segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

BRASIL: URUBU É FRANGO E A LISTA DO JANOT DESVELA


     Gente graúda, bacanas, engomados, o público e o privado, carne e unha – papelão, salmonela -, magnatas polidos, amigos dos amigos no poder, lobby e negócios escusos, financiados pela boa fé e a má digestão dos anônimos cidadãos desse país! Fisiologismo e o desserviço a serviço do atraso, da burocracia, alicerçados nas alianças espúrias e nos conchavos que constrange a nação. Balcão de negócios e as barganhas de cada dia, que nos custa caro sob todos os aspectos. O erário público financiando a prática sórdida e covarde, privando o povo de seus direitos constitucionais mais básicos e elementares, fomentando nossas próprias misérias e desgraças, sob a batuta do escárnio estatal.
       Nossos velhos e conhecidos ditados populares, nunca estiveram tão démodé, no temerário Brasil submerso entre carnes e políticos malcheirosos, numa crise moral endêmica, de uma corrupção deslavada e parte de quem deveria investigá-las, está sob investigação. “Que continuemos a nos omitir da política é tudo que os malfeitores da vida pública mais querem”, afirmou Brecht. Urubu é frango e a Lista do Janot, bando. Quanto mais alto o cargo, maior o rombo! Desvela o esgoto a céu aberto, que jorra em “cachoeiras” e cascatas, entre alguns palácios e residências oficiais, ministérios, empreiteiras e frigoríficos, exalando fétido odor pelo ar e perfumando a moral de muitos nobres senhores. Currais, chiqueiros, pau de galinheiros ou nas extensões de todos esses ambientes, com direito a ternos engravatados, tribuna, discursos, zurros e CAIXA 2.
        Ou seja, até outro dia, o ditado popular ainda dizia que “restava uma luz no fim do túnel”. Penso que agora, nem isso. Pelo valor das tarifas públicas de energia elétrica, a monstruosa carga tributária para sanar os rombos dos cofres públicos, a luz no fim do túnel foi cortada! Roubaram o poste e a hombridade que o mantinha de pé! Além do mais, com a peculiaridade e eficiência de algumas obras públicas superfaturadas em parceria com empreiteiras conceituadíssimas país a fora, com pagamentos de propinas para financiar favores e aprovar selos e projetos de “qualidade” – Operação Lava Jato que o diga -, provavelmente, até o túnel tenha desabado!
       O fundo do poço não é mais o limite para nossa desenfreada recessão. No Brasil, o fundo do poço é sempre mais abaixo. No nosso caso, têm porão, alcovas e passagens secretas para os bastidores dos escroques do CAIXA 2 irrigarem suas campanhas políticas, nos subterrâneos do submundo do poder, que só não se vê metrôs, redes de esgoto ou água tratada. Achincalham a lei, debocham do judiciário, afrontam a nação brasileira, aviltam a sociedade ao defenderem práticas criminosas, sob os aplausos e relinchos de seus pares, que ainda se veem no direito de falarem em Terceirização, Reforma Previdenciária e aumento de impostos! Pelo visto, nosso orifício realmente não tem fundo! A banda podre, agora tem sua cara-metade! A Lista do Janot e a Operação Carne Fraca. O assunto do momento, que traz alguns nomes de homens de moral e conduta alva, que indiscutivelmente, para alguns só será mais uma citação, para outros, mídia. Como já dizia o grande jurista baiano Rui Barbosa, “não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem”. E entre estes honrados senhores da Lista, alguns receberam doações “legais” dos agora investigados frigoríficos!
         Sem trocadilhos, a química perfeita. A podridão moral que nutri um país farto de velhacos e corruptos, que por vantagens, barganham a honra, o caráter e até a mãe! Não fiscalizam o que deveriam e ainda garantem selo de qualidade e inspeção! Ali Babá teria uma concorrência desleal com seus 40 ladrões. A estupidez de patifes, movidos pela ganância e o mau-caratismo, afundam e arrastam o país como galhos secos, correnteza abaixo. Como disse o alemão Einstein, “procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso”.
         Após a deflagração da Operação Carne Fraca da PF, o Ministério da Agricultura, na tentativa de minimizar o vexatório escândalo,  disse que “não podemos generalizar”, afirmou o ministro Blairo Maggi. Concordo. Só não se pode ignorar, estão tentando fazer. Chegou-se aonde chegou, está evidente que o referido ministério, bem como os órgãos fiscalizadores, não fizeram o que deveriam! Já não bastasse a vergonha nacional que nos constrange mais uma vez aos olhos do mundo, agora vem o fogo amigo. O Ministério da Agricultura criticando a Polícia Federal pela operação – de como foi realizada, divulgada e espetacularizada. Se for piada eu não sei, talvez seja. Nesse país, alguns episódios são tão grotescos, que é isso que parecem, piada! A começar por esse Governo! Queriam que a PF avisasse antes o quê? A quem? Os responsáveis pelas inspeções que não foram feitas? Em outras palavras, queriam assim, por acaso, entregarem o galinheiro para as raposas!  Sei não. Parece que tem mais coisa podre por aí, além da Lista do Janot.
       O princípio da presunção da inocência (ou princípio da não culpabilidade, segundo parte da doutrina jurídica) é um princípio jurídico de ordem constitucional, aplicado ao direito penal, que estabelece o estado de inocência como regra em relação ao acusado da prática de infração penal”. Ou seja,  dentro do princípio jurídico, todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Enquanto não temos condenados, nem provas condenatórias, vamos assistindo algo com que já estamos habituados, a impunidade e a injustiça institucionalizada.
        Na verdade, querem que ignoremos e esqueçamos as denúncias sobre propinas, CAIXA 2, inspeções “não” feitas, carnes impróprias para o consumo humano e  as aberrações do Governo, chamadas de reformas. Na pior das hipóteses, quem sabe, já que não somos respeitados e nem ouvidos, a comunidade internacional dará voz a um povo envergonhado de instituições incompetentes e duvidosas!
         Neste abscesso putrefato, alguns brasileiros mais otimistas, pensam que se o país continuar como está não demorará muito para o povo estar comendo merda. Já os pessimistas, pensam que a merda não dará para todos! Metaforicamente, parece-me que realmente “tudo vira bosta”, como canta Rita Lee. Cada um da Lista do Janot, além dos que já foram julgados, condenados e estão presos, deixaram o país uma... A carne, bem como vários outros produtos que consumimos no Brasil são uma... Os carros montados no Brasil, voltados para o público brasileiro são uma... Se compararmos aos mesmos modelos que são exportados. A situação que atravessa o país está uma... Portanto, já estamos nela não é de hoje!
      No fundo do buraco, estamos até o pescoço chafurdado nela! A latrina está transbordando pelos parlamentos país a fora. E suas ações ou dejetos em meio a perfumes importados, ternos da alta costura, dissimulados e trapaceiros.
         Que nasça alguma ordem deste caos! Se for em tempos de crise que se cresce, que nossas mazelas e nossas desgraças, sirvam de alguma forma, para nos envergonharmos de nós mesmos, quando votarmos em quem deveria estar na cadeia! E que a cada vindouro pleito eleitoral, possamos compreender que se quisermos passar este país a limpo, precisamos conscientizar desta necessidade. Renovar as Casas Parlamentares por todo Brasil e jamais esperarmos posturas diferentes de quem vende carne putrefata com status de qualidade, para deleite dos infames que são sempre ousados e apostam no silêncio dos ignorados e ignorantes! Segundo Brecht, “apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la”. Amém!

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.

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