escravidão dos renegados e a miséria dos ignorados!
        Pelas mãos e pés de guerreiros que por sua pele negra, resistentes como ébano, foram historicamente   inferiorizados e marginalizados, pela pseudociência da Eugenia, alicerçada na intolerância e no darwinismo social.
         É inegável o quanto somos um país miscigenado – índio americano, branco europeu, negro africano. Uma diversidade cultural e religiosa riquíssima, fruto do sincretismo e do ecletismo cultural-religioso. Que nos legou não só um povo multirracial, como também, o cristianismo e suas convicções, a grandeza das religiões de matriz africanas e suas tradições milenares. De  Xangô deus da justiça, do fogo, tanto quanto Tupã para os Tupis-guaranis.  O mesmo Atlântico que banha a Baía de todos os santos é as mesmas águas que banham a África e seus orixás.
        O segundo domingo de outubro é realizada a festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário em Catalão. A beleza e a grandeza do sincretismo, com elementos de fé, o cristianismo e das raízes africanas, que permeiam nossa identidade cultural. Conhecida como  Congadas, congado ou congo,  realizada em algumas partes do Brasil,  consiste numa celebração,  expressão de agradecimento do povo congolês aos seus governantes, inspirada no Cortejo aos Reis Congos.   
        As festividades na cidade acontecem desde 1876,  revelando uma tradição de encher os olhos, um mergulho cultural e histórico, da vitória da resistência contra a opressão! Um espetáculo a céu aberto, numa grande e colorida festa popular e que indistintamente, abarca e abraça todos os credos, etnias e níveis sociais. Numa demonstração clara do quanto às diferenças, nos tornam tão iguais!
       Os ternos animam por onde passam o cortejo, com muita dança, batuque de zabumba, cantorias e alegria. Há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc. O folclore e a religiosidade presentes na tradição, além das raízes do Congo, também de Angola, Moçambique e outras regiões da África.
         Portanto, deixo aqui, dois convites. Um, para visitar Catalão e suas Congadas. O outro, uma reflexão. O quanto muito nos enriquece, esta convivência com tamanha diversidade étnica, religiosa e cultural. Que nos coloca frente a frente, com questões desafiadoras, pautadas pelo respeito e a tolerância. Princípios elementares, básicos, grandiosos e determinantes para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.
      Querendo ou não, todos nós temos sangue negro! Alguns, nas mãos. A mesma que segurou o chicote e hoje ostenta o racismo e a intolerância!                      
          Axé!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

domingo, 16 de dezembro de 2018

DEZEMBRO RUBRO

No ocaso de 68
Dezembro rubro, incerto
Cárcere, calabouço
DOI-CODI, Exército
O descortinar de um novo dia
Dor, lágrimas, “Alegria, alegria”!

Despertar da vida
Inocência, esperança
Ilusão, partida
Ostracismo, matança
AI-5 no clarear do dia
“Ordem e Progresso”, ironia.

Retrocesso, tempos sombrios
Repressão e baionetas
Inflação, miséria, frio
O poder e seus picaretas
Resistência, guerrilha
Néscios e “ordem unida”!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

CONGADA


Chegou a hora, ruas em festa, tambores
O som da África, batuques, atabaques
Alegria, ritmos e muitas cores
A voz das senzalas
Sincretismos e a dança marcada
Nossa Senhora do Rosário, Congada!



Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.