sexta-feira, 16 de novembro de 2018

INCONFIDÊNCIA MINEIRA


21 DE ABRIL E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA
“Só sei que é feriado”

        Ecoou nos rincões da então Colônia na Província de Minas Gerais em 1789 o primeiro grito separatista, contra a opressão portuguesa. Palco da Inconfidência Mineira abriu caminho para luta contra o espólio metropolitano e o massacre de colonos incansáveis e miseráveis, avessos a exploração e a insaciável sanha dos portugueses, em pilhar da colônia, cada vez mais da sua riqueza e de sua gente – ações não muito diferentes das praticadas pelas aves de rapina que governam o país atualmente.
        Não foi um movimento popular que buscava combater o abismo social e a miséria ou, a escravidão covarde e imoral, que os interesses econômicos internacionais, transformaram em cultural. A crise mineradora era crescente, declinava-se a cada ano e pobreza avassaladora, contabilizava cada vez mais indigentes.  Ou seja, reduzia-se cada vez mais a quantidade de ouro extraído e os impostos metropolitanos, eram mantidos, criando um clima de insatisfação e um desejo crescente de sublevação. “A galinha dos ovos de ouro” já dava sinais de esgotamento, o apetite voraz do quinto entre outros tributos, a fiscalização ferrenha das Casas de Fundição, cumpriam seu papel atendendo aos interesses de Portugal e seus acordos com a Inglaterra. Quanta semelhança!
         A Inconfidência Mineira foi articulada e liderada por um grupo de grandes proprietários, mineradores, religiosos e intelectuais, contrários e insatisfeitos com a aplicação da derrama, que tinha por objetivo o confisco de bens, dos que não conseguiam ou se recusavam a pagar ao tesouro metropolitano as 100 arrobas de ouro anualmente ou o equivalente em bens dos devedores até atingir esse valor, aproximadamente 1500 kg.
         Não bastasse alto custo de vida e o arrocho crescente em decorrência das políticas implantadas por Portugal, o Alvará de 1785, foi determinante para a culminância na Inconfidência. A metrópole proibia a produção de manufaturas na colônia, determinando o fechamento da produção manufatureira local, obrigando os colonos a comprarem os produtos importados, muito mais caros e principalmente, os ingleses.
          Ideias liberais, principalmente as influências de movimentos europeus como o Iluminismo, a grande e inspiradora Revolução Francesa (1789 – 1799) na defesa dos interesses burgueses e no direito dos povos de lutarem por sua liberdade e destronarem os déspotas inimigos desse mesmo povo. Agora, sob a égide da liberté, égalité e fraternité, fomentaram também o sonho abaixo da linha do Equador. “Se as tiranias fomentam a estupidez”, “liberdade ainda que tardia”, começava a raiar no horizonte tupiniquim e mais tarde, lema da bandeira do atual Estado de Minas Gerais. O sonho de implantar uma República; capital em São João Del Rey; romper com o domínio e o monopólio português; criar uma universidade em Vila Rica, entre outros objetivos que nortearam o movimento, precocemente massacrado pela Coroa.
         Com a descoberta da conjuração, traídos e delatados numa trama sórdida entre os militares Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia Pamplona, levaram ao governador Visconde de Barbacena - em busca do perdão por suas dívidas com a Coroa - foi suspensa a derrama – que entraria em vigor em 1788 - e os integrantes do movimento, os inconfidentes, foram identificados. Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Francisco de Paula Freire e o mais popular entre todos, mesmo não sendo o mentor, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, preso na cidade do Rio de Janeiro, em 10 de maio de 1789.
           Após 3 anos de julgamentos, todos foram perdoados ou condenados ao degredo. Com duas exceções: Cláudio Manuel da Costa encontrado morto na prisão – declarado oficialmente como suicídio - e Tiradentes, condenado a morte e executado em 21 de abril de 1792.
           Seus algozes viam a necessidade de uma execução exemplar, implacável, cruel e pública. Era preciso evidenciar, que a ousadia em desafiar o poder da metrópole, não poderia ficar sem uma punição severa e a intimidação típica dos covardes. O “herói” da Inconfidência Mineira, após ser enforcado, esquartejado e partes do seu corpo espalhados, calou-se a voz, mas não, o sonho de liberdade e independência. Aplica-se a nossa dantesca história brasileira, o pensamento de Diderot “só precisam de moral e virtude os que obedecem.”
        Assim, a Inconfidência Mineira e o que as influências das ideias liberais iluministas e a Revolução Francesa representaram na colônia portuguesa na segunda metade do século XVIII, marcaram um momento histórico determinante para a Crise do Antigo Sistema Colonial, abrindo caminho para consolidação da liberdade política e mudanças econômicas, além do modesto esboço do despertar de uma sociedade que começava a lutar e contra a opressão.
             Portanto, afirmou Voltaire “é difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram.” Não se trata apenas de um debate historiográfico e se Tiradentes é ou não herói nacional; merecedor ou não de data comemorativa e feriado nacional. Nada disso tem importância, em um país que parte de seu povo, ignora ou desconhece sua própria História. E sem memória, vamos repetindo a passos largos um passado de opressão, equívocos e fracassos. Sob o tilintar de ferraduras, aplausos de muares e o zurro de batedores de panelas, a letargia cerebral de néscios e o efeito manada guiados pela ignorância, sob discursos messiânicos e proféticos, parindo uma geração de fanáticos que conduzem o país a barbárie.


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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