Fiquei
pouco tempo em Paris, no início de 2013, encantado com as
comemorações dos 850 anos da Catedral de Notre-Dome; com o
esplendor da Torre Eiffel no alto dos seus fascinantes 300 metros;
com a grandiosidade e a imponência dos 50 metros do Arco do Triunfo;
estupefato com o acervo cultural do Louvre e as luzes do mundo da
mais charmosa avenida, a Champs- Elysées!
Entre
uma grande história e outra, um mendigo folheava atentamente o Le
Monde
no metrô, como se buscasse naquele jornal, um anúncio arrebatador,
até a próxima esmola.
Na
mesma época, agora, em Londres, entre uma esmola e outra, um mendigo
negro, suplicava a todos que passavam:
-
Please!
Please! One dólar, one dólar.
Mais
ao norte, na belíssima e mágica Edimburgo na Escócia, um outro
mendigo, desta vez ruivo, alto e olhos claros, ao lado de uma Ferrari
amarela, usava um iPod
e entre uma música e outra, uma esmolinha por favor!
Em
Havana, em 2016, uma mendiga esguia, esbelta, fumando um legítimo
Cohiba,
negra, poliglota e não menos miserável:
-
Un
dólar, por favor, señor!
Percebi
que tanto o capitalismo, como o socialismo, produzem a famigerada
miséria. A diferença, que no capitalismo elas só aumentam. No
socialismo, se combate com educação e justiça social!
Quanto
à mendicância e a degradação humana, ah, estas sim. São
universais e falam a mesma língua. No silêncio de uma mão trêmula
e estendida, lê-se: uma esmola, por favor!
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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