Gente graúda, bacanas, engomados, o
público e o privado, carne e unha – papelão, salmonela -, magnatas polidos,
amigos dos amigos no poder, lobby e
negócios escusos, financiados pela boa fé e a má digestão dos anônimos cidadãos
desse país! Fisiologismo e o desserviço a serviço do atraso, da burocracia, alicerçados
nas alianças espúrias e nos conchavos que constrange a nação. Balcão de
negócios e as barganhas de cada dia, que nos custa caro sob todos os aspectos. O
erário público financiando a prática sórdida e covarde, privando o povo de seus
direitos constitucionais mais básicos e elementares, fomentando nossas próprias
misérias e desgraças, sob a batuta do escárnio estatal.
Nossos velhos e conhecidos ditados
populares, nunca estiveram tão démodé, no
temerário Brasil submerso entre carnes e políticos malcheirosos, numa crise
moral endêmica, de uma corrupção deslavada e parte de quem deveria
investigá-las, está sob investigação. “Que
continuemos a nos omitir da política é tudo que os malfeitores da vida pública
mais querem”, afirmou Brecht. Urubu é frango e a Lista do Janot, bando. Quanto
mais alto o cargo, maior o rombo! Desvela o esgoto
a céu aberto, que jorra em “cachoeiras” e cascatas, entre alguns palácios e
residências oficiais, ministérios, empreiteiras e frigoríficos, exalando fétido
odor pelo ar e perfumando a moral de muitos nobres senhores. Currais, chiqueiros,
pau de galinheiros ou nas extensões de todos esses ambientes, com direito a
ternos engravatados, tribuna, discursos, zurros e CAIXA 2.
Ou seja, até outro dia, o ditado
popular ainda dizia que “restava uma luz
no fim do túnel”. Penso que agora, nem isso. Pelo valor das tarifas
públicas de energia elétrica, a monstruosa carga tributária para sanar os rombos
dos cofres públicos, a luz no fim do túnel foi cortada! Roubaram o poste e a
hombridade que o mantinha de pé! Além do mais, com a peculiaridade e eficiência
de algumas obras públicas superfaturadas em parceria com empreiteiras
conceituadíssimas país a fora, com pagamentos de propinas para financiar
favores e aprovar selos e projetos de “qualidade” – Operação Lava Jato que o
diga -, provavelmente, até o túnel tenha desabado!
O fundo do poço não é mais o limite para
nossa desenfreada recessão. No Brasil, o fundo do poço é sempre mais abaixo. No
nosso caso, têm porão, alcovas e passagens secretas para os bastidores dos
escroques do CAIXA 2 irrigarem suas campanhas políticas, nos subterrâneos do
submundo do poder, que só não se vê metrôs, redes de esgoto ou água tratada. Achincalham
a lei, debocham do judiciário, afrontam a nação brasileira, aviltam a sociedade
ao defenderem práticas criminosas, sob os aplausos e relinchos de seus pares,
que ainda se veem no direito de falarem em Terceirização, Reforma
Previdenciária e aumento de impostos! Pelo visto, nosso orifício realmente não
tem fundo! A banda podre, agora
tem sua cara-metade! A Lista do Janot
e a Operação Carne Fraca. O assunto
do momento, que traz alguns nomes de homens de moral e conduta alva, que
indiscutivelmente, para alguns só será mais uma citação, para outros, mídia. Como
já dizia o grande jurista baiano Rui Barbosa, “não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também
envelhecem”. E entre estes honrados senhores da Lista, alguns receberam doações “legais” dos agora investigados
frigoríficos!
Sem trocadilhos, a química
perfeita. A podridão moral que nutri um país farto de velhacos e corruptos, que
por vantagens, barganham a honra, o caráter e até a mãe! Não fiscalizam o que deveriam
e ainda garantem selo de qualidade e inspeção! Ali Babá teria uma concorrência
desleal com seus 40 ladrões. A estupidez de patifes, movidos pela ganância e o
mau-caratismo, afundam e arrastam o país como galhos secos, correnteza abaixo.
Como disse o alemão Einstein, “procure
ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso”.
Após a deflagração da Operação Carne
Fraca da PF, o Ministério da Agricultura, na tentativa de minimizar o vexatório
escândalo, disse que “não podemos
generalizar”, afirmou o ministro Blairo Maggi. Concordo. Só não se pode ignorar,
estão tentando fazer. Chegou-se aonde chegou, está evidente que o referido ministério,
bem como os órgãos fiscalizadores, não fizeram o que deveriam! Já não bastasse
a vergonha nacional que nos constrange mais uma vez aos olhos do mundo, agora vem
o fogo amigo. O Ministério da Agricultura criticando a Polícia Federal pela operação
– de como foi realizada, divulgada e espetacularizada. Se for piada eu não sei,
talvez seja. Nesse país, alguns episódios são tão grotescos, que é isso que parecem,
piada! A começar por esse Governo! Queriam que a PF avisasse antes o quê? A
quem? Os responsáveis pelas inspeções que não foram feitas? Em outras palavras,
queriam assim, por acaso, entregarem o galinheiro para as raposas! Sei não. Parece que tem mais coisa podre por
aí, além da Lista do Janot.
“O princípio da presunção da inocência (ou princípio da não culpabilidade,
segundo parte da doutrina jurídica) é um princípio jurídico de ordem
constitucional, aplicado ao direito penal, que estabelece o estado de inocência como regra em relação ao acusado da
prática de infração penal”. Ou seja, dentro
do princípio jurídico, todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Enquanto
não temos condenados, nem provas condenatórias, vamos assistindo algo com que
já estamos habituados, a impunidade e a injustiça institucionalizada.
Na verdade, querem que ignoremos e esqueçamos as
denúncias sobre propinas, CAIXA 2, inspeções “não” feitas, carnes impróprias
para o consumo humano e as aberrações do
Governo, chamadas de reformas. Na pior das hipóteses, quem sabe, já que não somos
respeitados e nem ouvidos, a comunidade internacional dará voz a um povo envergonhado
de instituições incompetentes e duvidosas!
Neste abscesso
putrefato, alguns brasileiros mais otimistas, pensam que se o país continuar
como está não demorará muito para o povo estar comendo merda. Já os
pessimistas, pensam que a merda não dará para todos! Metaforicamente, parece-me
que realmente “tudo vira bosta”, como
canta Rita Lee. Cada um da Lista do Janot, além dos que já foram julgados, condenados
e estão presos, deixaram o país uma... A carne, bem como vários outros produtos
que consumimos no Brasil são uma... Os carros montados no Brasil, voltados para
o público brasileiro são uma... Se compararmos aos mesmos modelos que são
exportados. A situação que atravessa o país está uma... Portanto, já estamos
nela não é de hoje!
No fundo do buraco, estamos até o
pescoço chafurdado nela! A latrina está transbordando pelos parlamentos país a
fora. E suas ações ou dejetos em meio a perfumes importados, ternos da alta costura,
dissimulados e trapaceiros.
Que nasça alguma ordem deste caos! Se
for em tempos de crise que se cresce, que nossas mazelas e nossas desgraças, sirvam
de alguma forma, para nos envergonharmos de nós mesmos, quando votarmos em quem
deveria estar na cadeia! E que a cada vindouro pleito eleitoral, possamos
compreender que se quisermos passar este país a limpo, precisamos conscientizar
desta necessidade. Renovar as Casas Parlamentares por todo Brasil e jamais
esperarmos posturas diferentes de quem vende carne putrefata com status de qualidade,
para deleite dos infames que são sempre ousados e apostam no silêncio dos
ignorados e ignorantes! Segundo Brecht, “apenas
quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la”. Amém!
Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de
Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela
Universidade Federal de Goiás, com Habilitação
em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário
Claretiano, Pós-Graduando em Docência do
Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico,
recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião
e crônicas nos jornais Diário da Manhã
e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e
críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto
livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e
crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”,
poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os
séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e 4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o
quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor
do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.
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