segunda-feira, 28 de março de 2016

RETIRANTE

Onde está a água meu Deus bondoso?
Que esturricou o açude e o rio caudaloso,
Aumentando o sofrimento de seu povo
Deixando-os em pele e osso...

Meu sertão abrasivo, em chamas
Ainda temos um fio de esperança
A cada momento nasce uma criança
Fazendo-nos acreditar na vida, na bonança!

Minha força, minha sede, nos mantém de pé
Uma região esquecida, mais um povo de fé
Esperança em Deus e em “meu Padim, padi Ciço”, forte
Nordeste de luta, meu Juazeiro do Norte!

Cultura nordestina, orgulho, Patativa do Açaré
Cordel, Xaxado, Baião, Acarajé
“Auto da Compadecida”, Ariano Suassuna
A poesia da seca, “Morte e vida Severina”

A asa branca bateu asas e foi-se embora...
Foi quem sabe, para junto de Nossa Senhora
Interpelar por nós a toda hora
Para que mande as chuvas ao romper da aurora.

Saiu em revoada sobre a terra petrificada.
E levando consigo, nosso irmão Luiz Gonzaga
Que juntos nos aguardam em meio às cascatas,
Onde um dia, faremos nossa última morada!



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

ENTRE A CRUZ E A ESPADA


A festa da democracia
A esperança e a alegria
O sol da liberdade e a hipocrisia
A ditadura e a anistia
O Brasil da miséria e da regalia
Nepotismo, o pai, a mãe e a tia
Entre a cruz e a espada, melancolia
O voto e a letargia
Moral e competência, nostalgia
Uma nova esperança ao raiar do dia.


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

CUIDADO


TEMPOS DIFÍCEIS!
AMEAÇAS VELADAS...
NO BERÇO DA IGNORÂNCIA,
ECOA O ZURRO DOS NÉSCIOS!
PENSAR, ARMA PODEROSA!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

domingo, 6 de março de 2016

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: UMA REFLEXÃO E UM TRIBUTO

          Muito mais que um tributo, uma reflexão, um merecido e singelo reconhecimento, por tudo que diariamente, as mulheres representam no mundo e em nossas vidas! Mesmo diante da decadente realidade humana, com sua força e beleza, conseguem fazer o feio, parecer bonito. Da monotonia uma festa! Com sua nobreza e sutileza, faz da dor da guerra, o bálsamo que alivia o torpor da indiferença e da intolerância. Sua magnânima alma materna, feminina, afaga e amamenta a prole, que diante da dádiva da fertilidade, nos resignamos no silêncio de nossa pequenez.

          Desde os primórdios da humanidade, a figura feminina tem ocupado um papel destacadamente inconteste. Os machistas, ignorantes e preconceituosos, precisam refletir urgentemente seus conceitos e preconceitos, se inteirarem um pouco mais do processo histórico, cultural e social, em que a mulher está inserida e descobrirão a grandeza e a nobreza da alma feminina. Como diz Zé Ramalho, “se não fosse a mulher a mais mimosa flor, a história seria mentirosa”.

          O “Dia Internacional da Mulher” foi ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã, todos os dias. Devem ser entendidos, como dia nacional e internacional de luta em defesa de seus direitos e o respeito à mulher! Muito mais que flores e bombons; jantares e motéis; tapinhas nas costas e parabéns devemos refletir sobre as trágicas estatísticas, que vergonhosamente, colocam nosso país, como um dos que mais desrespeitam, agridem, violentam e assassinam mulheres do mundo! Será que realmente temos o que comemorar ou o que refletir? 8 de março é dia de o mundo refletir sem hipocrisia, sobre a ultrajante e constrangedora realidade vivida diariamente por muitas mulheres! Estas incansáveis guerreiras, precisam ser vistas e respeitadas, com total igualdade, consideração e uma lei que saia do papel, acompanhada pela eficiência e justiça, de uma sociedade consciente da importância e da necessidade de tamanho ser!

           A história feminina se mistura a uma história de luta! Em um mundo conturbado e repleto de covardes, dominado pela intolerância de “homens” que se dizem “machões”, no entanto, adoram bater em mulher, confundindo virilidade, com masculinidade. São incapazes de compreenderem, o que é uma mulher.  A arrogância e a prepotência masculina destes “machões” tornam-os primitivos, inseguros e possessivos. Particularmente, “não agradeço a Deus por ele ter me dado a mulher mais linda do mundo... mas por Ele ter me dado capacidade de perceber isso...” faço minhas, as palavras de Neoqjav.

             O resultado desta cultura do desrespeito, do ranço do machismo, resultou entre outras coisas, na marginalização da mulher, como fruto de uma sociedade patriarcal, cristã e machista. Sob uma ótica absurdamente distorcida da mulher, diante de um discurso fantasioso, construído culturalmente, em bases inacreditáveis, que ao longo da história, fomentou e fomenta a violência contra as mulheres. Relegando-as a um segundo plano, tanto em casa – como filha, irmã, esposa - como  pelo Estado, com políticas públicas que demoraram muito enxerga-las, como cidadãs, pessoas e peça fundamental desta engrenagem chamada sociedade. Segundo o IPEA, 58,5% dos entrevistados afirmaram que se as mulheres soubessem como se comportar haveria menos estupros.

              Na antiguidade, muitas foram deusas em várias sociedades, culturas e religiões! Divinizadas, adoradas, responsáveis pela a vida, pela fertilidade e a perpetuação da humanidade. O que infelizmente, alguns “poetas românticos” contemporâneos, retratam as mulheres de forma tão “carinhosa e respeitosa”. “Cachorras”, “cadelas”, “pulguentas”, “potrancas”, “popozudas” e muito mais do gênero. Como por exemplo, a “belíssima Ode” de Mr. Catra Cuquete: “Quem gosta de putaria dá um Grito! Chegou a hora da sacanagem! Eu chamei ela para meter ela falou que tava menstruada! É mole? Ai eu falei assim: num tem problema não! Porque, tá de chico é o caralho cala-a-boca vagabunda...”. Será que é com este tipo de música, de mensagem, com esta apologia gritante ao desrespeito feminino, que a cultura nacional irá alicerçar seus valores e o futuro das mulheres e homens deste país?

            Eles são ícones, famosos, ricos, aplaudidos e respeitados. Na mídia aparecem nas colunas sociais, pelo sucesso e sua “contribuição para a cultura brasileira”. Enquanto elas,  vítimas, anônimas, pobres ou ricas, indigentes ou famosas são desrespeitadas. Agredidas, violentadas, assassinadas! Na mídia, só nas páginas policiais.

               O tempo passou, o homem “evoluiu” e em alguns aspectos, atrofiou seu olhar em relação à mulher. Fomos presenteados com mulheres formosas e poderosas. Desejadas e respeitadas! De Ísis a Nefertiti. De Cleópatra a Agripina. De Messalina a Roxana.

         Na Idade Média, diabolizadas sob uma ótica moralista, cristã e intolerante, que alguns insistiram em atribuir o pecado e o demônio, a figura feminina. Em “nome de Deus”, as mulheres equivocadamente, mais uma vez, pagaram caro por sua feminilidade! Por seu poder de sedução, de mulher, mãe, amante, amada, imperatriz, meretriz, guerreira, invencível!

            Que neste festivo e reflexivo dia, que tenhamos plena consciência, que embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha – Lei no. 11.340/2006 -, ainda assim, hoje, contabilizamos 4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 7º. lugar no ranking de países nesse tipo de crime.

                Dia 3 de março de 2015, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que define feminicídio como circunstância qualificadora de homicídio. Dessa forma, o assassinato de mulher por condição de sexo passa a entrar na lista de crimes hediondos. Hoje, estima-se que ocorram mais de dez feminicídios por dia no País. O projeto foi sancionado pela presidente.

              De acordo com o texto, considera-se razão de gênero quando o crime envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição da mulher. A punição para homicídio qualificado é de reclusão de 12 a 30 anos. Enquanto isso, a pena para homicídio simples é de seis a 20 anos. O projeto ainda prevê aumento de pena para casos de feminicídio em um terço até a metade se o crime for praticado durante a gravidez ou nos três meses posteriores ao parto; contra menores de 14 anos, maiores de 60 ou vítimas com deficiência; e na presença de pais ou filhos.

                 Mais uma vez, parabéns por mais esta conquista, mulher brasileira. De Elza a Eliane! “Sou forte, mais não chego aos pés.”



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

O PROSELITISMO E O GOSPEL OSTENTAÇÃO

          Na incansável busca por um bálsamo para as dores do corpo e os tormentos da alma, o sagrado, como um milagre, se manifesta para muita gente, como a grande “tábua de salvação”. Com os olhos no Altíssimo e ignorando suas responsabilidades terrenas, reais e concretas, vivem esperando a redenção na morte, diante de uma vida medíocre, sob o olhar míope e equivocado, sobre aquilo que depende de cada um e não, do além!
         Diante da “incapacidade” crítica e racional, de encarar as consequências dos próprios atos, como fruto inconteste das próprias ações, arcando com o ônus, como deve ser, o resultado não poderia ser outro, a não ser, o eterno inconformismo.
       Desde tempos remotos, o homem tem olhado cada vez mais para o céu e, quase sempre, esquecido de olhar para o chão ou para o próprio umbigo. Olhar um pouco mais para onde pisa, para a realidade, o trabalho, as transformações, as ações pessoais e cotidianas, a solidariedade, a honestidade, os tropeços típicos de cada um e uma visão menos simplista, responsabilizando – Deus ou o Diabo - como ação do sagrado ou do destino, castigo ou maldição, únicos responsáveis pelos sucessos ou os fracassos da humanidade! Parece cômodo e conveniente, muita gente esperando do além, o que de fato deveria ser feito por cada um.
            Numa espera diária por um milagre e de “boca aberta escancarada esperando a morte chegar”, muitos oportunistas de plantão, apropriam-se do suor de terceiros, para viverem no ócio, na “Graça” do trabalho alheio. Com um discurso proselitista e uma vida inteira em busca de recompensa. Como se ajudar alguém e ser correto, só se justificasse pelo fato de que seria recompensado.
            Os canalhas adeptos da enganação, agem pela fé, amor ou banditismo “aceitável”? Inúmeros líderes religiosos – das mais diversas vertentes – que deveriam estar presos e não falando em nome de Deus! Quem sabe, um estágio no inferno, já que falam mais no diabo, que em Deus! Alguns – até parecem que foram feitos de um barro diferente -, tem se tornado verdadeiros “pop star”; programas de rádio, TV, outdoor e o mais novo filão do mercado fonográfico, televisivo e arquitetônico, o estilo Gospel ostentação! A idolatria, o luxo, a ganância que criticam tanto em uns, é personificada na pessoa de alguns líderes arrogantes e gananciosos. Se autodenominam “apóstolos, bispos” – entre outras inúmeras designações - e usam seus templos como espaço para propaganda política, curral eleitoral e promoção pessoal. Fazendo de religiões, seitas, igrejas, denominações, verdadeiros redutos e currais eleitorais, num celeiro de votos e grandes multinacionais da “Fé”!
            Defendem fervorosamente, a “Teologia da Prosperidade” e a grande transformação na vida financeira de seus fiéis ou seguidores, estabelecendo uma relação promíscua entre religião e ostentação. Com o eterno discurso proselitista, de amor, paz, fraternidade, tolerância, perdão, o que na prática, se traduz em algo muito distante do que se apregoam por aí em igrejas, mesquitas, sinagogas, basílicas, catedrais e outros redutos “sagrados” repletos de luxo, para falar de algo tão simplório, que em tese, não deveria ser pago. Falam de profetas e figuras “sagradas”, humildes e que viveram tão distantes da riqueza material, tão desejada por seus seguidores. Que fazem da fé e da desgraça alheia, um lucrativo e atrativo negócio! Criticam uns aos outros e ao mesmo tempo, agem da mesma forma.
               As religiões, fizeram de Deus e seus mandamentos ao longo da história, algo ironicamente, contraditório. Não gerou amor ou união, e sim, ódio, discórdias e guerras homéricas. Como disse Gandhi, “amo o cristianismo, mas odeio os cristãos, pois não vivem segundo os ensinamentos de Cristo”, salvo algumas raríssimas exceções, é claro. Bem como também, em outras religiões não cristãs!   
              As Cruzadas medievais nos séculos XII e XIII, entre cristãos e muçulmanos; a “Noite de São Bartolomeu” em 1572, na França, entre católicos e protestantes; o “Domingo Sangrento” em 1972, na Irlanda do Norte, entre católicos e protestantes; os Atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, entre muçulmanos e o mundo cristão-judaico; as Guerras Árabes-israelenses, entre judeus e muçulmanos; as ações pavorosas e abomináveis do Boko Haram na Nigéria, com o injustificável massacre de cristãos; o fundamentalismo do Estado Islâmico, com a carnificina de não-muçulmanos sunitas e as decapitações de cristãos coptas, são algumas das indigestas ideologias, que fomentam lamentáveis episódios históricos, sob a égide da religião, foi e é indevidamente usada como pano de fundo para a barbárie e a insanidade de alguns “religiosos”.  
         A intolerância, o radicalismo, o fundamentalismo religioso, que fomentam o famigerado discurso de “amor e fé”! Ao final, tudo se “justifica” por ser uma “Guerra Santa”. E dentro deste universo de fanáticos estúpidos, matar ou morrer em nome de “Deus”, está justificado e perdoado! Qual guerra pode ser santa? Nada é mais estúpido que matar em nome de Deus! Alguns judeus, muçulmanos, cristãos, hindus e tantos outros, pregam o amor e a paz, e praticam o terror. Explícito ou velado, físico ou mental. Atuam como promotores, juízes e executores. Gostaria só de fazer uma ressalva, Adolf Hitler, também afirmava que estava a serviço do Criador. Talvez isto, justifique a inércia e a conivência do excelentíssimo senhor Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, diante da tragédia vivida pelos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
         Outro paradoxo que é impossível não perceber – exceto os cegos pela ignorância e incapacitados mentalmente -, são os cada vez mais monumentais templos, que colocam seus verdadeiros fiéis, constrangidos diante de tanto luxo. Em nome de quê e de quem? Bancado e financiado por quem? Quanto do suor de cada fiel e trabalhador, são necessários, para construírem templos riquíssimos, Basílicas tão imponentes, Santuários suntuosos, para muitos que não tem nem onde morar? Outro dia, pela segunda vez, li nas escrituras que Cristo, por exemplo, nasceu numa manjedoura, era filho de um carpinteiro, era simples, humilde, não exigia nada de ninguém que desejasse segui-lo e condenou o comércio dentro do templo. Então, porque que alguns “cristãos” de hoje, precisam de templos tão suntuosos e se falam tanto em ofertas e doações? Nas minhas simplórias leituras, não percebi em Cristo, Maomé e tantos outros, enquanto líderes, o desejo desse estrelismo, tão amado, desejado pelos líderes religiosos de hoje! Fico imaginando, como seria uma “fotografia” gigante do rosto de Cristo na fachada de um templo! Em outras palavras, tem uns por aí, que preferem o marketing pessoal.
              Será a obra de “Deus” ou de homens pretensiosos, que se apropriam da fé e das necessidades reais, materiais de algumas pessoas, com certa frequência, fracas, cegas e que buscam a redenção por intermédio de contribuições financeiras, que viram patrimônios de terceiros, e seus doadores, uma vida real muita das vezes de miséria, sofrimento e ignorância. Se ninguém é obrigado a nada, vão por que querem, contribuem porque querem, por que os pedidos por contribuições para a “obra” é um discurso obrigatório e persuasivo? No rádio, na TV, nos cultos, nas missas, são quase unânimes na barganha. Você doa, paga e sua vida mudará, a prosperidade baterá a sua porta, e seu lugar no paraíso, estará garantido! “Tem muita gente cantando como os anjos e mentindo como o diabo”. Buscam não pelo amor, mas pela dor! Apregoam um marketing na prosperidade material e mantendo a cegueira espiritual.
            Tem mais igrejas por metro quadrado, que hospitais, escolas, museus, bibliotecas. Por que será? Religiosidade, fé, facilidades legais por parte dos órgãos fiscalizadores, lucros “filantrópicos”? Se isto fosse o bastante, a “Terra Santa” seria o paraíso! E o Brasil, não teria as mazelas e os canalhas que tem. E olha, sem trocadilho, há quem diga que “Deus é brasileiro”. Imagina se não fosse?
            Penso, que mais educação, cultura, arte, esporte, informação, razão, transparência, respeito, tolerância, fiscalização, menos hipocrisia e cinismo, indiscutivelmente, ajudariam um pouco mais a transformar a realidade deste país. Ações ainda é o único caminho para as realizações! Partindo do princípio básico, que do suor do teu rosto, comerás o teu pão.   
            A imoralidade, escândalos de pedofilia, o charlatanismo, lavagem de dinheiro, o comércio imoral e duvidoso da fé, venda de indulgências e simonia, e muito mais, capaz de envergonhar profundamente qualquer divindade. Parece até piada de muitíssimo mal gosto, o que alguns fazem em nome de suas crenças, crendices e dogmas! Criticam a união homoafetiva e ignoram a exploração financeira da fé alheia, por exemplo. Sem falar, os que se acham acima do bem e do mal, que tem como princípio, julgar e condenar os que não comungam de suas convicções religiosas. Apedrejam os céticos e querem absolver o padre “ex-funcionário fantasma” da Assembleia Legislativa, que usou o erário durante 20 anos – segundo denúncia do Ministério Público Estadual -, para realizar “obras assistenciais”. Nem Robin Hood faria igual. Isto que é amor ao próximo! Entre outros inúmeros casos escabrosos, como o do casal de bispos Estevam Hernandes e sua esposa Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, que foram presos em 2007 nos Estados Unidos, pela polícia federal (FBI), ao entrarem no país com US$ 56 mil em espécie escondidos dentro da bíblia que levavam. Declararam às autoridades alfandegárias, que levavam apenas US$ 10 mil. E José Dirceu, José Genuíno, Marcos Valério, Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Pedro Barusco, Marcelo Odebrecht, Fernando Collor? Injustiçados, perseguidos, constrangidos por acusações levianas, descabidas e caluniosas. A culpa deve ser do capiroto!
          Acredito que Deus, deve estar profundamente decepcionado com a sua criação. Provavelmente, nem ele jamais imaginou a capacidade criativa e perversa de algumas de suas criaturas, seguidores fiéis, alguns até mais graduados, bispos, apóstolos, seriam capazes de realizar em seu nome! Ou, de acordo com seus próprios interesses, políticos e econômicos. “Jesus escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. O nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo”, afirmou Eduardo Galeano.
          Portanto, penso que o que nos torna melhor, pessoas melhores, tolerantes, respeitosas, honestas, não é religião, mas sim, nosso caráter. Nossas atitudes e nossas ações! Não adianta ir à igreja, rezar e fazer tudo errado”. Falar, até papagaio fala! 



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

“VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?”

        O Brasil tem se tornado palco de espetáculos grotescos e constrangedores! Atores que já não conseguem mais, separar ficção da realidade. Nesse conto dos horrores, Ali Babá, já não tem mais só 40 ladrões! Trocadilhos a parte, a vergonha se camufla na hipocrisia e os “homens honrados”, que sempre estiveram à sombra do passado e do foro privilegiado, se dizem agora, vítimas da verdade! Ironicamente, Aletheia é como foi batizada a 24ª. fase da Operação  Lava Jato, do grego, “busca pela verdade”.
      Depois de várias manobras jurídicas dos competentíssimos advogados do ilustríssimo  Senhor ex-presidente Lula, evitando com isso, que ele pudesse prestar quaisquer esclarecimentos à Justiça, o Juiz Federal Sérgio Moro, determinou a condução coercitiva do ex-metalúrgico, como já havia determinado inúmeras vezes, contra outros envolvidos em outras fases da Operação Lava Jato.
             Não percebi o mesmo comportamento da militância desocupada tanto – pró ou contra Lula – nos outros casos! Qual será o motivo? Um presidente ou um ex-presidente, um indigente ou qualquer outro cidadão deste país, estará ou poderá se colocar acima da lei? Até agora, na minha santa ignorância, não consigo entender, o motivo de tanto “mimimi”!
             Ainda mais, em um país com tanta gente de conduta e moral duvidosa, quem tem feito de viatura, Uber! Os canalhas são audaciosos. O Brasil seria radicalmente outro, se os homens de bem, tivessem a mesma coragem e ousadia! Como já dizia o grande Rui Barbosa, “não se deixe enganar pelos cabelos brancos, os canalhas também envelhecem”.
            Semana passada, após 5 anos a frente do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), deixou o cargo sob forte pressão, por não intervir na PF, subordinada a sua pasta.  “Não aguento mais as pressões do PT para que eu controle a PF”, teria afirmado ele. Ou seja, qual o interesse que existiria em controlar as investigações da Polícia Federal? Seria a Delação Premiada do Senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o grande líder e articulador do Governo no Senado, agora, uma ameaça ou um inimigo?
             A manhã de sexta-feira do dia 4 de março, o mundo assistiu perplexo, ao show deprimente, de homens e mulheres, aos socos e pontapés, num verdadeiro festival de horrores e pancadaria; como bárbaros, feito um bando de néscios – defendendo ou acusando  – como se a verdade e a justiça se manifestassem naquele delírio de um cenário melancólico, de parvoíce triunfante, de ambos os lados!
       Enquanto isso, o país com os piores índices dos últimos anos!  Crise econômica, altas taxas de desemprego, caos na segurança pública, na saúde, educação...  e os - prós e contra Lula -, em plena sexta-feira de trabalho – a princípio – aos zurros e aos coices na defesa cega ou na acusação prévia! O problema maior, não está no circo, mas, nos palhaços que transformam a democracia – a qual lutamos tanto para conquistá-la -, numa demonstração clara de selvageria, intolerância, liderada pela pior categoria de gente que existe: desocupados, preguiçosos e bajuladores. E como esses vermes se proliferam no nosso país! Sob a proteção do Estado, fomentando seus votos na próxima eleição!
          Se a moda pega, daqui a pouco, porta de delegacias e presídios, se tornarão campo santo e palco de batalhas homéricas, uns na defesa de condenados e bandidos da pior espécie e outros, execrando entusiasmadamente, a corja que os sustentam. Cuidado para os equívocos. Nem ignorar culpados, nem execrar inocentes. Com um detalhe: dependendo de quem for, pode até ter defesa direta e em público do (a) Presidente da República, com visita de solidariedade e pago com dinheiro público!
           Talvez tudo isso, faça parte da “nova onda” da democracia brasileira, como temos assistido ultimamente, numa demonstração de maturidade, discutida na base da pancadaria pela dita “esquerda” e pela dita “direita”. Os prosélitos de “Bolsonaros”, experiências mal sucedidas de “Malafaias” pelo país, relinchando aos quatro cantos, com discursos homofóbicos, de intolerância e em defesa da truculência policial, como solução para a violência e o caos reinante, causando a alegria pública! As consequências poderão ser vistas nos versos da banda Tihuana, “Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você”, continue os aplausos!
         Enquanto isso, Eduardo Cunha, FHC, Aécio Neves, Renan Calheiros, “direita”, “esquerda”, com raríssimas exceções, ignoram o povo e suas mazelas, em defesa de suas legendas e seus comparsas, ou camaradas, ou companheiros! Safando-se – até agora - do que seus opositores, não conseguiram.
           Diante dos fatos e seus atores, a pergunta inevitável no Brasil é: Quem é à esquerda? Quem é à direita? Esquerda que ignora formação de quadrilha para assaltar os cofres do país? “Mensalão”, “Petrolão”, presentes de empreiteiras, cortesias...  Que direita? Que prioriza os interesses partidários e pessoais, blindando seus pares e pulhas que nem a Polícia Federal consegue pegá-los? Dois pesos e duas medidas? E o país da esquerda? E o Brasil da direita? E o povo brasileiro? E a crise? Não seria este o principal aspecto, a grande prioridade nacional, a mobilização de todos os partidos e militantes na busca de uma saída honrosa? Agora vão discutir os sexos dos anjos, se Lula é culpado ou inocente, como estratégia para desviar o foco dos verdadeiros problemas da Nação? Tenha paciência meus caros e um pouco sensatez!
           Esqueceram-se do grande amigo de Silas Malafaia, o senhor Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? E o Renan Calheiros (PMDB-AL)? Vejam a dupla que preside o Congresso Nacional, a sede do Poder Legislativo brasileiro! E o país para, para o “UFC”  da militância e conjecturar se Lula é ou não culpado, sabe-se lá de que! O próprio se diz desconhecer as acusações e os equivocados, se encarregam de advogarem pela causa do ex-sindicalista, defendendo ou acusando. Só quero ver, de onde virá o dinheiro para pagar os honorários, de tantos advogados literalmente, de porta de delegacia!
          A “pirotecnia” e as lágrimas que Lula se referiu a sua condução coercitiva pela PF, criticando um processo legal, democrático e republicano, colocando em xeque a credibilidade das instituições brasileiras, deixou claro aquela velha máxima: “você sabe com quem está falando?”  Penso que quem não deve, não teme. Afirmou ter sido exposto a um constrangimento, totalmente desnecessário. Senhor ex-presidente Lula, constrangimento é o que o povo brasileiro é obrigado conviver todos os dias! Constrangimento senhor ex-presidente, é coviver com os índices de desemprego e analfabetismo, na “Pátria Educadora”! Agora chegou a hora senhor ex-presidente, faça valer na prática, sua recente afirmação, no dia 20 de janeiro: “não tem uma viva alma mais honesta do que eu.” Como se ser honesto, fosse algo tão improvável! Ou talvez, a necessidade de dizer que é para parecer verdade.
             Talvez o Lula de 1988, não exista mais, ou nunca existiu. Como ele mesmo afirmou: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, vira ministro”. Não podemos nos esquecer também, de outra afirmação não muito distante, que “colocaria a mão no fogo” pelos seus grandes amigos,  companheiros e ex-ministros, José Dirceu e Antônio Palocci. Esqueceram? Eu não. Ou a “esquerda” brasileira mudou muito, ou nunca foi esquerda!
             Do outro lado, ou não – a diferença é que a PF ainda não começou a investigar também - uma direita cega tentando criticar a esquerda míope e desorientada. Vivendo de um passado de luta e glória, ignorando a rudeza do presente! Perseguição? Existe uma “Patrulha ideológica” contra o PT? Impeachment é golpe? Que “esquerda” desmemoriada é esta? O que esta “esquerda” mais fez antes de chegar ao poder? Quando chegaram, assim como a “direita”, vislumbraram pelo poder e não querem mais sair!
             Portanto, não concordo com a execração pública de nenhum cidadão, como também não concordo com a injustiça, com arbitrariedades e nem carteiradas! Não subestimo o trabalho de uma instituição como a PF brasileira, que colocou na cadeia,  bandidos da mais alta periculosidade com o dinheiro público, como José Dirceu, Nestor Cerveró, Marcelo Odebrecht, Alberto Youssef, Renato Duque e tantos outros que ainda virão.
            E se houve erros, abusos, constrangimentos e a violação de direitos constitucionais na condução coercitiva de alguém, que os culpados, sejam dentro do rigor da mesma lei, responsabilizados e punidos. Agora, usar a prerrogativa, do “você sabe com quem está falando” para desqualificar o trabalho da polícia, penso que não é por aí. Somos todos iguais perante a lei, senhor Lula. E se o fato de um cidadão, ser o que for, estiver acima da lei, ao ponto de desqualificar e ridicularizar as ações das instituições que investigam, estamos fadados, a um país de picaretas. E em berço esplêndido, os “Honoráveis Bandidos” ou no poder ou nos porões como ratos, corroendo o erário, desmoralizando as instituições republicanas e democráticas e a esperança do povo brasileiro.

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.