O Cerrado indefeso agoniza
A vida clama na Chapada
A fauna silencia em brasa
A flora vegeta na coivara
Em púrpuras primaveras
E a humanidade ironiza!
A tragédia das queimadas
Necrópole e troncos retorcidos
A natureza brada, rangidos
O Jalapão e o Angico
Serra dos Pirineus e o Faveiro
Savana brasileira, Paineira.
Bacias, o Araguaia, o Meia Ponte
Indiferença e a omissão que mata
A sede de poder e a seca insana
Deixou órfã a Onça Pintada
A Jaguatirica e a Suçuarana
Que levam embora parte da gente.
A flama ardente cobrindo como manto
A vegetação abrasiva e em chamas
Faz fatigar o Buriti e a Quaresmeira
O Araticum e a Mangabeira
Da abóboda celeste o nimbo em gotas
Regando a terra como pranto.
Mama-cadela, Murici, sabor
O eflúvio do Ipê e a beleza em flor
A terra ardendo exala calor
A natureza é dor e torpor
O bioma em brasa, ardor
O tatu-canastra e o lobo-guará, pavor!
Em revoada saiu à Águia-cinzenta
A terra petrificada, covardia,
incompetência
A sociedade e o despertar da
consciência
O martírio da Lobeira e a fuligem
assassina
A indiferença ecológica e as gravatas
de rapina
Um campo santo de Tamanduá Bandeira.
Jaburu, símbolo do Pantanal
E o voo majestoso da liberdade
O encanto da Anhuma na cidade
Pássaro preto gritador, piedade
A Ema e a Curicaca, mortandade
Patrimônio mundial, Ilha do Bananal.
O vergel que renasce em terra fecunda
A natureza pústula insiste em nos
brindar
Em searas de esperanças a germinar
Algazarra de gorjeios e banquetes no pomar
O mel das frutas e colmeias como lar
A fecunda resiliência ressurgindo das cinzas!
Marcos
Manoel Ferreira nasceu aos
23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com
Habilitação em História da Educação
Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando
em História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Professor, poeta, escritor,
coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital.
Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias
líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª.
Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o
segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião
e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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