DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, VIVA A RESISTÊNCIA
O “Dia Nacional da Consciência Negra”
20 de novembro, foi instituído em homenagem a Zumbi dos Palmares, escravo negro
que liderou a resistência no Quilombo dos Palmares em Pernambuco, que morreu em
20 de novembro de 1695. Lutou até a morte contra a opressão dos escravocratas e
as mãos sujas de sangue humano em nome do poderio econômico e da ignorância!
Dia não de festas, comemorações,
confetes e aplausos para as migalhas gotejadas em nome da igualdade racial. Não
será mais um feriado paradoxal, para celebrações e cortejar autoridades
religiosas ou bajular figurões políticos com status de estadistas.
Uma luta homérica defendida
por grandes vultos como o “poeta dos
escravos” Castro Alves, os abolicionistas Joaquim Nabuco, José do
Patrocínio e tantos outros que contribuíram nesta caminhada de resistência.
No país constitucionalmente laico,
reinam os feriados cristãos católicos, falsos heróis, golpes e viva a igualdade
racial e cultural brasileira! Viva a hipocrisia do sagrado e do profano, a
ignorância e a intolerância religiosa, contra as religiões de matriz africana!
É dia, como todos os dias são,
invariavelmente, evidenciar e refletir
sobre a importância da cultura africana na construção do povo e da sociedade
brasileira, um despertar para a questão vergonhosa dos negros no Brasil! O racismo,
a indiferença, rejeição, violência, preconceito e todo tipo detestável de “olhares
tortos” e pré-julgamentos, para os “sempre
suspeitos neguinhos”.
É preciso e urgente, um despertar ruidoso, um olhar crítico para uma
população de indivíduos excluídos socialmente, culturalmente, que seu maior “crime” é a cor negra da pele! Que
carregam na alma marcas do açoite e do exílio, o ranço mal cheiroso das senzalas
e as mãos calejadas de quem construiu boa parte da grandeza desta nação. Que
insiste em renega-los, “negar” uma das maiores vergonhas históricas da
humanidade, a escravidão e que não há
discriminação racial e social, contra os anônimos nas páginas policiais e nos
obituários diários.
Ou seja, qual o perfil da maior
população carcerária do Brasil, segundo o IBGE? E de analfabetos? E residentes
em amontoados de barracos nas periferias do país? Coincidência?Não. Ausência histórica de políticas
públicas de inclusão sérias e responsáveis. Não “soluções” eleitoreiras e
mediáticas, que não emancipam e não incluem de fato. A construção da
mentalidade latifundiária, patriarcal, alicerçada no coronelismo, na figura do
homem branco, machista e quase sempre, racista!
Estudos apontam que a partir do
século XVII em Pernambuco, escravos africanos vítimas do senhorio cristão
europeu, foram trazidos pelos portugueses para o Brasil, em navios asfixiantes
e em condições ultrajantes. Sob o tinir dos grilhões, desembarcaram e, com
eles, além da dor do exílio, a saudade da terra mãe. Sua garra e suas raízes
como armas de resistência e esperança. A identidade que os açoites e a senzala,
que o racismo e a intolerância, não conseguiram silenciar ou apagar.
A construção da grandeza
dessa terra, inúmeras vezes marcada pelo sangue alheio, para saciar a sanha de
latifúndios canavieiros, cafeeiros, numa supremacia branca, patriarcal e
ordinária. O sal gotejado na terra fértil, irrigada pelo suor de bantus e sudaneses, fez a fortuna e a doçura da cana. Do açúcar alvo como a
neve, que deixava mel o amargo café. Temperado pela vergonhosa escravidão dos
renegados e a miséria dos ignorados!
Pelas mãos e pés de guerreiros que por
sua pele negra, resistentes como ébano, foram historicamente inferiorizados e marginalizados, pela
pseudociência da Eugenia, alicerçada
na intolerância e no darwinismo social.
É inegável o quanto somos um país
miscigenado – índio americano, branco
europeu, negro africano. Uma diversidade cultural e religiosa riquíssima,
fruto do sincretismo e do ecletismo cultural-religioso. Que nos legou não só um
povo multirracial, como também, o cristianismo e suas convicções, a grandeza
das religiões de matriz africanas e suas tradições milenares. De Xangô
deus da justiça, do fogo, tanto quanto Tupã
para os Tupis-guaranis. O mesmo
Atlântico que banha a Baía de todos os santos é as mesmas águas que banham a
África e seus orixás. Numa demonstração clara do quanto às diferenças, nos
tornam tão iguais!
A educação, assim como vários outros setores
da sociedade, possui um papel preponderante neste processo ardoroso de
transformação desta sociedade ainda com ares provincianos. Racista, machista e
homofóbica, trazendo o debate permanente, numa busca incansável pelo
esclarecimento e o entendimento crítico do papel de cada cidadão, para
transformar essa realidade da miséria, preconceito e intolerância. Sempre serão
nossas atitudes e o nosso caráter, determinantes para qualquer mudança.
Portanto, é notório o quanto muito
nos enriquece, esta convivência com tamanha diversidade étnica, religiosa e
cultural. Que nos coloca frente a frente, com questões desafiadoras, pautadas
pelo respeito e a tolerância. Princípios elementares, básicos, grandiosos e
determinantes para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e
igualitária.
A luta das minorias, dos excluídos
é uma luta de todos! Uma incansável luta contra a violência que exterminam
jovens e mulheres negras diariamente – bem como, não negras! O feminicídio é
alarmante, reflexo do modelo de sociedade que temos o dever moral e cívico de
mudar!
Querendo ou não, todos nós temos
sangue negro! Alguns, nas mãos. A mesma que segurou o chicote e hoje ostenta o
racismo e a intolerância!
Axé!
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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