domingo, 5 de junho de 2016

TIRADENTES É A CARA DO BRASIL


                 A primeira Expedição Colonizadora portuguesa, comandada por Martin Afonso de Souza, deu-se início politico-economicamente, ao Brasil Colônia (1530-1815). Que desde os primórdios, esteve sempre como está, com a “corda no pescoço” e a um passo do cadafalso. O legado da colonização de exploração, que gerou latifundiários assassinos, coronéis sem farda e escravocratas, truculência fardada para cidadãos anônimos e o machismo covarde de indivíduos duvidosos!
                Historicamente marcado pelas Capitanias Hereditárias (1534), a atividade açucareira (XVI, XVII) e desembocando na famigerada mineração. O quinto – retenção de 20% de todo ouro -, Casas de Fundição e a Derrama – imposto que consistia no confisco de bens dos devedores da Coroa. Os mecanismos sanguinários e implacáveis usuais do Governo português marcou nossa trajetória, com uma política que fomentou a miséria, a exploração e o racismo.
                 A habitual opressão, alicerçada pela ganância e a corrupção da Coroa, que exigia cada vez mais, de quem tinha cada vez menos. A necessidade histórica de saciar a sanha dos cofres da metrópole coube aos colonos, tirarem da boca, para pagar impostos cada vez maiores! Os que ousaram questionar o domínio ardil e cretino português pagaram com a própria vida ou foram colocados no ostracismo.
                 Entre os inúmeros heróis famosos ou anônimos, controversas à parte, Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, tem muito haver com os brasileiros,  mais do que se imagina! Vejo um pouco em cada um,  de heroísmo, questionador, indignação, resistência, equívocos e o quanto o Brasil republicano dos canalhas do século XXI, nos remete as injustiças e o massacre tributário, do século XVIII.  Da “série los cretinos”, o país que atualmente tem muito a “Temer”, vive um momento que é a cara de Tiradentes.
                  A derrama abriu caminho para a insatisfação latente e coletiva, que nos século XVIII, resultou na chamada Inconfidência Mineira, que sob a liderança dos chamados inconfidentes, conspiraram contra os interesses da metrópole.  Altos impostos na Colônia e uma das mais altas cargas tributárias no século XXI.
                Sem anacronismos, impossível não atentar, para quantas semelhanças históricas, políticas, econômicas, sociais e culturais, em um país singular, repleto de equívocos político-partidários e de amantes inimigos, aliados nas eleições e inimigos no Impeachment. No Brasil, “existem duas classes de políticos: os suspeitos de corrupção e os corruptos”, afirmou David Zac.
                 Há muito tempo, o país não atravessava uma crise tão grave. Política, econômica, social e moral, revelando aos olhos de todos, que até o que parecia “normal” – corrupção e hipocrisia – atingiu o patamar do intolerável! “Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”, como afirmou Benjamin Disraeli.
                São 12 milhões de desempregados, inflação crescente, déficit público galopante, violência de guerra, sucateamento da educação, imoralidade na saúde pública, insalubridade do brasileiro e um monte de “gente graúda” envolvida no maior esquema de corrupção da história do Brasil!

                Portanto, concluí que realmente, Tiradentes é a cara do Brasil:  com a corda no pescoço, enforcado e esquartejado! Sendo devorados diariamente, pelos mesmos algozes insaciáveis, abutres vorazes, carrascos de sempre. 


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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