VAMOS CELEBRAR!
Vamos celebrar o orgulho de Cabral – os dois! Salve, salve as “paixões nacionais”! Paradoxalmente, ostentando índices (IDH) de fazer “inveja” a qualquer país sério! Futebol, cerveja, carnaval e um festival de feriados – sagrados e profanos; golpes e equívocos históricos – fomentando a alegria de néscios, alimentando o ócio, um verdadeiro salseiro no país das maravilhas e constitucionalmente, laico.
A grande Nação emergente, integrante do BRICS
e “rumo” ao progresso tão incerto quanto esse e o próximo Governo. De boca escancarada
e sem dentes, colhendo os fracassos do legado da Copa para o povo e o sucesso
de empreiteiros e honrados homens públicos, esbaldando e chafurdados nos cofres
públicos. Inúmeras e intermináveis obras públicas de mobilidade urbana para o
evento que nunca ficaram prontas - e a coroação do desastre com as Olimpíadas e
as propinas pagas nas obras do Penta Campeão e o olímpico “Rio 40 graus cidade maravilha purgatório da beleza e do caos” de Fernanda
Abreu! Ah, não nos esqueçamos – mesmo no Carnaval muito comum a amnésia - dos
quase 12 milhões de desempregados, da Hanseníase, Tuberculose, Meningite, Dengue,
Chikungunya, Zica, síndrome de Guilain-Barre, favelas, Febre Amarela, “Mensalão”,
“Petrolão” e os 13 milhões de analfabetos, ufa! É indiscutivelmente “the paradise”! Sem sombras de dúvidas, realmente,
temos muito que comemorar e nos orgulhar!
O cultural e milionário futebol
brasileiro, sinônimo de tradição e circo – e não raros, fomento de violência
dentro e fora de campo! Miseráveis anônimos peregrinam estádios, como servos
devotos, entregues e extasiados pelo “ópio do povo”. Gramados ou ringues, assistir
futebol em alguns casos, consiste nos melancólicos e bárbaros espetáculos de
selvageria entre “torcidas organizadas”, numa demonstração explícita de como
somos civilizados – jogos de torcida única, atesta o nosso fracasso
civilizatório. E do quanto temos a comemorar! A Europa – Espanha – será palco
da final da Libertadores da América,
para ensinar aos colonizados “selvagens” latino americanos, o que é
civilização! Colonizadores e colonizados frente a frente e, de joelhos
novamente, suplicando uma nova lição de “civilidade” que as “veias abertas da
América Latina”, continuam sangrando e os indigentes, em êxtase!
Um culto hipinótico aos “heróis”
nacionais, afortunados, financiados por patéticos miseráveis, os quais são os
únicos e legítimos bobos da Corte. Galáticos
bilionários do futebol, bem como, as grandes corporações da indústria etílica
balsâmica, que embalam o torpor dos ignorados foliões e privatizam a festa
popular, em nome da alegria de parvos ébrios, desinformados e órfãos do
abandono estatal e intelectual.
É muito fácil ser patriota, “herói” nacional no
Brasil. Mesmo que more no exterior e ganhe em moedas estrangeiras! São
ovacionados diante de um estridente e vergonhoso zurro quase bestial! Afirmou
Brecht, “infeliz a nação que precisa de
heróis.” Merece sim, todo nosso reconhecimento e aplausos, quem de fato
construiu, constrói e contribui para mudar essa Nação. Os verdadeiros cidadãos brasileiros,
sem máscaras, sofridos, trabalhadores, honestos, persistentes e lutadores por
natureza. Enquanto isso, os ruidosos tinir de ferraduras são para os
mercenários, os canalhas saqueadores do erário, que em nada contribuem para engrandecer
o Brasil, pelo contrário!
O Carnaval, outra grande paixão Nacional!
A maior Nação católica do mundo se rende a mais grandiosa e bela festa popular,
profana e milionária! A hipocrisia se revela e a fé se compadece. Hora do “habeas corpus”, uma espécie de
salvo-conduto aos cristãos de corpo! Todo “pecado”, delito, deslize, será
perdoado, permitido e tolerado. Resta-nos, o agregado do apoteótico espetáculo,
lucro, drogas – lícitas e ilícitas -
prostituição, turismo sexual, violência, promiscuidade e festa para gringo nenhum botar defeito,
literalmente! Vamos celebrar! E juntos, vamos aplaudir nossa própria
decadência. A corrupção que faminta que fomenta o que falta para saúde,
educação, segurança, financiando “bordéis
públicos”, gerando lucros para
alguns – grandes empresas - e as
verdadeiras necessidades da maioria, em nome da incompetência, sempre ficam em
segundo plano ou de acordo com os interesses de bancadas no Congresso. A
política do “pão e circo” precisa
continuar! Aproveitando o clima festivo, “abra
alas, que eu quero passar”! Espetáculo mágico, circense, “alô brasileiros,
o Bozo chegou”! Festa, folia, alegria
no país repleto de míopes, marionetes e fantoches - não estou me referindo aos
bonecos gigantes de Olinda. Alegria passageira, seguida pela dor da
indiferença, da miséria e da injustiça! Vamos celebrar!
Rio de Janeiro, São Paulo, nordeste que o
digam! Que festa! Que alegria! Regiões riquíssimas, prósperas, sem crise, altos
índices de desenvolvimento humano! Penso que esse deve ser o motivo de festas
tão grandiosas e inababescas! O carnaval baiano começa antes e termina depois! Procurado
e badaladíssimo! Eu penso que se o governo da Bahia tivesse a mesma habilidade
e competência para solucionar os problemas do estado, como tem para vender “abadá”
e promover carnaval, a Bahia indiscutivelmente seria o melhor lugar do mundo!
Japão, Coreia do Sul, Suécia, Noruega,
Dinamarca, Canadá entre outros, nunca venceram nenhum campeonato mundial de
futebol. No entanto, são o que são. Tento encontrar onde foi que minha vida
mudou com a conquista da quinta Copa do Mundo de Futebol pelo Brasil! Talvez
seja egoísmo ou certo preciosismo de minha parte pensar em uma melhora ou
mudança, só na minha vida! Então, vejamos por outro ângulo. O que mudou na vida
dos brasileiros? Na vida do país pelo menos? Agora, para os “heróis” nacionais,
ovacionados em estádios e redes sociais, cartolas da CBF podem ser que houve “algumas
mudanças”, pelo menos, em suas respectivas contas bancárias. Não é por acaso,
que alguns ex-dirigentes e atuais, ou estão presos ou sendo investigados. Então,
vamos celebrar!
Precisamos nos mobilizar realmente, por
causas mais urgentes e vitais. Lermos e nos politizarmos um pouco mais! Não
podemos ter medo ou vergonha de ousar, pensar, questionar, opinar, criticar,
transformar! Despirmos-nos de nossas eternas fantasias de ingenuidades,
ignorância e hipocrisias. Movimentarmos em prol de causas mais nobres e
transformadoras! Lotar estádios sim, ruas, a Sapucaí por algo que possa
contribuir também, para mudar a vida do sofrido povo brasileiro. Se levantar
contra esse vexame nacional, comandado por condenados e investigados, asnos
conservadores, que se blindam atrás de cargos e envergonham uma nação inteira!
Vamos bater panelas contra a tão amplamente discutida “reforma” do Ensino
Médio; contra essa proposta infame e constrangedora de “reforma”
Previdenciária; salários milionários de alguns seletos homens públicos e da
lei, em prol do combate ao analfabetismo, da vergonhosa penúria do assalariado
brasileiro, por exemplo.
Ou quem sabe, uma mobilização nacional
para se construir dignidade, moradias, escolas, parques, espaços de lazer, arte,
que tal? Dia Nacional da leitura, do livro, da sétima arte, dança! Ou então,
todos os dias! Vamos celebrar a cultura, a ascensão social e intelectual de
tantos miseráveis, anônimos, famintos e desnutridos. O conhecimento, a
libertação das amarras da ignorância, da incultura, da incompetência, dos “heróis”
em estádios, púlpitos, tribunais e tribunas país a fora.
No país do futebol, carnaval e cerveja, vivemos
tempos de máxima opressão, comida e casa para quem trabalha, são coisas supérfluas.
Vamos nos revelando um país de ignorantes, do turismo sexual, da intolerância,
do estupro, do racismo, do machismo, do feminicídio e de outros inúmeros
infortúnios que maculam nossa cultura e nossa gente! Ou querem “tampar o sol
com a peneira” ou está passando de hora de revermos nossos conceitos. Portanto, devemos temer menos a morte que a vida insuficiente, Brecht.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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