segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A VIDA É UM GRANDE DELÍRIO


Parece que não nascemos para viver, nascemos para morrer.
Já nascemos chorando e partimos deixando outros tantos aos prantos.
Nascemos do amor e da dor, morremos deixando amores e as dores!
Morremos aos poucos, cada dia mais próximos do inevitável.
Vivemos acumulando todos os amores e todas as dores ao longo da
caminhada.
E quanto mais se vive, mais testemunhamos os sofrimentos e os tormentos da existência.
Do grande despertar ao eterno descansar.
Em águas claras e plácidas ou enfrentando a procela em seu furor?
A tênue linha entre viver e morrer reside nos recônditos de cada um...
Os segredos sepulcrais e as dores que insistem em não nos abandonar.
E não há força terrena ou não, que consiga aliviar o fardo de tamanha dor.
Um clamor que ecoa, como gritos do silêncio.
Frente ao Niilismo que inquieta a alma!
A humanização do homem se confronta com a materialização da existência.
Da insignificância do outro, diante de nós mesmos.
A indigência e a mendicância de seres e sentimentos invisíveis, indizíveis.
Uma vida vivida pela sobrevivência material e a insignificância do espiritual.
Diante do luto, o silêncio dos que já partiram, voltamos nosso olhar para
onde nunca deveríamos ter desviado.
Somos apenas o que somos. NADA.
E diante da fragilidade da vida, nos deparamos com o que nos trouxe até aqui, a morte.
O sono dos que amaram, lutaram... E em alguns casos, se entregaram, desistiram!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

TATUAGEM

             Outro dia, distraidamente pela Avenida Rio Verde, próximo ao Buriti Shopping,  numa típica tarde de verão, ensolarada e abafada, tão quente, mais tão quente, que até a água dos cocos ferviam no pé.

              Bermuda, camiseta cavada, boné, “de boa”, com minhas eternas acnes e  tatuagens bem visíveis, tranquilamente...

              Do nada, feito uma guerreira ninja, uma senhorinha daquelas que no popular chamamos de “papa hóstia”, que passam mais tempo na igreja rezando, que praticando o que insistem em não aprenderem, surpreendeu-me.

              Depois de ver minhas tatuagens, com uma voz fina e estridente, bobs e lenço na cabeça, dirigiu-se a mim de forma incisiva e naquele habitual tom proselitista e condenativo, quase agredindo-me em “nome de Deus”, pelos desenhos na minha pele!

              Sei que é meio deselegante, mais sem dúvida alguma, a cara dela chamava mais atenção que minhas tatuagens! Por um instante, fiquei em dúvida se ela falava realmente como “representante” de Deus ou do Diabo – sem querer ofender o Diabo, claro!

             Disse-me num ar quase profético e apocalíptico, em rústico português:

              - Meu fii, tatuagem é coisa do demônio! Ocê pricisa se arrepender se quiser ir comigo pro  céu.

             Como se a verdade que ela pregava fosse a única e a verdadeira!

               Meio atônito com a inusitada situação, numa fração de segundo, refleti sobre o duvidoso comportamento de alguns “porta-vozes” de Deus! Que em seus redutos religiosos, possuem mais gente se redimindo de seus eternos pecados, mendigando perdão e suplicando por uma espécie de “salvo-conduto” para seus próximos deslizes, que agradecendo.

              Cegos guiando cegos,  ignorantes na fé e adeptos de uma teologia de ostentação, sedentos muito mais pelo patrimônio, que pela redenção! Anseiam muito mais pelo reino terreno, seus templos luxuosos e crescimento material, que espiritual. Buscam praticar, o bem, por temerem o castigo celestial e pela recompensa no paraíso. Não por altruísmo, amor ao próximo ou caridade!

               Pregam uma mensagem que não praticam; um amor que não amam; um perdão que não perdoam; uma justiça que só condena e vinga; alicerçada na intolerância, no preconceito, em seus dogmas e na hipocrisia com nome de verdade.

              Depois de ouvir “sábias palavras”, resignei-me no silêncio do meu “pecado”. E silenciosamente, pedi ao Deus daquela senhoria, que a perdoasse por ela ainda não ter aprendido o princípio número um: o maior inimigo dos hipócritas é o espelho!

            Portanto, numa demonstração clara de rudeza e cegueira absoluta, alguns equivocados que se autoproclamam  “filhos de Deus”, ainda não se deram conta, que o que nos tornam melhores ou piores, não é religião, nem muito menos, ter ou não tatuagens, e sim, o caráter e as ações de cada um. Falar, “até papagaio fala”. Como afirmou Voltaire, “a religião mal entendida é uma febre que pode terminar em delírio”.

             Penso que o inferno deve estar congestionado de fiéis como esta senhorinha! E que seu Deus deve ter vergonha de algumas criaturas tão medíocres e ignorantes, que insistem em falar em seu nome!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A CORRUPÇÃO E SEUS TENTÁCULOS

            Falar das virtudes seja de quem for, verdadeiras ou não, sempre é mais fácil. Dizer o que todo mundo quer ouvir é fácil e doce, ventila poesia, ainda que não seja genuíno! O problema maior é que quando os canalhas morrem se redimem e viram lendas, não bandidos! “O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas”, afirmou Nelson Rodrigues.

            A corrupção no seu mais amplo e profundo sentido manifesta-se como endemia nacional!  Percebo a necessidade de uma reflexão maior e mais séria sobre esta questão. A desonestidade pessoal e a imoralidade política, que permeia todos os setores da sociedade. Que no Brasil, parece cultural! Sem pieguice ou aquele típico hipócrita “politicamente correto”, como diz Pondé.

             Discutir e refletir sobre este mal que permeia as relações e instituições, requer acima de tudo coragem e atitude, principalmente diante da nossa frágil democracia. De liberdades vigiadas e repressões silenciosas, que colocam a liberdade de expressão em xeque. Principalmente diante desta falsa e hipócrita moral religiosa, que ser desonesto para muita gente é cultural. “A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa”, disse o grande Jô Soares.

             Chegamos num nível de mentalidade tão inaceitável, que para muitos, a corrupção, a trapaça tem se tornado algo “aceitável” e “normal”! Indiscutivelmente, uma vergonhosa inversão de valores, numa espécie de cultura nacional.

             Quantas pessoas afirmam de forma explícita e categórica que “todo político é ladrão”? E desde quando ser ladrão é normal e aceitável? Às vezes tenho a sensação, que há até certo “conformismo” ou “aceitação” popular na afirmação. Será mesmo? O que será pior e mais vergonhoso, a corrupção ou a impunidade? E aquela máxima popular de “quem não é corrupto, quando for eleito, tornar-se-á”! Precisamos rever alguns conceitos. Não podemos perpetuar a ideia do errado, ser o certo! Ser “esperto”, “malandro” é muito diferente de ser honesto. E ser corrupto é o mesmo que ser canalha.

              Entendo que em todos os segmentos da sociedade, possuem pessoas honestas e de conduta íntegra e aquelas desprovidas de qualquer brio ou caráter. Pessoas competentes e confiáveis, bem intencionadas, comprometidas e idealistas, como também, as incompetentes, de moral e conduta duvidosa, sórdido. Seja político, militar, professor, escritor, pastor, padre, bispo católico, bispo evangélico, ateu, à toa, empreiteiro, empresário, banqueiro, funcionário da Petrobrás, famoso ou anônimo, a corrupção é desvio de caráter, crime covarde, que não tem “cara” ou cura; já o resultado, nota-se em cada analfabeto deste país; na qualidade da educação; na insegurança da segurança pública ou na constrangedora  saúde popular.

               A ideia deste artigo, fruto da indignação – que é o que me move - e dos absurdos quase inacreditáveis deste país, precisa ser visto e entendido, como muito além da crítica, da provocação ou de uma espécie de “caça às bruxas”, como alguns “ofendidinhos” se sentirão. Até porque, já dizia Rui Barbosa, “não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.” E como eles são longevos!

               Na verdade, um convite a uma reflexão filosófica, moral e política um pouco mais aprofundada. Um despertar para algo que nos parece, infelizmente, familiar e “natural”. Quem sabe, um despertar deste estado de letargia, de cidadãos mais conscientes e críticos, mais intolerantes à desonestidade, que precisam ter clareza e a certeza, que corrupção não é exclusividade de classe política ou qualquer outra categoria profissional. Inerente à condição de indivíduos involuídos e velhacos!

                A corrupção se manifesta nas mais singelas e “ingênuas” atitudes do nosso dia-a-dia. Como “oferecer” um trocado ao policial como compensação por uma “gentileza”,  por um “quebra-galho”.  Aquele que suborna é tão corrupto e infame, quanto o que aceita o suborno! O estúpido que vive dando carteirada por ser autoridade – e ainda se apresenta com a clássica e ordinária pergunta: “você sabe com quem está falando”? Isso quando o infeliz, não é um amigo do amigo da autoridade, nas raízes malditas e vergonhosas do tão antigo e tão atual coronelismo!

                  Pode até parecer cultural e legal, mas é imoral. Aquela “insignificante” e ingênua cola na escola – que o delituoso de forma patética ainda ironicamente, típico dos apodrecidos -,  diz: “quem não cola, não sai da escola!” – não é lindo? Para muita gente, isto é normal! É aí que está o problema. O que fura a fila da cantina, do banco, do estádio, do cinema; que transgride as leis e alguns princípios básicos da boa convivência. Que direta ou indiretamente sempre prejudica alguém; o “jeitinho brasileiro”, como os recibos forjados por grandes “profissionais imaculados” para enganar o Imposto de Renda na hora da Declaração. Ou seja, estão todos no mesmo time de detestáveis, que arrebentam com a Nação, comprometem o presente e ameaçam o já incerto futuro.

              Barão de Montesquieu afirmou, que “a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.” Portanto, de nada adianta ir para as ruas com cartazes e palavras de ordem criticando a corrupção, os “mensaleiros”, o “petrolão”, por exemplo, se na primeira oportunidade, o indivíduo tropeça e ignora princípios, valores elementares e básicos, mesmo sabendo da ilegalidade do seu ato. Ou seja, de nada valerá as ferrenhas críticas à corrupção dos outros, se no “nosso” dia a dia, sempre “estamos” tentando ludibriar ou passar alguém para trás. Ainda que seja, enganar-se a si mesmo!

               Desta forma, vejo a necessidade de repensarmos algumas atitudes e reavaliarmos princípios éticos básicos. O Brasil é um país gigantesco por natureza, um povo trabalhador por excelência, sofredor e vítima da famigerada prevaricação e a incompetência de quem governa. Otimista e esperançoso por uma grande transformação, que fará da cegueira da parvoíce triunfante,  o caminho alicerçado na esperança e em legítimos cidadãos. Usufruindo daquilo que nos aguarda num horizonte ainda incerto, que é o verdadeiro exercício do respeito ao próximo, ao erário público, na construção da verdadeira cidadania. Que ainda tem sido um direito distante, restrito e negado a muitos humildes e anônimos brasileiros, que constroem o patrimônio dos “honoráveis bandidos”, convictos da impunidade das leis e da miopia dos “deuses terrenos” desta república de bananas.

               Portanto caros leitores acredito que a educação, a arte, o debate de ideias, a leitura, a reflexão, seria o caminho mais próximo, para repensarmos nossos valores e princípios, morais, éticos e filosóficos. Na incansável luta pela transformação e a construção de uma sociedade mais fraterna e honesta. Nos reconhecendo dentro do processo histórico, no qual, estamos todos inseridos e convictos de que somos nós, os únicos responsáveis por nosso destino e por um mundo melhor, ou não.


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

BOOMERANG HISTÓRICO

             O Imperialismo dos séculos XIX, XX traçou um desastroso destino para asiáticos e africanos, assim como o Colonialismo, dos latino-americanos. Com uma ação irresponsável e sádica, sob a égide da diplomacia do canhão, as nações europeias, colocaram seus interesses, acima tudo.  Fomentando a “política de expansão e o domínio territorial, cultural ou econômico de uma nação sobre outras, ou sobre uma ou várias regiões geográficas”.  

              A Conferência de Berlim realizada entre 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885, teve como objetivo organizar, por meio de regras, a ocupação da África pelas potências coloniais, resultando numa divisão territorial que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos, partilhando, esquartejando feito um amargo e indigesto bolo, criando fronteiras artificiais, deixando grupos étnicos rivais do mesmo lado e abrindo caminho para conflitos sem precedentes. Como o massacre de Ruanda em 1994, quando extremistas hutus – maioria - vs tutsis – minoria - deixaram um rastro de sangue e selvageria, de 800 mil mortos, após um atentado que matou o presidente Juvénal Habyarimana – hutu.

        Em nome do progresso e do famigerado capitalismo, da Segunda Revolução Industrial, saquearam, pilharam, humilharam e abriram feridas que jamais cicatrizariam, tanto na África - Líbia, Marrocos, Egito, Somália, Ruanda, Nigéria, África do sul - como na Ásia – Índia, Bangladesh, Laos, Camboja, Vietnã. O legado do Neocolonialismo, foi perverso, violento e miserável.

             Se nos séculos XVI, XVII, XVIII o discurso europeu foi o religioso, a catequese – a bíblia na mão e a espada na outra - como instrumento e mecanismo de submissão, alienação e exploração dos ameríndios; vítimas do genocídio físico e cultural, legitimado pela Santa e Madre Igreja Católica Apostólica Romana; agora, o discurso é outro, do protestantismo europeu ao da superioridade racial e sua “Missão Civilizadora”, abrindo caminho para o chamado darwinismo social. Como afirmou Jacques Bossuet, “a História é o grande espelho da vida; instrui com a experiência e corrige com o exemplo”.

        Portanto, a ação imperialista foi devastadora e insana. Miséria, fome, guerras civis intermináveis, descontrole da AIDS, epidemia de Ebola e tantas outras mazelas, que revelaram ao mundo dos séculos XIX, XX e XXI, a imagem assustadora de um continente “atrasado”, “pobre” e selvagem! Passando pelo exótico e o primitivo. Como justificativas para a exploração e a sentença de morte de grupos étnicos milenares. Além do massacre cultural e a marginalização das religiões afro. Ao longo deste processo histórico, europeus – principalmente – subestimaram os problemas africanos e asiáticos, ignoraram seu povo e fomentaram o caos, resultando numa tragédia humanitária, sem precedentes!

         Os séculos XX e XXI, os europeus tem assistido perplexos, uma verdadeira invasão dos outrora, invadidos! A travessia suicida de fugitivos do norte da África e Ásia, em uma fuga alucinada de guerras intermináveis, perseguições religiosas e políticas, violência em grande parte gerada por grupos fundamentalistas islâmicos, como o Al-Shabaab na Somália, o Boko Haram na Nigéria, o EI no Iraque e na Síria – neste caso, com um agravante, uma guerra civil que já dura 4 anos, com 2 milhões de refugiados e 250 mil mortos -, além dos intermináveis regimes ditatoriais e conflitos étnicos.

            O boomerang histórico pintado pelo Imperialismo, ganhou vida e agora assombra a Europa. O tão antigo e tão atual ditado popular: “quem planta vento, colhe tempestade.”

        A esmagadora maioria são de africanos e asiáticos, que atravessam ou tentam atravessar o Mediterrâneo, tentando chegar na Europa, em condições deploráveis, que nos remete aos “Navios tumbeiros” que marcaram a vergonhosa escravidão negra nos séculos XVII, XVIII, XIX, na América. Navios abarrotados de escravos, “negros como a noite”, como já dizia Castro Alves, que atravessaram o Atlântico, para saciar a sanha de um lucrativo comércio estúpido e vergonhoso.

      Outro drama enfrentado pelos imigrantes ilegais que tentam cruzar o Mediterrâneo, são as rústicas embarcações, super lotação, resultando num trágico saldo de mais de 3.000 mortos na arriscada travessia. Muitos são encontrados mortos nos porões das embarcações, causada provavelmente por asfixia da fumaça do combustível. Os traficantes, costumam colocar nos porões, aqueles que pagam menos pela viagem, quase sempre, mulheres e crianças.

          A rota mais comum, partem do norte da África, geralmente da Líbia, até o ponto mais próximo, já em território europeu. A porta de entrada é a Itália, Ilha de Lampedusa, com cerca de 5.000 habitantes. Após entrarem em território europeu, o destino final, da grande maioria, seria o norte da Europa, Reino Unido. A guarda costeira italiana, vasculha o Mediterrâneo dia e noite, tentando salvar os fugitivos de possíveis naufrágios – comuns na travessia -, resgatando-os e em muitos casos, mandando-os de volta.

           Os que conseguem chegar até a França, numa outra travessia suicida, partindo de Callais, norte da França, tentam por terra, atravessar o Eurotúnel – túnel ferroviário de 50, 5 km de extensão -, que sob o Canal da Mancha, liga a França a Inglaterra. Escondidos em caminhões de cargas ou desvencilhando do Eurostar, trem de alta velocidade – que viaja a uma velocidade de 170 km/h, podendo chegar em alguns trechos a 300 km/h -, ligando Paris a Londres.

          Para se ter uma ideia do que está acontecendo, só até o mês de julho, estimativas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, já chegaram a Europa, 224.000 refugiados e imigrantes. 98.000 à Itália e 124.000 à Grécia.  Utilizando botes infláveis, os refugiados entram no país, desencadeando uma grande crise humanitária. Acampamentos em péssimas condições, sem água tratada, comida, enfrentamento com forças de segurança, como por exemplo, na fronteira da Grécia, com a Macedônia.

           Portanto, caros leitores, compreender este processo histórico, se faz necessário ter clareza do quanto o mundo europeu, tem ignorado – desde o séc. XIX -, as grandes tragédias humanitárias na África e na Ásia. Quando grande parte delas, foram de uma forma ou de outra, semeada, cultivada e agora, a colheita. O Imperialismo, os ignoraram e os esqueceram. Agora, a História reaviva a memória das grandes potências, que forçosamente, abriram os olhos para problemas e pessoas, até agora “invisíveis”.

             O fantasma que assombra a Europa, cansou de assustar mortos e zumbis na África e na Ásia! “Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre”, Eduardo Galeano.



         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

AS LIÇÕES DE FRANCISCO


           Independentemente de religião ou convicções religiosas, estamos vivendo um momento indiscutivelmente, histórico e nervoso. Manifestações que abalaram as estruturas do poder e demonstraram o nível de insatisfação dos brasileiros, com governantes incompetentes e corruptos, bem como, o marasmo das instituições deste país.

              No panorama internacional, a novela Edward Snowden e a espionagem norte-americana; a crise no Egito; na Turquia; renúncia papal depois de 598 anos, quando o então Papa Gregório XII em 14l5, abdicou o pontificado; conclave em março de 2013 na Capela Sistina; a escolha histórica de um papa americano, argentino e jesuíta (Companhia de Jesus); o escândalo de corrupção do VATILIX que tem sacudido a Cúria Romana, com desvios de milhões de dólares do banco do Vaticano realizado por religiosos dirigentes da instituição; JMJ na cidade do Rio de Janeiro; o ostracismo de um papa impotente diante dos novos desafios da Igreja no século XXI, agora emérito, recluso e silencioso, Bento XVI.

          O argentino de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio foi eleito o 266º (ducentésimo sexagésimo sexto) representante máximo da Igreja Católica Apostólica Romana, adotando o nome de Francisco, uma alusão a São Francisco de Assis, frade italiano do século XII que teve uma vida dedicada aos pobres. O novo sumo pontífice, foi o terceiro representante máximo da Cúria a visitar o Brasil – o primeiro foi Karol Wojtyla, Papa João Paulo II (1980, 1991, 1997), o segundo, Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI (2007) - maior país católico do mundo.

          A Jornada Mundial da Juventude, realizada em julho último na cidade do Rio de Janeiro, reuniu mais de dois milhões de jovens de todo mundo, segundo os organizadores do evento. Foi um grande acontecimento religioso, marcado pela fé, emoção e alegria de receber a ilustre visita do chefe de Estado do Vaticano, menor país do mundo. A visita foi pastoral, o que não deixou também de ser política.

          Demonstrando uma vitalidade admirável aos 76 anos, um sorriso contagiante, um discurso pacificador e conciliador, ar de serenidade e sempre com um tom de voz quase inaudível, suave e palavras cativantes, o Papa Francisco, trouxe uma mensagem de esperança para muitos jovens desesperançados e descrentes com as perspectivas do nosso país, certo alento. Disse: “Um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre negativa. A utopia é respirar e olhar adiante."

            Com palavras simples e contundentes, um discurso crítico em relação ao luxo, a ostentação de religiosos e sempre incisivo na necessidade da Igreja de se aproximar de seus fiéis. Do discurso a prática, não ficou só na teoria. As lições que deixou aos jovens da JMJ e a todos em geral que acompanharam sua estada no Brasil foram, pelo menos para mim, dignas e ventiladas de sinceridades.

            Quebrou protocolos de segurança, ao recusar usar um papamóvel blindado para ver e estar em meio ao povo – o que nenhum político brasileiro ousaria, não é mesmo? O “Papa Pop” que optou pela simplicidade e pelo exemplo daquilo que prega. Demonstrou coragem e desapego ao deslocar pela cidade do Rio de Janeiro em um carro popular, de vidros abertos e cumprimentando as pessoas sem nenhum receio e com muita simpatia; com seu tom de voz sempre solene e sereno, também deixou claro, que não precisam esgoelar para ser ouvido e entendido – igual muitos por aí - para falar de Deus ou de qualquer outro assunto. “As mais belas palavras de amor, são ditas no silêncio de tímidos olhares”, dizia Leonardo da Vinci.

           Ficou a lição de Francisco e a minha sugestão para alguns religiosos brasileiros que pensam que todo mundo é surdo e que gritando, babando, vociferando, discursos intimidadores e fundamentalistas, comportamentos duvidosos, hipócritas e preconceituosos, acreditando que só assim é que serão ouvidos ou respeitados. Para se fazer ouvir e ter credibilidade naquilo que é dito, não é preciso gritar e sim, argumentos, humildade e exemplo convincente. “Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo!", Papa Francisco.

        A aproximação da Igreja com as causas políticas, econômicas e sociais, tem caminhado na direção da Teologia da Libertação. A preocupação do novo pontífice com estas questões, buscando renovar a Igreja e prepará-la para os novos desafios e os novos tempos. Sensível e declaradamente insatisfeito com o abismo social no mundo, vê a necessidade de algo mais para os fíéis, do que tão somente fé, resignação e “blá, blá-blá”. É preciso despertar nos jovens uma visão crítica e transformadora da sociedade. Essa preocupação com o panorama do século XXI ficou claro quando o Papa disse: “Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo". Mais uma lição!

           Enquanto outros estampam fotos gigantes em fachada de templos, numa demonstração de total “simplicidade e humildade”! Um explícito culto à personalidade, promoção pessoal e projeção política aos moldes de regimes políticos de extrema, despóticos e sanguinários. Usando a “palavra de Deus” em detrimento de interesses pessoais e por vezes exclusos. Muitos lobos em pele de cordeiros fazem uso de seus púlpitos transformando-os em palanques, Igrejas em currais eleitorais e aos berros “cantam como os anjos e mentem como o diabo”, salvo, raríssimas exceções, obviamente. 

           Diante das análises e reflexões dos discursos religiosos e suas respectivas práticas no mundo atual, devemos nos lembrar de Mahatma Gandhi, “não tenho mensagem, minha mensagem é minha vida.” A importância de nos pautar, religiosos ou não, pelas ações e não pelas intenções. E é exatamente aí, que acredito que o Papa Francisco, deixou mais uma lição: “O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir". Amém!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

NECESSIDADE OU COVARDIA

Como chuva fina no crepúsculo, molhando por insistência o chão sedento, cai em migalhas divididas ao meio, jogadas aos asnos como sobra dos ratos. Com requintes de compaixão quase “divina” e a piedade dispensada aos indigentes, o que a Casa Grande não comeu, a senzala se esbalda, num espetáculo degradante de esfomeados diplomados em grandes universidades, pós-graduados em miséria, na arte da renúncia ideológica, de joelhos diante do algoz e constrangidos pela necessidade.

É o que restou por merecimento e pelo valor dado a cada intelectual, poderosos e ameaçadores, ousados e subversivos pelas armas que empunham, o pensamento e a oratória! Embezerrados, como se estivessem no brete a caminho do matadouro, que os tornam menos que humanos, recursos humanos, coisas que o dinheiro paga quase nada!

A morte lenta faz do martírio, resistência. Mata-se a ideologia; o que restou da dignidade; do sangue; do suor e a luz do fim do túnel, que foi cortada por falta de pagamento. Ignorados pelo sistema que fomenta insistentemente a ignorância.

O relho é o reconhecimento do trabalho de cada um, o rubro suor, tem cheiro de sangue, que nas mãos do carrasco, como um grande alquimista, vira ouro, fortuna e lapida a honra e a moral impoluta de nobres cavalheiros.

Os colaboradores, são responsabilizados pelo fracasso que a incompetência gerou, socializam as desgraças e os “prejuízos”, parindo novos desgraçados! A mesa farta, os lucros e o sucesso, são privatizados, coroando a apropriação das aves de rapina. A glória dos grandes empreendedores e a pior espécie de seres da terra, os bajuladores, os jagunços e capitães do mato do século XXI. Que não é de hoje, que constroem seus nomes e patrimônios, nos ombros e no trabalho dos indispensáveis esqueléticos e famintos.

Um brinde ao farto banquete do proletariado, regado pelas migalhas do pão dos renegados, divididos ao meio, para que a senzala multiétnica se farta abundantemente, esbaldando com a caridade de quem os detestam!

No silêncio monástico da resignação, que a dignidade, resista além da covardia! Os parasitas se deleitem, com os esfomeados, que diariamente faz a diversão da diretoria, ruminando sua indignação, com um espetáculo patético de abnegação. Mãos incessantes e ávidas, gritos por justiça social, moral e humana. O desdém do opressor, numa demonstração odiosa e explícita de indiferença aos  invisíveis, que não são, embora sejam.

O podão que não corta cana, mas, poda sonhos, vidas! O doce da cana verte na terra, com um sabor amargo do chicote que macula a alma e fomenta a dor de uma elite intelectual, que continuam a mendigar um trabalho transformador, um salário respeitador e bem mais, que um pão dividido ao meio!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

SERÁ QUE VEREI UM DIA?

Será que verei um dia? O professor não precisar ensinar, o que os pais insistem em ignorar?

Será que verei um dia? O político não aceitar propina, por suas convicções morais?

Será que verei um dia? O cidadão não ter receio da polícia, diante da truculência, com sinônimo de eficiência e autoridade?

Será que verei um dia? A justiça míope não ignorar a injustiça?

Será que verei um dia? Os governantes preocuparem mais com o bem comum, que se orgulharem da própria honestidade?

Será que verei um dia? A violência ser menos dolorosa que a fome?

Será que verei um dia? A miséria ser apenas uma amarga lembrança?

Será que verei um dia? Todos os sonhos do mundo, encontrarem no real, seu lugar?

Será que verei um dia? A saudade não ser mais dor incômoda, daquelas que não vai embora?

Será que verei um dia? O embargo contra o povo cubano, ser menos covarde do que os equivocados que o defendem?

Será que verei um dia? À direita e a esquerda, lutando pelos miseráveis, com menos discursos e mais ações?

Será que verei um dia? As minorias massacradas e marginalizadas, sendo respeitadas pelo que são e não, pelo que os beócios querem que sejam?

Será que verei um dia? O combate à violência doméstica, ser mais discutida que qualquer religião?

Viva o dia, em que o “mundo melhor”, dependerá apenas das ações dos subversivos que pensam e, não, das intenções dos hipócritas e canalhas, que sempre ousam sem nenhum constrangimento! Ainda, que de cabelos grisalhos ou sem eles!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A MORTE

   
          Quando naquela fatídica tarde de outubro de 2013, minha mãe desceu ao seu gélido e solitário sepulcro, naquele dia pálido e choroso, o sol preferiu se camuflar no céu infinito, rubro e fúnebre.
    No definhar do dia, aos olhos de alguns que a amaram imensamente e, reciprocamente, intensamente foram amados. Agora, nesse campo de silêncio e dor, em meio às lápides e despedidas, flores de plásticos e velas derretidas, ensaiam um adeus longo, doloroso e indesejado.
       Sob o olhar fantástico da religião, num quase delírio lisérgico, perdoe-me os profetas, vociferam que a morte é uma espécie de ritual de passagem para a uma nova vida... O prelúdio da vida eterna!
    Quem disse isso? Alguém já esteve “lá” para afirmar com tamanha veemência que quem morre vai para um lugar melhor?
        Até hoje, nunca vi ninguém dizer, que mesmo diante da morte do mais canalha dos canalhas; do mais ateu dos ateus; do mais pecador dos pecadores; alguém tenha ido para “outro” lugar, que não seja o “lugar melhor”!
      Resumindo: enquanto alguns se resignam na incansável esperança de um porvir incerto, minha mãe nasceu para a vida eterna! Enquanto os mortos-vivos morrem verdadeiramente, um pouco a cada dia!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CRÔNICAS DO MUNDO/2


Fiquei pouco tempo em Paris, no início de 2013, encantado com as comemorações dos 850 anos da Catedral de Notre-Dome; com o esplendor da Torre Eiffel no alto dos seus fascinantes 300 metros; com a grandiosidade e a imponência dos 50 metros do Arco do Triunfo; estupefato com o acervo cultural do Louvre e as luzes do mundo da mais charmosa avenida, a Champs- Elysées!
Entre uma grande história e outra, um mendigo folheava atentamente o Le Monde no metrô, como se buscasse naquele jornal, um anúncio arrebatador, até a próxima esmola.
Na mesma época, agora, em Londres, entre uma esmola e outra, um mendigo negro, suplicava a todos que passavam:
- Please! Please! One dólar, one dólar.
Mais ao norte, na belíssima e mágica Edimburgo na Escócia, um outro mendigo, desta vez ruivo, alto e olhos claros, ao lado de uma Ferrari amarela, usava um iPod e entre uma música e outra, uma esmolinha por favor!
Em Havana, em 2016, uma mendiga esguia, esbelta, fumando um legítimo Cohiba, negra, poliglota e não menos miserável:
- Un dólar, por favor, señor!
Percebi que tanto o capitalismo, como o socialismo, produzem a famigerada miséria. A diferença, que no capitalismo elas só aumentam. No socialismo, se combate com educação e justiça social!
Quanto à mendicância e a degradação humana, ah, estas sim. São universais e falam a mesma língua. No silêncio de uma mão trêmula e estendida, lê-se: uma esmola, por favor!

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

CRÔNICAS DO MUNDO/1


Nas minhas andanças pelo mundo, testemunhei em alguns lugares, frases que me fizeram parar e refletir.
Em janeiro de 2016, em um muro de Havana, Cuba, deparei:
- “Hasta la victoria siempre.” Viva!
Em dezembro de 2013, em minhas caminhadas pelo subúrbio de Santiago, Chile, outro muro poético:
- “Pensamos demasiado y sentimos muy poco”. Maravilha!
Ainda pelo Chile, em Valparaíso:
- “La pintura blanca jamás cubrirá el rojo de la sangre...”
Cada muro com sua História e sentimentos igualmente grandiosos e compartilhados. Expressando a força, a dor e a resistência de um mesmo povo!

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O FAROL

Ao final do Paseo del Prado, naquela tarde caribenha de Habana Vieja, a imensidão das mornas águas do Atlântico, se confundia com o céu no horizonte, que por um instante, tudo era mar, tudo era céu!
Um ocaso singular, ao som da algazarra de gaivotas e das ondas quebrando nas pedras vulcânicas e lodosas, do El Malecón, em mais um poético entardecer de Havana.
Na avenida beira-mar, anônimos caminhavam apressadamente ao longo do calçadão, outros, nem tanto. Cadeirantes, ciclistas, ao lado de Oldsmobile 1941, Chevrolet Bel-Air Sedan 1956, Buick Super 1953, alguns charmosos “coco-taxi” e cachorros vadios, que deixavam pelo caminho o indesejável “presente de grego”.
O bucolismo produzia crianças, jovens e idosos, que lançavam seus anzóis e suas iscas no farto mar, disputando modestos peixes com insaciáveis gaivotas. Outros, em seus rústicos barquinhos, que pareciam de brinquedos diante da imensidão do mar, arriscavam uma pescaria mais radical, mas, não menos romântica.
Os adeptos da Santeria, em seus trajes alvos como a neve, torço na cabeça, faziam seus rituais, contemplavam e no balanço suave das ondas, suas oferendas iam colorindo e poluindo a imensidão de sal.
Ainda tinham os que preferissem uma leitura sugestiva, sob o vento da maresia, folheando “O velho e o mar” do imortal Ernest Hemingway.
O Farol, já emitia seus primeiros raios de luz, num frenético giro de 360º, sinalizando ao mais distraído dos marujos, que a Ilha mais revolucionária do mundo, estava no caminho do capitalismo. Imortalizada na luta do mais cubano dos argentinos, el comandante Che Guevara, que ainda vive no imaginário de um povo incansável e uma resistência hasta siempre!

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.