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DE ABRIL E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA
“Só sei que é feriado”
Ecoou nos rincões da então Colônia na Província
de Minas Gerais em 1789 o primeiro grito separatista, contra a opressão
portuguesa. Palco da Inconfidência Mineira abriu caminho para luta contra o
espólio metropolitano e o massacre de colonos incansáveis e miseráveis, avessos
a exploração e a insaciável sanha dos portugueses, em pilhar da colônia, cada
vez mais da sua riqueza e de sua gente – ações não muito diferentes das
praticadas pelas aves de rapina que governam o país atualmente.
Não foi um movimento popular que
buscava combater o abismo social e a miséria ou, a escravidão covarde e imoral,
que os interesses econômicos internacionais, transformaram em cultural. A crise
mineradora era crescente, declinava-se a cada ano e pobreza avassaladora,
contabilizava cada vez mais indigentes.
Ou seja, reduzia-se cada vez mais a quantidade de ouro extraído e os
impostos metropolitanos, eram mantidos, criando um clima de insatisfação e um
desejo crescente de sublevação. “A galinha dos ovos de ouro” já dava sinais de
esgotamento, o apetite voraz do quinto
entre outros tributos, a fiscalização ferrenha das Casas de Fundição, cumpriam
seu papel atendendo aos interesses de Portugal e seus acordos com a Inglaterra.
Quanta semelhança!
A Inconfidência Mineira foi
articulada e liderada por um grupo de grandes proprietários, mineradores,
religiosos e intelectuais, contrários e insatisfeitos com a aplicação da derrama, que tinha por objetivo o
confisco de bens, dos que não conseguiam ou se recusavam a pagar ao tesouro
metropolitano as 100 arrobas de ouro anualmente ou o equivalente em bens dos
devedores até atingir esse valor, aproximadamente 1500 kg.
Não bastasse alto custo de vida e o
arrocho crescente em decorrência das políticas implantadas por Portugal, o
Alvará de 1785, foi determinante para a culminância na Inconfidência. A
metrópole proibia a produção de manufaturas na colônia, determinando o
fechamento da produção manufatureira local, obrigando os colonos a comprarem os
produtos importados, muito mais caros e principalmente, os ingleses.
Ideias liberais, principalmente as
influências de movimentos europeus como o Iluminismo, a grande e inspiradora
Revolução Francesa (1789 – 1799) na defesa dos interesses burgueses e no
direito dos povos de lutarem por sua liberdade e destronarem os déspotas
inimigos desse mesmo povo. Agora, sob a égide da liberté, égalité e fraternité, fomentaram também o sonho
abaixo da linha do Equador. “Se as tiranias fomentam a estupidez”, “liberdade
ainda que tardia”, começava a raiar no horizonte tupiniquim e mais tarde, lema
da bandeira do atual Estado de Minas Gerais. O sonho de implantar uma República;
capital em São João Del Rey; romper com o domínio e o monopólio português; criar
uma universidade em Vila Rica, entre outros objetivos que nortearam o movimento,
precocemente massacrado pela Coroa.
Com a descoberta da conjuração,
traídos e delatados numa trama sórdida entre os militares Joaquim Silvério dos
Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia Pamplona, levaram ao governador
Visconde de Barbacena - em busca do perdão por suas dívidas com a Coroa - foi
suspensa a derrama – que entraria em vigor em 1788 - e os integrantes do
movimento, os inconfidentes, foram identificados. Cláudio Manuel da Costa,
Tomás Antônio Gonzaga, Francisco de Paula Freire e o mais popular entre todos,
mesmo não sendo o mentor, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, preso na
cidade do Rio de Janeiro, em 10 de maio de 1789.
Após 3 anos de julgamentos, todos
foram perdoados ou condenados ao degredo. Com duas exceções: Cláudio Manuel da
Costa encontrado morto na prisão – declarado oficialmente como suicídio - e
Tiradentes, condenado a morte e executado em 21 de abril de 1792.
Seus algozes viam a necessidade de
uma execução exemplar, implacável, cruel e pública. Era preciso evidenciar, que
a ousadia em desafiar o poder da metrópole, não poderia ficar sem uma punição
severa e a intimidação típica dos covardes. O “herói” da Inconfidência Mineira,
após ser enforcado, esquartejado e partes do seu corpo espalhados, calou-se a
voz, mas não, o sonho de liberdade e independência. Aplica-se a nossa dantesca
história brasileira, o pensamento de Diderot “só precisam de moral e virtude os
que obedecem.”
Assim, a Inconfidência Mineira e o
que as influências das ideias liberais iluministas e a Revolução Francesa
representaram na colônia portuguesa na segunda metade do século XVIII, marcaram
um momento histórico determinante para a Crise do Antigo Sistema Colonial,
abrindo caminho para consolidação da liberdade política e mudanças econômicas,
além do modesto esboço do despertar de uma sociedade que começava a lutar e
contra a opressão.
Portanto, afirmou Voltaire “é difícil
libertar os tolos das amarras que eles veneram.” Não se trata apenas de um
debate historiográfico e se Tiradentes é ou não herói nacional; merecedor ou
não de data comemorativa e feriado nacional. Nada disso tem importância, em um
país que parte de seu povo, ignora ou desconhece sua própria História. E sem
memória, vamos repetindo a passos largos um passado de opressão, equívocos e
fracassos. Sob o tilintar de ferraduras, aplausos de muares e o zurro de
batedores de panelas, a letargia cerebral de néscios e o efeito manada guiados
pela ignorância, sob discursos messiânicos e proféticos, parindo uma geração de
fanáticos que conduzem o país a barbárie.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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