sexta-feira, 27 de maio de 2016

AMNÉSIA DE UM CRIME ESTATAL


“Ouro de Tolo”, cápsula letal
Amnésia de um crime estatal
 Engravatados mortíferos
A estupidez de um equídeo
A indiferença e o abandono
Responsabilidade “sem” dono
Santa Casa! Assombro
Políticas públicas, escombro
Catadores de materiais recicláveis
Indigentes, esqueléticos e miseráveis
Misericórdia, para os algozes
O silêncio da injustiça, calando vozes
A Justiça “cega” condenou as vítimas
E imortalizou canalhas e suas políticas
A honradez absolveu a infâmia e a indolência
Condecorou a covardia e a incompetência
O brilho cancerígeno azul fluorescente
Brinquedo de criança dizimou inocente
O coração do Brasil, Goiânia 1987
Cenário macabro, Césio 137
Vidas maculadas pela indiferença
De um governo imoral, ingerência
Infanticídio, Leide das Neves
Dores, feridas cálidas... Vida breve
A tragédia anunciada, caixão de chumbo
Os “sem nomes”, o descanso
Em “berço esplêndido”, casas de papelão
No leito mortal, covas rasas, blindadas
Salve, salve a “Cidade das Flores”
Funerais floridos e diversos odores
Assim entramos para a História Universal
Sob a batuta de cretinos e a justiça estatal!

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.


NAKBA

       Ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ainda inebriado diante do cenário catastrófico e um mundo estupefato diante da capacidade humana de destruição e barbárie. Sob o impacto e os escombros do conflito, líderes mundiais, preocupados com os novos horizontes, inúmeras vezes, nada otimistas ou promissores decidiram em 1947, através de uma resolução da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, pela criação de dois Estados na Palestina. Um judeu e outro árabe-palestino. 
       Numa espécie de “recompensa” ou mea-culpa, dos que foram omissos diante de alguns acontecimentos que marcaram o conflito. Sob a mácula covarde e injustificável do Holocausto imposto ao povo judeu – não menos que as bombas de Hiroxima e Nagasaki - diga-se de passagem, sob a égide da política nazista do antissemitismo, que resultou na morte de pelo menos, 6 milhões de judeus! Principalmente, nos chamados Campos de Extermínio ou Concentração, como Treblinka, Sobibor, Dachau, Auschwitz entre outros.
        No entanto, o que se seguiu não foi o determinado pelas Nações Unidas. Com o apoio total e irrestrito dos Estados Unidos, em 14 de maio de 1948, na cidade de Tel Aviv, na véspera do “Sabath”, quinto dia do Yvar do ano de 5708, sob a liderança de David Ben Gurion, nasceu oficialmente o Estado de Israel. Levando à expulsão de milhares de árabes palestinos que viviam na região. 
       Restaram-lhes, a humilhação e as migalhas. Apinharam-se na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Outros, refugiaram em países próximos, como Jordânia, Líbano e Síria. Uma verdadeira “Diáspora” palestina! 
     Dois pesos e duas medidas. Criaram o Estado judeu – conforme determinava a Resolução 181 da ONU - e o mesmo não aconteceu com o Estado palestino. Iniciava-se um novo capítulo na já conturbada história do Oriente Médio. A encruzilhada de povos. Colocando milhões de palestinos na clandestinidade, na condição de “ilegais”, “invasores” e “terroristas”.
       E assim, ironicamente, os judeus de outrora perseguidos e injustiçados, tornaram-se perseguidores implacáveis, sanguinários e algozes cruéis. Com o aval da ONU e USA, Israel foi “legitimando” suas ações militares e inúmeras vezes covardes, consolidando sua supremacia na região, confinando, encurralando os palestinos - transformando a Faixa de Gaza e a Cisjordânia - em verdadeiros guetos, os quais os judeus também foram vítimas durante a implacável perseguição nazista, na Segunda Grande Guerra.
       Com a ajuda financeira dos Estados Unidos e de judeus que vivem no exterior, mais uma população de elevado nível educacional, fazem de Israel uma das economias mais desenvolvidas do Oriente Médio. Detém uma tecnologia avançadíssima, uma agricultura moderna em terras áridas do país, indústria bélica de ponta, informática e um poderoso arsenal militar. Ou seja, Israel e os Estados Unidos, querem a “paz”, mas vivem em função da guerra.
      Atualmente, os palestinos constituem um dos maiores contingentes de refugiados no mundo, somando mais de cinco milhões de seres humanos. Na sua grande maioria absoluta, na miséria extrema. Sem moradia, saneamento básico, desempregados, analfabetos e reféns do poderio econômico e bélico do inimigo que vive à espreita. Só em Gaza, 80% da energia elétrica e do combustível consumidos, são fornecidos por Israel. Fazendo disso um trunfo para terem os palestinos sob total controle.
       O abismo social, econômico e militar entre israelenses e palestinos, acaba fomentando o ódio e o fundamentalismo islâmico, por parte de alguns. Ou seja, o terrorismo surge como uma das pouquíssimas “alternativas” para se enfrentar o belicísmo israelense. Um acordo político e diplomático para a questão já vem sendo articulado e costurado desde os anos 60 do século passado, quando em 1964 o egípcio Yasser Arafat, que faleceu em 2004, fundou a OLP – Organização para a Libertação da Palestina, tornando-se um dos maiores líderes da causa palestina da História. Seria o braço político palestino na luta pela criação de um Estado autônomo, independente e foi um dos fundadores do Fatah ou Al-Fatah – organização política e militar -, que hoje controla a Cisjordânia, sob a liderança de Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, desde 2005 com sede em Hamallah, capital.
         Como se não bastasse ignorar a Resolução 181, em 2002, Israel iniciou a construção de um muro – que eu chamaria aqui de “Muro da Vergonha” -, como aquele famoso da Guerra Fria, que dividiu a cidade Berlim em 1961.  O referido e vergonhoso muro, construído na Cisjordânia, tem por finalidade, segundo seus idealizadores, separar as populações judaicas e árabes, isolando-os. A justificativa inicial era impedir a entrada de terroristas em Israel – como se o terrorismo, fosse exclusividade de palestinos. Yigal Amir, terrorista judeu que assassinou o primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin, logo após assinar um acordo de paz com palestinos em 1995, que o diga. Na prática, o muro propicia a anexação, por parte de Israel, de áreas palestinas. Bem como, os assentamentos judaicos ilegais, em territórios palestinos, que em 2014, bateram o recorde. 
       Além disso, a barreira impede a circulação normal de pessoas pela região. Bairros e vilas ficaram isolados uns dos outros, bloqueados por enormes paredes de concreto com mais de 9 metros de altura. A Assembleia Geral da ONU condenou, em 2004 a construção do muro. No mesmo ano, a Corte Internacional de Justiça considerou a barreira ilegal. Ainda assim, Israel mantém sua construção. “Talvez” isso explica o fato de nunca um líder israelense, ou norte-americano, terem se sentados no banco dos réus em Haia! 
        Os carcarás imperialistas respaldam as ações “militares” de Israel, que continuam a fazer vítimas o que bem quer e entendem com os palestinos. Com total e irrestrito aval dos Estados Unidos, sob o olhar moribundo da ONU e estrábico da Comunidade Internacional. Todos igualmente inertes, covardes e incompetentes. Sob os velhos e injustificáveis argumentos de que as ações israelenses são legítimas e defensivas, enquanto às ações palestinas, são atos de terrorismo e de um povo invasor. E as ações de Israel em Genim e ao navio de bandeira turca que levava ajuda humanitária para Gaza? Ações militares? De defesa? Ou terrorismo de Estado? “Legitimado” pelo direito de defesa? De que ataque? De quem? Será que só Israel e os Estados Unidos possuem esse direito?
       No confronto direto entre Israel e palestinos na Faixa de Gaza (2009), israelenses fizeram uso de armas proibidas por Tratados e Convenções Internacionais, como bomba de Fragmentação e Fósforo Branco, por exemplo. Ataques a comboios de ajuda humanitária com remédios, água potável e alimentos, bem como às instalações da ONU em Gaza. E a pergunta que se faz é simples e direta: alguém foi responsabilizado ou punido por isso?  O saldo foi de 1300 palestinos mortos e 8 israelenses! E o confronto de (2014)? O desequilíbrio de forças continua assustador e covarde. Segundo fontes internacionais, morreram mais de 1867 palestinos, principalmente crianças e mulheres, e não, terroristas do Hamas, como alega o governo de Israel, que já teve 87 israelenses mortos nos conflitos. Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, classificou como catástrofe humana os ataques israelenses sobre civis palestinos. 
         Portanto, já se passaram 69 da Resolução unilateral da ONU, determinando a Partilha da Palestina, que resultou na criação apenas do Estado judeu de Israel. Acredito na necessidade de se reavaliar essa delicada questão palestina, sob uma ótica política, histórica, justa e humanitária, sem rótulos, balelas, falácias tendenciosas, proselitistas, religiosas e fundamentalistas. É preciso encarar a questão de frente e acabar de uma vez por todas, com essa insistente e arcaica visão unilateral. Acabar com o estigma de que palestinos são terroristas e algozes e israelenses, vítimas indefesas, ingênuas e que só atacam quando ameaçadas, portanto, legítimas. 
       A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) modificou no dia 29 de novembro de 2012, o status dos territórios palestinos, de “entidade observadora” para “Estado observador não membro” na organização, no que significa um reconhecimento implícito da existência do Estado Palestino no Oriente Médio. O pedido palestino foi aprovado por vasta maioria, de 138 votos a 9. Abstiveram-se da votação, ocorrida na sede das Nações Unidas em Nova York, 41 países.
      Apesar da mudança não alterar o funcionamento da organização, ela permite que a Palestina tenha acesso a agências da ONU, além de sua admissão no Tribunal Penal Internacional – que poderia ser acionado por autoridades do território contra Israel. A aprovação foi uma grande vitória diplomática, mas que expõe as autoridades palestinas a represálias econômicas por parte de Estados Unidos e Israel, que votaram contra. Será por quê?
       Não há outra solução para este conflito, a não ser a criação de um Estado Palestino autônomo e soberano é fato e vital. Estamos falando de seres humanos, tratados como desumanos. É uma causa e uma necessidade tão grandiosa quanto a Paz!   
        Portanto, nestes 68 anos do nascimento oficial do Estado de Israel, as comemorações pelo aniversário serão de apenas um lado. Do outro, Nakba “Dia da Catástrofe”!



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.



domingo, 1 de maio de 2016

OLIMPÍADAS: UM LEGADO DE ENDIVIDAMENTO E MISÉRIA

      Proporcionalmente a importância histórica e a grandiosidade do evento, as Olimpíadas do Rio 2016, deixará como legado, o endividamento ainda maior de um já falido Estado brasileiro, à custa do desemprego e da miséria. Tal qual, a Copa de 2014 – que em várias cidades-sedes até hoje as obras de mobilidade para o evento não ficaram prontas, em Belo Horizonte, uma das obras construídas para a mesma Copa, um viaduto, caiu, matando 2 anônimos cidadãos e ferindo 22 -, dois mega eventos e igualmente decepcionantes. Como sempre, pagamos o pato e a conta.
        Eventos a parte, delírio ou loucura, os Jogos Olímpicos, com seu espírito de culto aos deuses e confraternização entre os gregos, eram e são realizados de 4 anos em 4 anos, teve como berço a Grécia antiga, na cidade de Olympia, por volta do ano 800 a. C.
        Foram anos de preparação, a um custo exorbitante – suor, sangue e reeleição -, gerando expectativas e o resultado para nós brasileiros, marcado pelo fiasco e decepção. Foi o cenário da última Copa - não era o esperado, mais, previsível. Como já se descortina o legado das Olimpíadas 2016. Justificando a máxima de que no Brasil, duas coisas são muito bem organizadas: a desordem e o carnaval!
        O 1º. colocado no quadro de medalhas nos Jogos de Londres 2012, USA, ganharam 104 medalhas ao todo. Foram 46 de ouro, 29 de prata, 29 de bronze. Enquanto o país dos “castelos de areia”, que desmoronam ao doce balanço do mar, numa demonstração vergonhosa e categórica de irresponsabilidade de nossos gestores públicos, que governam como se estivessem no banheiro!
        Os honrados e históricos líderes do “país do futebol, cerveja e carnaval”, foram ao “inferno” pedir apoio e a benção a Paulo Maluf e se curvar diante da corja parlamentar, que hoje, querem “moralizar” o país. É farinha do mesmo saco, unidos pelos mesmos interesses. A única razão para as acirradas disputas entre a situação e oposição, é o poder. Como afirmou Abraham Lincoln, “se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe o poder”. É a certeza inconteste, de que no Brasil, a ameaça vem dos dois lados, tanto da extrema direita, quanto da extrema esquerda.
        Portanto, o que nos restou em Londres 2012, foi a miserável e vergonhosa 22a. colocação geral no quadro de medalhas – com todo respeito, admiração, pelos esforços, competência e méritos de nossos atletas -, destacadamente, nas modalidades individuais. O constrangedor vexame nacional a que me refiro, reside na falta de investimentos e compromisso governamental para com o esporte e os atletas de alto rendimento. Não sei se estou equivocado, mais tenho uma “vaga impressão”, que esporte no Brasil, se resume em futebol masculino e voleibol. Talvez isso explique o alto rendimento de nossa galática seleção, fashion, milionária e carnavalesca.
        Por outro lado, o coletor Solonei Rocha da Silva, de Penápolis-SP, vencedor da 18ª. Maratona de São Paulo, bem como, a maratona dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, conquistou medalha de ouro para o Brasil. O mesmo Brasil que não o valoriza, ou se quer, o reconhece pela façanha realizada em 2011. Ainda assim, em tais condições, esse nobre brasileiro, merece todas as honras e o reconhecimento de todos! Conseguiu a maior glória de todas: a vitória! É surreal, inadmissível, formar um maratonista, com um treinamento diário, correndo atrás de caminhão de coleta de lixo. É tão absurdo, que chega a ser cômico.                        
        Enquanto isso, os centros de treinamentos de nossos atletas olímpicos, vão se multiplicando na base do improviso e do improvável. Que escola olímpica é essa? Que “Pátria educadora é essa”? O que justifica conseguirmos ficar atrás do Kazaquistão, Ucrânia, Cuba, Irã, Jamaica, República Tcheca, Coreia do Norte, entre outros no quadro de medalhas?  Será que nem em ano eleitoral, mesmo sendo país-sede da Olimpíada, conseguem perceber que daqui alguns dias, seremos recordistas mundiais em vexames? Nossos percevejos parlamentares, já estão contribuindo para nossa fama internacional, não é de hoje! Sempre empenhados na glória maior, medalha de ouro, no pódio dos filhos do meretrício! Caminhamos a passos largos para a formação de uma nova geração de atletas de elite. Gigantes famintos, esqueléticos, raquíticos e anêmicos. 
        A Natação, por exemplo, os grandes centros aquáticos de treinamento e preparação, começam ainda muito cedo, em grandes enxurradas, nas constantes enchentes, deslizamentos e esgotos a céu aberto, Brasil a fora. Nadar contra a maré, contra a dor da indigência para sobreviver e salvar a “Pátria amada” que ignora seus filhos legítimos e acoberta os bastardos inglórios com a toga do foro privilegiado.
        Tiro será outra prova olímpica, que nossos atletas comuns – anônimos e trabalhadores - terão tudo para vencerem em 2016. Escolas com formação de alto padrão no crime organizado, violência e guerrilha urbana. Habilidades as quais, os brasileiros tem se qualificado cada vez mais nas periferias ignoradas pelo Estado. Serão duas em uma, tiro e atletismo. Para correrem a prova mais elitizada e rápida dos Jogos, os 100 metros rasos, Kalashnikov-47, será o concorrente a ser vencido! Jamaicanos que se cuidem! Usain Bolt se vier às Olimpíadas do Rio 2016, provavelmente baterá novo recorde da prova – caso queira chegar antes das “balas perdidas” – que só no estado do Rio de Janeiro, já mataram 17 pessoas este ano. E cuidado redobrado, porque quando o tiro não vem dos bandidos, vem da polícia.  
        O triátlon consiste em uma prova, com três modalidades diferentes. No nosso caso, novamente, inovaremos. Escapar das enchentes, desviar de balas perdidas e conseguir provar inocência antes que a polícia atire. Os vencedores dessa prova, após os Jogos, ministrarão cursos de sobrevivência, aos indivíduos invisíveis e que só aparecem nas páginas do obituário jornal policial, que fomentam com sua miséria e ignorância, o que os infames de “família”, desviam para a Suíça. 
        No salto em distância, outra especialidade e habilidade nacional, desde a mais tenra idade, começamos a nos preparar naturalmente, tamanhos são os buracos nas ruas que nossos impostos “nunca” conseguem aterrarem. Os buracos só não são maiores, que os rombos nos cofres públicos. Outra especialidade de algumas de nossas mais ilustres e religiosas autoridades.
        Corrida com obstáculos basta percorrer nossas rodovias e nossos desafios diários, contra os 9,5% de desempregados no país, os 48% no aumento dos casos de Dengue, as cusparadas na falta de argumentos e o delírio melancólico da extrema direita.
        E para encerrar a série de novas provas exclusivas das Olimpíadas do Rio 2016, arremesso de tampa de bueiro e ciclovia ao mar. Realmente, temos muito que nos orgulhar! Como já dizia o grande Ary Barroso: “Isto aqui, ô ô é um pouquinho de Brasil iá iá deste Brasil que canta e é feliz...”.
        A vil categoria de governantes deveria tratar o esporte – bem como tudo neste país - com mais respeito, responsabilidade e competência, como tratam, por exemplo, seus interesses pessoais, suas offshores, suas ações politiqueiras, eleitoreiras e suas paixões partidárias estúpidas e míopes.
        O erário público, não pode continuar sendo usado para financiar a corrupção, os “mensalões”,  os “petrolões” da vida e outras cotidianas vergonhas nacionais. Além das alianças espúrias, cartolas milionários e políticos estúpidos, desprezíveis, ratos engravatados, que saem de todos os buracos do poder e banqueteiam com o dinheiro alheio, em nome de suas respectivas e questionáveis honestidade! Como são risíveis, hipócritas e patéticos! “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, afirmou Luther King.
        Um país que forma seus atletas com indiferença, improviso e amadorismo, valorizando algumas modalidades por interesses financeiros, não se pode esperar mais do que conquistamos. Colhemos o aviltamento. Não é mesmo? Não é um país sério.
        Transformaram o PAC, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, em bandeira eleitoreira, a qualquer custo, de forma inconsequente e irresponsável! “Esqueceram-se” do dinheiro para a educação, saúde, segurança e só não faltou, para financiar a reeleição.
        Não se fala em país desenvolvido, sem investimentos em setores vitais, nobres senhores públicos. Todos os países que lideraram o quadro de medalhas em Londres 2012 é a prova cabal disso. Desenvolvimento econômico deverá vir acompanhado de desenvolvimento humano, justiça social, políticas públicas voltadas para as minorias, menos assistencialismo, coronelismo e o ranço do paternalismo. Chega de Bolsa A, B, C, Renda isso, aquilo, de “Programinhas” sociais de 10ª. categoria; populistas, eleitoreiros, perpetuando a miséria, com migalhas que não alimentam e não libertam. A tão antiga e atual política do “pão e circo” que nos assombram mais uma vez! Portanto, “nós não devemos julgar o assistencialismo por quantas pessoas estão nele, mas por quantas pessoas estão saindo dele”, afirmou o ex-presidente estadunidense Ronald Reagan.
        É preciso mais ações concretas e menos esmolas que não emancipam ninguém. São as eternas medidas paliativas e as inúmeras “ideias de jerico”, que perpetuam as mazelas e as desgraças deste país.  Penso que não nos engrandece em absolutamente nada, sediarmos uma Copa, uma Olimpíada, sermos Penta campeões mundiais de futebol e ostentar quase 15 milhões de analfabetos. Com velórios de 4 dias aguardando vaga em cemitério público - como ocorreu recentemente em Belém; cidadãos honestos e trabalhadores, morrendo nos corredores de hospitais por falta de leitos em UTIs; Zica, Chikungunya, Microcefalia, Síndrome de Guillain-Barré; moradia para quem trabalha e muito mais. Estranhem o que não for estranho. “Tomem por inexplicável o habitual. Sintam-se perplexos ante o cotidiano. Tratem de achar um remédio para o abuso. Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra”, Bertolt Brecht.
        É incompreensível, inadmissível mortes por inanição diante dos banquetes regados com dinheiro público, pizza, panetones e marmelada, alimentando a sanha dos lobos em pele de cordeiro, no chamado “Celeiro do Mundo”! O sucateamento das universidades públicas e o governo, incrivelmente, construindo estádios de futebol, criando elefantes brancos em cativeiro, obras faraônicas que não terão absolutamente nenhum retorno social, que possam mudar ou melhorar de alguma forma, a vida de pelo menos, da população das cidades-sedes da Copa e dos Jogos. O Governo do Rio de Janeiro está pagando os salários dos funcionários públicos ativos, em parcelas e os inativos, nem recebendo estão. Os militares aposentados estão almoçando e jantando nos quartéis, por não terem o que comer em casa. Esse é o país da Copa e das Olimpíadas! É a vida de gado de um povo feliz, viva!
        Será que nem a experiência desastrosa da Grécia com as Olimpíadas de 2004 e a Copa do Mundo na África do Sul em 2010, foi suficiente para os “competentes” administradores públicos aprenderem a lição? Exemplos categóricos do endividamento do Estado, arrocho e miséria para o povo.
        Promover eventos dessa envergadura, usando dinheiro do povo, sem levar em consideração uma verdadeira mudança para todos e não só em benefício de alguns empreiteiros, empresários, cartolas e políticos inescrupulosos, considero uma prova cabal da irresponsabilidade e do desrespeito governamental. Empurrar a sujeira para debaixo do tapete e armar circo para gringo ver, esbanjar e rir da miséria de milhões de palhaços que pagam impostos e que terão marquises de alto padrão de estádios suntuosos, como suas mais novas moradias, são inaceitáveis.
        Será que não percebem isso ou o que está por trás de tudo, são interesses privados, acima dos interesses públicos? Interesses escusos, conchavos, favorecimentos, grandes empreiteiras de braços dados com governos – municipais, estaduais e federal. Ou seja, alguém anda lucrando com aquilo que falta para milhões brasileiros. Os Estados Unidos gerou Al-Capone; a Itália Tommaso Buscetta; Colômbia Pablo Escobar; Maranhão José Sarney; Alagoas Collor de Mello; Rio de Janeiro Eduardo Cunha; São Paulo Marcola; Goiás, em alta no cenário nacional – como sempre -, tem a Chapada dos Veadeiros e muitas “Cachoeiras” encharcando muita gente graúda e regando escândalos e propinas! Produzindo bolsos férteis e fartos de alguns, outros de farda, entre outros moralistas de toga! A “Cachoeira” poluída, que deságua no “Meia-Ponte”, corre serenemente em meio a palácios, com “afluentes” em todo Brasil e repousa tranquila em berço esplêndido. Ou seja, com raríssimas, raríssimas, quase imperceptíveis exceções, “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”, sábias palavras de Eça de Queirós.



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.