O
BRADO DA PAZ VENCEU A INSANIDADE DAS ARMAS
O dia 24 de agosto de 2016 virou
mais uma página sangrenta da História do povo colombiano. Após 52 anos de conflitos,
assassinatos, sequestros e covardia as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia – assinaram um cessar fogo, depondo suas armas, libertando
prisioneiros e dispostos ao diálogo. O acordo histórico fruto de longos e
árduos anos de tentativas – desde 1991, no México - foi selado em Havana, Cuba,
entre o líder da negociação das FARC Iván
Marquéz (Luciano Marín Arango) e o chefe da delegação de paz colombiana Humberto de la Calle.
Em 26 de setembro, por unanimidade
no 10ª. Conferência Nacional das FARC – realizada pela última vez de forma
ilegal -, foi assinado definitivamente o acordo. Desta vez em Cartagena, entre
o presidente colombiano Juan Manuel
Santos e o líder das FARC Rodrigo
Londoño Echeverri, o Timochenko. Além de pedir perdão ao povo, assumiu o
compromisso de abandonar a luta armada e se tornarem um partido político. Finalmente,
o início de um novo capítulo na rubra história do país.
Para conhecermos um pouco mais
dessa tragédia que marcou a Colômbia, precisamos ter um breve panorama, do
processo de como tudo foi construído.
Com o assassinato do líder liberal Jorge Eliecer Gaitán, em 1948, explodiu
novamente a histórica rivalidade entre
liberais e conservadores. O resultado da violência que começou em Bogotá e se
espalhou pelo país inteiro, deixou um
rastro de milhares de mortos. Em decorrência do conflito, os partidos rivais
envolvidos – Liberal e Conservador - costuraram um acordo e juntos, respaldaram
um golpe militar em 1953, contra o então presidente Laureano Gomez, comandado
pelo general Gustavo Rojas Pinilla comandante das Forças Armadas da Colômbia e
partilharam o poder, usufruindo das benéfices dos canhões.
A insatisfação de alguns liberais
que viveram de perto toda aquela carnificina das décadas de 30 e 40 resultou em
1964, na formação das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo. Uma organização guerrilheira
de esquerda, de inspiração marxista, que inicialmente lutavam pela implantação
do socialismo na Colômbia – dentro do contexto da Guerra Fria e do chamado
mundo bipolar -, defendendo o direito de presos e o incansável combate
ao governo colombiano. Buscando tomar o
poder por uma revolução armada, numa demonstração clara de oposição ao avanço
das ditaduras de direita no continente sul-americano, arquitetadas, financiadas
e executadas pela democracia norte-americana. Inicialmente era composta por famílias camponesas e que passou a receber
crescentemente a influência do Partido Comunista Colombiano.
Ao longo de décadas, houve inúmeras tentativas
infrutíferas de cessar-fogo. A violência não cessou, ataques e incursões cada
vez mais violentas de ambos os lados, até que em 1993, as negociações cessaram
por falta de acordo e a coordenação das FARC se dissolveu em grupos
guerrilheiros que passaram a agir de forma independente. Dividiram-se em 70
frentes espalhadas pelo país, com um efetivo entre 7.000 e 10.000 combatentes.
Alguns de seus
principais comandantes ou líderes foram Pedro Antonio Marín, conhecido por Manuel Marulanda Vélez; Luis Edgar Devia
Silva, conhecido por Raúl Reyes, ambos
mortos em 2008 (março e novembro respectivamente); Guilhermo León Sáenz Vargas,
vulgo Alfonso Cano, morto em novembro
de 2011, entre outros.
Foi considerado o
maior grupo paramilitar na América do Sul, organizadas seguindo as linhas
militares e incluíam diversas frentes urbanas ou células de milícia. Defendiam
o pobre agricultor na luta contra as classes favorecidas colombianas e eram
contrários à influência dos Estados Unidos no país, particularmente o Plano Colômbia – criado no ano 2000 pelo
governo norte-americano, com a finalidade de combater a produção e o tráfico de
cocaína no país. Porém, tinha também como propósito, desestruturar as
guerrilhas de esquerda, como as FARC, com ajuda financeira e militar ao governo
colombiano.
Nenhum outro presidente colombiano foi tão incisivo, combativo e
ferrenho com as FARC, como Álvaro Uribe (2002-2010). Além de razões pessoais –
seu pai foi assassinado pelo grupo em 1983 – as pressões populares, que exigiam
do governo ações mais concretas e o combate aos altos índices de violência por
todo país. De assassinatos a sabotagem; narcotráfico a sequestros. Os dólares
americanos e o apoio militar foram determinantes para o avanço dessas ações. Em
2005 os índices de criminalidade no país, já era um dos menores dos últimos 20
anos. E sua popularidade em 2008 era 91%.
Segundo fontes do
governo colombiano, as FARC teriam sequestrado 6.000 mil pessoas nos últimos 10
anos, mantendo-os em condições sub-humanas. No final de 2007 o grupo tinha
perto de 800 reféns em cativeiro. Um dos casos mais emblemáticos foi o
sequestro da senadora e ativista anticorrupção franco-colombiana Íngrid
Bentacourt, que ficou em poder do grupo de 2002-2008, quando foi libertada com
mais 14 reféns.
Países como Colômbia, Estados Unidos, Canadá e União Europeia – ao todo
31 -, classificam as FARC como uma organização terrorista. Diferentemente do
posicionamento dos governos da Venezuela, Equador, Bolívia, Brasil, Argentina,
Uruguai e Chile que aplicam outra classificação.
O ex-presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em
janeiro de 2008 e “apelou à Colômbia como outros governos a um reconhecimento
diplomático das guerrilhas enquanto “força beligerante”, argumentando que elas
estariam assim obrigadas a renunciar ao sequestro e atos de terror a fim de
respeitar as Convenções de Genebra”. Venezuela e Cuba adotam o termo “insurgentes”.
País de um dos maiores
narcotraficantes do mundo nos anos 70 e 80 Pablo
Escobar, chefe do cartel de Medellín e grande produtor mundial de cocaína.
Vários governos tentaram, mais nenhum conseguiu de fato, combater Escobar e as
FARC, nem muito menos, o narcotráfico.
Durante o governo de César
Gaviria (1990-1994), após uma caçada implacável, Escobar foi morto numa operação
policial em 1993. No sombrio horizonte colombiano, ainda restava combater a
pobreza, a violência e as FARC.
Nesse universo incerto, o
grupo guerrilheiro com caráter político ideológico de esquerda, para garantir
sua existência, continuou recrutando jovens de vários países – inclusive Brasil
- especializando em táticas de
guerrilhas e financiadas pelo narcotráfico, que também buscava combater o
governo. Ou seja, os rebeldes inconformados com a aliança espúria entre
liberais e conservadores, num gesto semelhante, aliam-se, a outros igualmente
covardes e canalhas. E danem-se as ideologias e os escrúpulos!
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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