sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A BORBOLETA QUE PARIU UMA MULA


A BORBOLETA QUE PARIU UMA MULA
O SURREALISMO DA VIDA


          Cortar as orelhas de uma mula e incrementar sua crina, não fará dela um cavalo. Bem como posar de intelectual e garanhão, levando uma vidinha medíocre, madrugando para puxar carroça, defendendo o parco pasto de cada dia, ajoelhado e levantando de barriga cheia. Reles existência, ruminando as próprias misérias e os atormentadores fantasmas enclausurados, atrás de incômodas e ruidosas portas, que Freud explica.
          Cocheira é picadeiro, feno banquete, cabresto adereço de luxo e grenha em neon! Figura circense, atormentada pelo fracasso do estrelato e da liberdade das correntes invisíveis, que aprisionam a alma da estrela fosca e decadente. Folclórica, mitológica, apocalíptica, a Ufologia explica! Em estado constante mendicância de olhares e atenção, como válvula de escape para a existência mal resolvida, comum nos broncos e na mísera dignidade dos bajuladores.
         Efígie patética e sinistra, do casulo a mais fina seda, da lagarta a mais bela e colorida borboleta que pariu a cria estúpida da rameira lendária. Orelhas avantajadas, típicas do espécime, outiva aguçada e sensível, patas visíveis de coices potentes e focinho risível. A empáfia do puro-sangue, que não passa de um pangaré encilhado e mal montado!
          Sob aplausos dos iguais, num ensurdecedor tinir de ferraduras, as luzes da ribalta e o patético espetáculo de quem precisa de plateia para se autoafirmar. Matungo rústico e chucro, arrastador de corrente e exímio bajulador, sonhando em ser um puro-sangue inglês, que jamais será. Indômito e temperamental, a mais hilariante das pilhérias no estábulo.
          A anomalia que nem Darwin explicaria a borboleta que pariu um muar de crina longa, esvoaçante e multicolor... Como um arco-íris arcado no infinito, o quadrúpede saltitante, aos zurros e suspiros, vai se revelando um animalejo singular, arrogante e exatamente onde deve estar nas alcovas da insignificância. Resignado a sua estupidez e preso a covardia que o aprisiona, incapaz de se libertar e ser o garanhão que sempre diz ser, mas, não passa de uma borboleta que pariu uma mula.


Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.


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