quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O FAROL

Ao final do Paseo del Prado, naquela tarde caribenha de Habana Vieja, a imensidão das mornas águas do Atlântico, se confundia com o céu no horizonte, que por um instante, tudo era mar, tudo era céu!
Um ocaso singular, ao som da algazarra de gaivotas e das ondas quebrando nas pedras vulcânicas e lodosas, do El Malecón, em mais um poético entardecer de Havana.
Na avenida beira-mar, anônimos caminhavam apressadamente ao longo do calçadão, outros, nem tanto. Cadeirantes, ciclistas, ao lado de Oldsmobile 1941, Chevrolet Bel-Air Sedan 1956, Buick Super 1953, alguns charmosos “coco-taxi” e cachorros vadios, que deixavam pelo caminho o indesejável “presente de grego”.
O bucolismo produzia crianças, jovens e idosos, que lançavam seus anzóis e suas iscas no farto mar, disputando modestos peixes com insaciáveis gaivotas. Outros, em seus rústicos barquinhos, que pareciam de brinquedos diante da imensidão do mar, arriscavam uma pescaria mais radical, mas, não menos romântica.
Os adeptos da Santeria, em seus trajes alvos como a neve, torço na cabeça, faziam seus rituais, contemplavam e no balanço suave das ondas, suas oferendas iam colorindo e poluindo a imensidão de sal.
Ainda tinham os que preferissem uma leitura sugestiva, sob o vento da maresia, folheando “O velho e o mar” do imortal Ernest Hemingway.
O Farol, já emitia seus primeiros raios de luz, num frenético giro de 360º, sinalizando ao mais distraído dos marujos, que a Ilha mais revolucionária do mundo, estava no caminho do capitalismo. Imortalizada na luta do mais cubano dos argentinos, el comandante Che Guevara, que ainda vive no imaginário de um povo incansável e uma resistência hasta siempre!

         Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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