Quando
o local de trabalho vira “vale tudo”
Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, diz que “viver é negócio muito perigoso... Porque
aprender a viver é que é o viver mesmo...”, quão magnífico reside no
sempiterno aprender! Árdua caminhada de felicidade meteórica e sofrimentos
longevos na diária via crúcis, numa
luta dura e desigual. Entre caminhos tortuosos, o bálsamo das glórias em
migalhas e os odiosos espinhos cravados de criaturas desprezíveis, como os
bajuladores! Em meio ao suor do labor e o sangue fomentado pelos covardes e
infames. Figuras nefastas, vil, notória incapacidade moral e inteligência
duvidosa. Fazem de uma ocupação temporária, tábua de salvação ou prêmio de
consolação, para os fiascos da vida pessoal.
Para
alguns, uma função no serviço público ou privado, seria talvez, a maior
conquista possível para um fracassado nato, que faz disso, um projeto de vida. Procura
garantir suas mesquinhas ambições, em torno de um mísero salário e viver sob as
migalhas das benesses do Estado, sendo capazes e propensos a tudo. É deprimente
ver tanta gente saindo pela porta dos fundos do que lhe restou de dignidade. Por
isso uns têm preço, outros têm valores. “O
bajulador, adulador ou lisonjeador e quase sempre um ente infeliz, porque se
sente inferior e se reconhece desprezível”.
Subornam seus próprios princípios, negociam
a moral, atacam à ética, se cercam de inábeis e energúmenos, sempre escoltados
por um exército patético de fiéis medíocres, servis e mofinos. Aprendi desde a mais tenra idade, que certas
coisas, são inegociáveis, como caráter e dignidade, por exemplo. Despertar a
ira de “superiores hierárquicos meritocráticos”, por não se vender por um
pretenso cargo, torna-se um perigo para sua permanência. “O melhor indicador de caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas
que não podem lhe trazer benefício algum”.
Incapazes de perceberem que as
instituições permanecerão e seus reles cargos, irrelevantes ou não, funções e
ocupações, passarão e quase sempre, jamais serão lembrados – principalmente por
seus subordinados ou colegas de trabalho. Ante sua constrangedora e limitada
capacidade intelectual, não compreendem o quanto é fugaz suas posições de
manteigueiros, frutos podres da mendicância, insignificância profissional e
moral. Sempre a sombra, a espreita, nas alcovas tramando as armadilhas ascosas,
no próximo puxa-tapete.
Os aduladores, sempre às voltas com
os lambe-botas, conspiradores, vorazes e sedentos de mãos estendidas
incansáveis a pedir algo, de joelhos em busca de um “carguinho” mequetrefe,
camuflando suas agruras pessoais. E danem-se os escrúpulos! O triunfo de uma
tropa de idiotas, prontos para blindar seus padrinhos e abrirem caminhos, aos
seus apadrinhados, ainda que de cabelos grisalhos, pois “os canalhas também
envelhecem”, dizia Rui Barbosa. Algo
muito habitual na administração pública e privada, tratar os iguais, de forma diferente.
Maquiavel dizia que os fins
justificam os meios. E nessa perspectiva, vale tudo! Assédio moral, repressões
silenciosas, perseguições veladas, a implacável acossa aos que não compactuam
com as práticas promíscuas da bajulação, consistindo em um ato grave de
rebeldia e insubordinação. Pensar então, imperdoável!
Quão ultrajante é o convívio com esses
infames. Tacanhos, bazófios, torpe e muito mais típico dessa estirpe de projeto
malsucedido de ser humano. Covardes e bajuladores, os paus-mandado de seus protetores
imediatos, sempre de angelicais sorrisos, beijos de Judas e tapinhas nas costas
de Tamanduá Bandeira. Os calorosos abraços
mortais das serpentes e os ataques sórdidos pelas costas! “Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio”? Bertolt
Brecht.
Entendo que de alguma forma, o afastamento
de alguém de suas funções, atenda aos interesses de outrem ou por razões
escusas. Não quero acreditar que o ato de estudar, buscar qualificar-se se
torna uma falha grave dentro de uma instituição de ensino e incomode tanto uma
plateia que zurra e trota! Bem afirmou Tony Robbins, “o conhecimento é uma das grandes maneiras de quebrar as algemas de um
ambiente limitador”.
Portanto, não aprendi negociar meu
caráter e minha dignidade, por emprego, concurso, função ou qualquer
compensação financeira. Por isso continuo ignorado e desprovido. Ainda posso
andar de cabeça erguida, com ou sem um cargo público! Pois “os cães ladram e a caravana passa”. A
pior das injustiças é a institucionalizada. Pois a questão maior, não se trata
da falência moral e econômica do sistema, ele foi criado exatamente, com essa
finalidade, para não funcionar, perseguir e excluir. “Prefiro morrer de pé que viver sempre ajoelhado”, faço minhas, as
palavras de Emiliano Zapata, meus pérfidos amigos de trabalho.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás (UFG), com
Habilitação em História da Educação
Brasileira; Historiador, pelo Claretiano Centro Universitário, Pós-Graduado Especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Africana; Mestrando em
História – Cultura, Religião e Sociedade – pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Professor, poeta, escritor e
palhaço voluntário de hospital. Colabora com artigos de opinião, poesias e
crônicas nos jornais Diário da Manhã,
Jornal Opinião Goiás e Folha de Caiapônia. “FLORES E ODORES”, poesias
líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2019 (2ª.
Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o
segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de
opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro,
“ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar
sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014
3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em
2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015.
Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.