O Brasil tem se
tornado palco de espetáculos grotescos e constrangedores! Atores que já não
conseguem mais, separar ficção da realidade. Nesse conto dos horrores, Ali
Babá, já não tem mais só 40 ladrões! Trocadilhos a parte, a vergonha se camufla
na hipocrisia e os “homens honrados”, que sempre estiveram à sombra do passado
e do foro privilegiado, se dizem
agora, vítimas da verdade! Ironicamente, Aletheia
é como foi batizada a 24ª. fase da Operação
Lava Jato, do grego, “busca pela
verdade”.
Depois de várias manobras jurídicas
dos competentíssimos advogados do ilustríssimo
Senhor ex-presidente Lula, evitando com isso, que ele pudesse prestar
quaisquer esclarecimentos à Justiça, o Juiz Federal Sérgio Moro, determinou a
condução coercitiva do ex-metalúrgico, como já havia determinado inúmeras
vezes, contra outros envolvidos em outras fases da Operação Lava Jato.
Não percebi o mesmo comportamento da
militância desocupada tanto – pró ou contra Lula – nos outros casos! Qual será
o motivo? Um presidente ou um ex-presidente, um indigente ou qualquer outro
cidadão deste país, estará ou poderá se colocar acima da lei? Até agora, na
minha santa ignorância, não consigo entender, o motivo de tanto “mimimi”!
Ainda mais, em um país com tanta gente de
conduta e moral duvidosa, quem tem feito de viatura, Uber! Os canalhas são
audaciosos. O Brasil seria radicalmente outro, se os homens de bem, tivessem a
mesma coragem e ousadia! Como já dizia o grande Rui Barbosa, “não se deixe enganar pelos cabelos brancos,
os canalhas também envelhecem”.
Semana passada, após 5 anos a
frente do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), deixou o cargo
sob forte pressão, por não intervir na PF, subordinada a sua pasta. “Não
aguento mais as pressões do PT para que eu controle a PF”, teria afirmado
ele. Ou seja, qual o interesse que existiria em controlar as investigações da
Polícia Federal? Seria a Delação Premiada do Senador Delcídio do Amaral
(PT-MS), o grande líder e articulador do Governo no Senado, agora, uma ameaça
ou um inimigo?
A manhã de sexta-feira do dia 4 de
março, o mundo assistiu perplexo, ao show deprimente, de homens e mulheres, aos
socos e pontapés, num verdadeiro festival de horrores e pancadaria; como
bárbaros, feito um bando de néscios – defendendo ou acusando – como se a verdade e a justiça se
manifestassem naquele delírio de um cenário melancólico, de parvoíce
triunfante, de ambos os lados!
Enquanto isso, o país com os piores
índices dos últimos anos! Crise
econômica, altas taxas de desemprego, caos na segurança pública, na saúde,
educação... e os - prós e contra Lula -,
em plena sexta-feira de trabalho – a princípio – aos zurros e aos coices na
defesa cega ou na acusação prévia! O problema maior, não está no circo, mas,
nos palhaços que transformam a democracia – a qual lutamos tanto para
conquistá-la -, numa demonstração clara de selvageria, intolerância, liderada pela
pior categoria de gente que existe: desocupados, preguiçosos e bajuladores. E
como esses vermes se proliferam no nosso país! Sob a proteção do Estado,
fomentando seus votos na próxima eleição!
Se a moda pega, daqui a pouco,
porta de delegacias e presídios, se tornarão campo santo e palco de batalhas
homéricas, uns na defesa de condenados e bandidos da pior espécie e outros,
execrando entusiasmadamente, a corja que os sustentam. Cuidado para os
equívocos. Nem ignorar culpados, nem execrar inocentes. Com um detalhe:
dependendo de quem for, pode até ter defesa direta e em público do (a)
Presidente da República, com visita de solidariedade e pago com dinheiro
público!
Talvez tudo isso, faça parte da “nova
onda” da democracia brasileira, como temos assistido ultimamente, numa
demonstração de maturidade, discutida na base da pancadaria pela dita
“esquerda” e pela dita “direita”. Os prosélitos de “Bolsonaros”, experiências mal sucedidas de “Malafaias” pelo país, relinchando aos quatro cantos, com discursos
homofóbicos, de intolerância e em defesa da truculência policial, como solução
para a violência e o caos reinante, causando a alegria pública! As
consequências poderão ser vistas nos versos da banda Tihuana, “Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um,
pega geral, também vai pegar você”, continue os aplausos!
Enquanto isso, Eduardo Cunha, FHC,
Aécio Neves, Renan Calheiros, “direita”, “esquerda”, com raríssimas exceções,
ignoram o povo e suas mazelas, em defesa de suas legendas e seus comparsas, ou
camaradas, ou companheiros! Safando-se – até agora - do que seus opositores,
não conseguiram.
Diante dos fatos e seus atores, a pergunta inevitável
no Brasil é: Quem é à esquerda? Quem é à direita? Esquerda que ignora formação
de quadrilha para assaltar os cofres do país? “Mensalão”, “Petrolão”, presentes
de empreiteiras, cortesias... Que
direita? Que prioriza os interesses partidários e pessoais, blindando seus pares
e pulhas que nem a Polícia Federal consegue pegá-los? Dois pesos e duas
medidas? E o país da esquerda? E o Brasil da direita? E o povo brasileiro? E a
crise? Não seria este o principal aspecto, a grande prioridade nacional, a mobilização
de todos os partidos e militantes na busca de uma saída honrosa? Agora vão
discutir os sexos dos anjos, se Lula é culpado ou inocente, como estratégia
para desviar o foco dos verdadeiros problemas da Nação? Tenha paciência meus
caros e um pouco sensatez!
Esqueceram-se do grande amigo de
Silas Malafaia, o senhor Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? E o Renan Calheiros (PMDB-AL)?
Vejam a dupla que preside o Congresso Nacional, a sede do Poder Legislativo
brasileiro! E o país para, para o “UFC” da militância e conjecturar se Lula é ou não
culpado, sabe-se lá de que! O próprio se diz desconhecer as acusações e os
equivocados, se encarregam de advogarem pela causa do ex-sindicalista,
defendendo ou acusando. Só quero ver, de onde virá o dinheiro para pagar os honorários,
de tantos advogados literalmente, de porta de delegacia!
A “pirotecnia” e as lágrimas que
Lula se referiu a sua condução coercitiva pela PF, criticando um processo
legal, democrático e republicano, colocando em xeque a credibilidade das instituições
brasileiras, deixou claro aquela velha máxima: “você sabe com quem está falando?” Penso que quem não deve, não teme. Afirmou ter
sido exposto a um constrangimento, totalmente desnecessário. Senhor
ex-presidente Lula, constrangimento é o que o povo brasileiro é obrigado conviver
todos os dias! Constrangimento senhor ex-presidente, é coviver com os índices
de desemprego e analfabetismo, na “Pátria Educadora”! Agora chegou a hora
senhor ex-presidente, faça valer na prática, sua recente afirmação, no dia 20
de janeiro: “não tem uma viva alma mais
honesta do que eu.” Como se ser honesto, fosse algo tão improvável! Ou
talvez, a necessidade de dizer que é para parecer verdade.
Talvez o Lula de 1988, não exista
mais, ou nunca existiu. Como ele mesmo afirmou: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba vai para a cadeia, mas quando
um rico rouba, vira ministro”. Não podemos nos esquecer também, de outra
afirmação não muito distante, que “colocaria a mão no fogo” pelos seus grandes
amigos, companheiros e ex-ministros,
José Dirceu e Antônio Palocci. Esqueceram? Eu não. Ou a “esquerda” brasileira
mudou muito, ou nunca foi esquerda!
Do outro lado, ou não – a
diferença é que a PF ainda não começou a investigar também - uma direita cega
tentando criticar a esquerda míope e desorientada. Vivendo de um passado de
luta e glória, ignorando a rudeza do presente! Perseguição? Existe uma “Patrulha
ideológica” contra o PT? Impeachment é golpe? Que “esquerda” desmemoriada é
esta? O que esta “esquerda” mais fez antes de chegar ao poder? Quando chegaram,
assim como a “direita”, vislumbraram pelo poder e não querem mais sair!
Portanto, não concordo com a
execração pública de nenhum cidadão, como também não concordo com a injustiça,
com arbitrariedades e nem carteiradas!
Não subestimo o trabalho de uma instituição como a PF brasileira, que colocou
na cadeia, bandidos da mais alta
periculosidade com o dinheiro público, como José Dirceu, Nestor Cerveró,
Marcelo Odebrecht, Alberto Youssef, Renato Duque e tantos outros que ainda
virão.
E se houve erros, abusos,
constrangimentos e a violação de direitos constitucionais na condução
coercitiva de alguém, que os culpados, sejam dentro do rigor da mesma lei, responsabilizados
e punidos. Agora, usar a prerrogativa, do “você
sabe com quem está falando” para desqualificar o trabalho da polícia, penso
que não é por aí. Somos todos iguais perante a lei, senhor Lula. E se o fato de
um cidadão, ser o que for, estiver acima da lei, ao ponto de desqualificar e
ridicularizar as ações das instituições que investigam, estamos fadados, a um
país de picaretas. E em berço esplêndido, os “Honoráveis Bandidos” ou no poder
ou nos porões como ratos, corroendo o erário, desmoralizando as instituições
republicanas e democráticas e a esperança do povo brasileiro.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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