domingo, 6 de março de 2016

“VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?”

        O Brasil tem se tornado palco de espetáculos grotescos e constrangedores! Atores que já não conseguem mais, separar ficção da realidade. Nesse conto dos horrores, Ali Babá, já não tem mais só 40 ladrões! Trocadilhos a parte, a vergonha se camufla na hipocrisia e os “homens honrados”, que sempre estiveram à sombra do passado e do foro privilegiado, se dizem agora, vítimas da verdade! Ironicamente, Aletheia é como foi batizada a 24ª. fase da Operação  Lava Jato, do grego, “busca pela verdade”.
      Depois de várias manobras jurídicas dos competentíssimos advogados do ilustríssimo  Senhor ex-presidente Lula, evitando com isso, que ele pudesse prestar quaisquer esclarecimentos à Justiça, o Juiz Federal Sérgio Moro, determinou a condução coercitiva do ex-metalúrgico, como já havia determinado inúmeras vezes, contra outros envolvidos em outras fases da Operação Lava Jato.
             Não percebi o mesmo comportamento da militância desocupada tanto – pró ou contra Lula – nos outros casos! Qual será o motivo? Um presidente ou um ex-presidente, um indigente ou qualquer outro cidadão deste país, estará ou poderá se colocar acima da lei? Até agora, na minha santa ignorância, não consigo entender, o motivo de tanto “mimimi”!
             Ainda mais, em um país com tanta gente de conduta e moral duvidosa, quem tem feito de viatura, Uber! Os canalhas são audaciosos. O Brasil seria radicalmente outro, se os homens de bem, tivessem a mesma coragem e ousadia! Como já dizia o grande Rui Barbosa, “não se deixe enganar pelos cabelos brancos, os canalhas também envelhecem”.
            Semana passada, após 5 anos a frente do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), deixou o cargo sob forte pressão, por não intervir na PF, subordinada a sua pasta.  “Não aguento mais as pressões do PT para que eu controle a PF”, teria afirmado ele. Ou seja, qual o interesse que existiria em controlar as investigações da Polícia Federal? Seria a Delação Premiada do Senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o grande líder e articulador do Governo no Senado, agora, uma ameaça ou um inimigo?
             A manhã de sexta-feira do dia 4 de março, o mundo assistiu perplexo, ao show deprimente, de homens e mulheres, aos socos e pontapés, num verdadeiro festival de horrores e pancadaria; como bárbaros, feito um bando de néscios – defendendo ou acusando  – como se a verdade e a justiça se manifestassem naquele delírio de um cenário melancólico, de parvoíce triunfante, de ambos os lados!
       Enquanto isso, o país com os piores índices dos últimos anos!  Crise econômica, altas taxas de desemprego, caos na segurança pública, na saúde, educação...  e os - prós e contra Lula -, em plena sexta-feira de trabalho – a princípio – aos zurros e aos coices na defesa cega ou na acusação prévia! O problema maior, não está no circo, mas, nos palhaços que transformam a democracia – a qual lutamos tanto para conquistá-la -, numa demonstração clara de selvageria, intolerância, liderada pela pior categoria de gente que existe: desocupados, preguiçosos e bajuladores. E como esses vermes se proliferam no nosso país! Sob a proteção do Estado, fomentando seus votos na próxima eleição!
          Se a moda pega, daqui a pouco, porta de delegacias e presídios, se tornarão campo santo e palco de batalhas homéricas, uns na defesa de condenados e bandidos da pior espécie e outros, execrando entusiasmadamente, a corja que os sustentam. Cuidado para os equívocos. Nem ignorar culpados, nem execrar inocentes. Com um detalhe: dependendo de quem for, pode até ter defesa direta e em público do (a) Presidente da República, com visita de solidariedade e pago com dinheiro público!
           Talvez tudo isso, faça parte da “nova onda” da democracia brasileira, como temos assistido ultimamente, numa demonstração de maturidade, discutida na base da pancadaria pela dita “esquerda” e pela dita “direita”. Os prosélitos de “Bolsonaros”, experiências mal sucedidas de “Malafaias” pelo país, relinchando aos quatro cantos, com discursos homofóbicos, de intolerância e em defesa da truculência policial, como solução para a violência e o caos reinante, causando a alegria pública! As consequências poderão ser vistas nos versos da banda Tihuana, “Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você”, continue os aplausos!
         Enquanto isso, Eduardo Cunha, FHC, Aécio Neves, Renan Calheiros, “direita”, “esquerda”, com raríssimas exceções, ignoram o povo e suas mazelas, em defesa de suas legendas e seus comparsas, ou camaradas, ou companheiros! Safando-se – até agora - do que seus opositores, não conseguiram.
           Diante dos fatos e seus atores, a pergunta inevitável no Brasil é: Quem é à esquerda? Quem é à direita? Esquerda que ignora formação de quadrilha para assaltar os cofres do país? “Mensalão”, “Petrolão”, presentes de empreiteiras, cortesias...  Que direita? Que prioriza os interesses partidários e pessoais, blindando seus pares e pulhas que nem a Polícia Federal consegue pegá-los? Dois pesos e duas medidas? E o país da esquerda? E o Brasil da direita? E o povo brasileiro? E a crise? Não seria este o principal aspecto, a grande prioridade nacional, a mobilização de todos os partidos e militantes na busca de uma saída honrosa? Agora vão discutir os sexos dos anjos, se Lula é culpado ou inocente, como estratégia para desviar o foco dos verdadeiros problemas da Nação? Tenha paciência meus caros e um pouco sensatez!
           Esqueceram-se do grande amigo de Silas Malafaia, o senhor Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? E o Renan Calheiros (PMDB-AL)? Vejam a dupla que preside o Congresso Nacional, a sede do Poder Legislativo brasileiro! E o país para, para o “UFC”  da militância e conjecturar se Lula é ou não culpado, sabe-se lá de que! O próprio se diz desconhecer as acusações e os equivocados, se encarregam de advogarem pela causa do ex-sindicalista, defendendo ou acusando. Só quero ver, de onde virá o dinheiro para pagar os honorários, de tantos advogados literalmente, de porta de delegacia!
          A “pirotecnia” e as lágrimas que Lula se referiu a sua condução coercitiva pela PF, criticando um processo legal, democrático e republicano, colocando em xeque a credibilidade das instituições brasileiras, deixou claro aquela velha máxima: “você sabe com quem está falando?”  Penso que quem não deve, não teme. Afirmou ter sido exposto a um constrangimento, totalmente desnecessário. Senhor ex-presidente Lula, constrangimento é o que o povo brasileiro é obrigado conviver todos os dias! Constrangimento senhor ex-presidente, é coviver com os índices de desemprego e analfabetismo, na “Pátria Educadora”! Agora chegou a hora senhor ex-presidente, faça valer na prática, sua recente afirmação, no dia 20 de janeiro: “não tem uma viva alma mais honesta do que eu.” Como se ser honesto, fosse algo tão improvável! Ou talvez, a necessidade de dizer que é para parecer verdade.
             Talvez o Lula de 1988, não exista mais, ou nunca existiu. Como ele mesmo afirmou: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, vira ministro”. Não podemos nos esquecer também, de outra afirmação não muito distante, que “colocaria a mão no fogo” pelos seus grandes amigos,  companheiros e ex-ministros, José Dirceu e Antônio Palocci. Esqueceram? Eu não. Ou a “esquerda” brasileira mudou muito, ou nunca foi esquerda!
             Do outro lado, ou não – a diferença é que a PF ainda não começou a investigar também - uma direita cega tentando criticar a esquerda míope e desorientada. Vivendo de um passado de luta e glória, ignorando a rudeza do presente! Perseguição? Existe uma “Patrulha ideológica” contra o PT? Impeachment é golpe? Que “esquerda” desmemoriada é esta? O que esta “esquerda” mais fez antes de chegar ao poder? Quando chegaram, assim como a “direita”, vislumbraram pelo poder e não querem mais sair!
             Portanto, não concordo com a execração pública de nenhum cidadão, como também não concordo com a injustiça, com arbitrariedades e nem carteiradas! Não subestimo o trabalho de uma instituição como a PF brasileira, que colocou na cadeia,  bandidos da mais alta periculosidade com o dinheiro público, como José Dirceu, Nestor Cerveró, Marcelo Odebrecht, Alberto Youssef, Renato Duque e tantos outros que ainda virão.
            E se houve erros, abusos, constrangimentos e a violação de direitos constitucionais na condução coercitiva de alguém, que os culpados, sejam dentro do rigor da mesma lei, responsabilizados e punidos. Agora, usar a prerrogativa, do “você sabe com quem está falando” para desqualificar o trabalho da polícia, penso que não é por aí. Somos todos iguais perante a lei, senhor Lula. E se o fato de um cidadão, ser o que for, estiver acima da lei, ao ponto de desqualificar e ridicularizar as ações das instituições que investigam, estamos fadados, a um país de picaretas. E em berço esplêndido, os “Honoráveis Bandidos” ou no poder ou nos porões como ratos, corroendo o erário, desmoralizando as instituições republicanas e democráticas e a esperança do povo brasileiro.

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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