quarta-feira, 21 de novembro de 2018

BARCAÇA NEGRA


Da costa oeste vão distanciando;
abaixo do convés de uma galé
correntes duras que vão tilintando
com o feroz balanço da maré.

A escuridão das ripas vai cercando
a família, amor e também fé.
São cativos por meses esperando
fecundar Novo Mundo de café.

À guerra do branco é dado o indulto
À paz do negro é dado ardil porão;
declaração explícita de insulto!

Da rota desastrosa da exclusão,
discriminação sob um pano oculto:
Que nome dar, se não escravidão?

-- Adriano Calzada


Um comentário:

  1. Meu ex-aluno e hoje tenho a imensa felicidade de ter fragmentos de seus versos nesse mural cultural! Muitíssimo obrigado, meu querido Adriano Calzada.

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