Mais uma vez, o país se vê às
voltas por homens e tempos sombrios! Frente a uma democracia que criminaliza o
contraditório, Estado laico que tem “rabo preso” com bancada religiosa,
barganhando apoio, cargos, cerceando instituições e a liberdade de expressão! Um projeto
fascista, tramado nas alcovas da caserna e nas sacristias, que buscam consolidar-se
no poder, sob a égide de um discurso ardiloso de moral, ordem, patriotismo
ufanista, Deus como cabo eleitoral e um conservadorismo hipócrita, legitimado sob-relinchos,
o “pocotó-pocotó” da indigência cognitiva e batedores de panelas.
Primeiro “chegam” ao poder. Depois vão cercando-se de todos os
mecanismos legais – ainda que imorais – para colocarem em prática um plano
sinistro e duvidoso para o povo brasileiro, com o nome de reformas. Ministérios
e ministros em todas as esferas dos poderes, a serviço de “estancar a sangria”, antigos e atuais.
PEC 241, “Escola sem partido”, “Reforma” do Ensino Médio, “Reforma” da
Previdência, Reforma Trabalhista e o futuro da nação alicerçado na areia movediça da corrupção, em
bases duvidosas, questionáveis e asnáticas. Quem insiste em ignorar os acontecimentos
dos últimos 500 anos desse país, estão condenados a carregar o fardo da
ignorância, da injustiça, do racismo, do analfabetismo e da histórica desigualdade social. Cegos, omissos, acovardados
pela imbecilidade, subjugados por uma classe política que envergonha o povo, manchado de sangue e pela indigência!
O
fisiologismo e as alianças espúrias na vida da República brasileira consomem a
moral e os ideais que ainda restam em algumas raríssimas exceções parlamentares.
As alianças político-partidárias pavorosas coroam e acabam com o resto. Uma
salada mista de ideologias - ou "sem viés ideológico" -, que ao final, de mãos dadas e chafurdadas na mesma roubalheira e incompetência, querem exatamente as mesmas coisas: se safarem e o poder! Isso
explica a facilidade e a desfaçatez governamental, em aprovar medidas tão impopulares e
prejudiciais a médio e longo prazo. “Reformas” passam com tranquilidade, sem debates,
sem consulta popular e com o apoio absoluto do Congresso.
Pronto, o grande golpe contra o povo está consolidado!
A última jogada dos “especialistas” foi mascarar a real situação do
ensino brasileiro, ignorando de fato seus crônicos e históricos problemas. A
Lei de Reforma do Ensino Médio, sancionada pelo presidente Michel Temer, não
discute a solução para questões perenes no nosso sistema de ensino. Bem como as ideias defendidas pelo novo Ministro da Educação. “O objetivo da educação totalitária nunca foi
incutir convicções, mas destruir a capacidade de formar alguma”, afirmou
Hanna Arendt.
Um dos meus questionamentos e de
muitos brasileiros é como um projeto de lei dessa envergadura foi apresentado à
sociedade, conduzido e quais os profissionais ouvidos e consultados? Houve transparência
nesse processo, um debate aberto com especialistas em educação, orçamento,
professores, alunos e sociedade em geral? Será que os "responsáveis" legais pela
educação do alto de seus gabinetes e púlpitos, conhecem a realidade do ensino
brasileiro? Sabem o que são e em que condições funcionam as escolas públicas do Brasil? Ou
pretendem conhecer a realidade do ensino e das escolas brasileiras, a partir
dos vídeos gravados pelos colaboradores e fiscais acéfalos do governo em salas de aula?
Vergonhosamente, quase em surdina,
aprovaram uma “reforma” que não muda na verdade nada do que deveria ser de
fato, mudado. Penso que o objetivo maior, seja outro. Desviar o foco dos
verdadeiros problemas da educação brasileira, buscando popularidade, aspirações
políticas e a manutenção do balcão “toma
lá, da cá”, o velho e atual fisiologismo nacional.
Quando não negociam com partidos, o fazem com bancadas.
No Brasil, nada que seja de interesse popular é resolvido com tanta
rapidez e “eficiência” por esse temerário parlamento, como foi aprovada a PEC
241 e a Reforma do Ensino Médio!
As mirabolantes e quase cômicas
propostas para o ensino médio brasileiro, ignora as gigantescas desigualdades
entre o ensino público e o privado! Sem combater, resolver essa disparidade, já
não houve reforma! Houve na verdade, o desvio do foco de um problema grave. São
realidades discrepantes, gritantes e vergonhosas.
Reforma? E a manutenção absurda das
salas de aulas com 70, 80 alunos? Com uma acústica que arrebenta com a garganta
de qualquer professor, que estuda a vida inteira e dedica quase como um
sacerdócio ao ensino em um país, que irresponsavelmente, vira as costas para
essa realidade gritante! “O poder nunca é
propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o
grupo se conserva unido”, Hanna Arendt.
A constrangedora precarização do exercício
do magistério, professores em jornadas duplas, triplas para conseguirem
sobreviver. Será nessas mesmas condições que os profissionais de “notório
saber” irão ministrar suas aulas mirabolantes?
A questão vai muito além. Uma
realidade perversa que parece insignificante ou invisível aos olhos dos
administradores públicos, privados e de muitos pais. Como se não bastasse, as
instituições e órgãos reguladores, fiscalizadores e representativos, por
omissão, cumplicidade ou incompetência, não conseguem enxergar e muito menos
resolverem esse vexame! De ponta a ponta no sistema, que agora se camufla sob a
“revolucionária” reforma que não reforma nada.
Outra medida interessante adotada
pela internacional reforma é a implantação da escola de período integral. No
modelo atual, insistem em ignorar – novamente -, algumas instituições de ensino
que mal conseguem funcionar meio período. Não existe quadra de esportes,
ambientes insalubres, falta o básico em boa parte das escolas públicas do
Brasil: professores. Merenda! Algumas áreas do conhecimento – Física,
Matemática, Química, Biologia -, alunos chegam a ficarem meses sem professores!
Será que a Reforma do Ensino Médio não deveria ter se preocupado em solucionar
mais essa vergonha nacional do nosso ensino? Será que o colombiano e os
pastores conhecem essa realidade ou só os “doutrinadores”?
Mendonça Filho, ex-Ministro da Educação,
defendeu o fim do ensino noturno no Brasil. Em uma entrevista, ele afirmou que “a
luta é para que os jovens concluam o ensino médio aos 17 anos e não tenham que
trabalhar durante o dia e estudar à noite”. Parece piada! Será que o Governo
não conhece a realidade da maioria esmagadora dos jovens brasileiros? Pensaram na classe
trabalhadora, que labora arduamente durante o dia para sobreviver e contribuir
com a Previdência o mais cedo possível e estudar no turno noturno para
concluírem seus estudos? Contemplam a modalidade de ensino EJA - Educação de
Jovens e Adultos? Um país com os índices vergonhosos de analfabetismo, sem
falar dos analfabetos funcionais. Prova cabal do quanto desconhecem a realidade
brasileira e o quanto essa proposta é excludente e irresponsável!
Boa parte dos municípios
brasileiros se quer, pagam o piso nacional aos professores, segundo o próprio Ministério
da Educação. Além de estupefato, fico preocupado com os segmentos sociais,
excluídos, indigentes, estufando o peito feito pombo de rua e aplaudindo
reformas que acorrentam ainda mais os trabalhadores e retrocedem nosso modelo
de educação. Como focas amestradas felizes após algumas migalhas, feito peru fazendo propaganda do Natal! “A árvore chora de tristeza ao ver que o cabo
do machado também é de madeira”.
Outra questão interessante nesse
circo são os defensores dessa reforma, usarem como argumentos, a comparação
desse modelo, com modelos internacionais, adotados em países desenvolvidos! Que
maravilha! Então aproveitem e compare também, o modelo de sociedade, de
governos, de políticos, de salários de professores, de saúde, saneamento
básico, legislação, justiça e etc. Vamos lá, comparem! Deve ser assim, copiando
outras realidades – bem distantes da nossa -, que estão fazendo outra
escandalosa “reforma“, a da Previdência!
É tão escabroso, surreal o que estão querendo fazer com a educação e com
a previdência no país, que eu penso que eu deva estar delirando e quando meu
entorpecimento passar estarei em outra realidade menos mórbida e perversa.
Quero continuar acreditando na “bondade humana” de Anne Frank e numa
educação realmente para todos. Em que um dia, o ensino público, não precisará de cotas
ou declaração oficial de incompetência do estado para gerir a educação nesse
país, sob o comando de alguns engravatados, que deveriam usar cabresto, porque
algemas alguns já incluíram em sua indumentária.
A reforma que a sociedade brasileira
espera é aquela que contemple a todos com uma educação de qualidade, equidade, pública ou
privada! Passando pela dignidade, valorização e o respeito aos alunos, cidadãos, profissionais da educação, que
exaustivamente lutam árdua e bravamente, nas escolas desse país, enfrentando diariamente
todos os tipos de desafios possíveis e prováveis. De pais frustrados e
incompetentes, que insistem em não educarem seus filhos; o abandono afetivo; buscando terceirizar suas
responsabilidades e atribuir o fracasso familiar para escola ou professores,
aos baixos salários e salas superlotadas!
Portanto, Isso nos ajuda a refletir
sobre a baixa procura e o interesse de nossos alunos, pela carreira do
magistério e os cursos de licenciaturas. O país de analfabetos está condenado a
não terem professores! Por outro lado, professor para quê?
Conclusão, quem pensa incomoda e torna-se arma
perigosa para governantes como os nossos, em todos os níveis! Educação jamais
será prioridade em um país com o nível de pessoas que temos no poder! O que
esperar de um país laico constitucionalmente que modelo de disciplina é
militar, bancada religiosa no Congresso indica Ministro da Educação e pais
fracassados responsabilizando professores e a escola pela ignorância histórica
que o fizeram! “Realmente, vivemos muito
sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota a insensibilidade.
Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar”,
afirmou Bertolt Brecht.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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