sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A MORTE

   
          Quando naquela fatídica tarde de outubro de 2013, minha mãe desceu ao seu gélido e solitário sepulcro, naquele dia pálido e choroso, o sol preferiu se camuflar no céu infinito, rubro e fúnebre.
    No definhar do dia, aos olhos de alguns que a amaram imensamente e, reciprocamente, intensamente foram amados. Agora, nesse campo de silêncio e dor, em meio às lápides e despedidas, flores de plásticos e velas derretidas, ensaiam um adeus longo, doloroso e indesejado.
       Sob o olhar fantástico da religião, num quase delírio lisérgico, perdoe-me os profetas, vociferam que a morte é uma espécie de ritual de passagem para a uma nova vida... O prelúdio da vida eterna!
    Quem disse isso? Alguém já esteve “lá” para afirmar com tamanha veemência que quem morre vai para um lugar melhor?
        Até hoje, nunca vi ninguém dizer, que mesmo diante da morte do mais canalha dos canalhas; do mais ateu dos ateus; do mais pecador dos pecadores; alguém tenha ido para “outro” lugar, que não seja o “lugar melhor”!
      Resumindo: enquanto alguns se resignam na incansável esperança de um porvir incerto, minha mãe nasceu para a vida eterna! Enquanto os mortos-vivos morrem verdadeiramente, um pouco a cada dia!


         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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