sábado, 22 de dezembro de 2018

CEGOS, SURDOS E OMISSOS

AOS OLHOS DE QUEM GOVERNA, O POVO É APENAS UM DETALHE

         Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Goiás, morrem em média na capital que se candidatou a cidade sede na Copa de 2014 - não é piada - duas pessoas por dia por falta de UTI. O que prova mais uma vez, que se é algo que os goianos e goianienses precisam, são de fato, novos e modernos estádios de futebol, financiados com dinheiro público não é mesmo? “Seria cômico, se não fosse trágico.” Seja qual for a razão para tamanha hipocrisia e descaso, a certeza é uma só: incompetência. E olha que trotam alguns néscios por aí, defendendo um “novo imposto” para a saúde. Uma espécie de filme “trash”, “CPMF, Parte II – O Retorno.” Não podemos esquecer, que a CPMF não melhorou a saúde pública no Brasil e depois que foi extinta, não piorou – desafiando a Lei de Murphy!
         O mais impressionante é assistirmos ao festival patético da pior espécie de gente - os “bajuladores” - engravatados ou togados nas mais altas esferas dos poderes municipal e estadual, zurrando aos quatro cantos do mundo, que “fulano” não pode ser esquecido, é um símbolo da política goiana, um ícone da vida pública, entre outras bizarrices. Uma histeria coletiva de beócios e seus “asnáticos” discursos – sem ofender os muares. Típicos “puxa” de plantão, para garantirem seus cargos comissionados e polpudos salários, vendem a alma e o povo é quem paga. Parlamentares de festim em conluio com seus correligionários comportam-se como inimigos dos eleitores. É preciso lembrá-los, que quem ocupa cargo público, deveria ter a obrigação de cumprir seu papel com competência e honestidade. Não estão fazendo favores ao povo!
     Os gestores públicos, não trabalham de graça. Ao contrário, são muitíssimo bem remunerados, “eficientíssimos” ou deveriam. Não precisamos de Bônus, muito menos de esmolas – em nome de “qualidade” da educação pública! “Congratulações para os banqueiros, gratificações para os bancários...” Titãs. Segundo Ministério da Educação, em média, o que a escola particular investe em um mês, o governo leva um ano para investir o mesmo valor na escola pública. Se isso não for constrangedor, é no mínimo, criminoso! As Operações da PF na Lava Jato, falam por si, como a Cash Delivery, explícita cleptocracia.
         O que os governantes realizam durante sua gestão, seu governo, é preciso entender e ficar claro, até como “Utilidade Pública” é que foram eleitos para isso, com essa finalidade. E pronto. E ser honesto, honrado é dever de qualquer um, uma obrigação, independentemente de quem seja.  Até da classe política - me perdoe as raríssimas exceções. Não temos que aplaudir inauguração de obras públicas, se quem a realizou está sendo muito bem pago e em alguns casos, levando um extra por fora. Usufruem de regalias e mordomias, que nenhum outro trabalhador no Brasil, possui. Aproximadamente R$ 200 bi, são desviados do erário pela corrupção por ano no Brasil – Mensalão, Petrolão, por exemplo.
         Assaltam os cofres públicos, para financiarem privilégios e as benesses sedutoras do poder, não em favor do cidadão, mas, para seus escusos interesses. E ainda faz propaganda das realizações e programas governamentais, dinheiro público para financiar o que só o Governo vê e fomenta votos. Induzindo os indivíduos menos informados, de que fizeram algo além do que deveriam fazer! Por que não usam verbas de propaganda para “inglês ver”, em áreas as quais o povo, os cidadãos, os eleitores deveriam usufruir. Isso tem outro nome, uso da máquina pública em benefício de quem está no poder, cabo eleitoral institucionalizado. E olha, que tem uns que não deixam o poder, outros que não querem deixar e outros que deixam, mas, voltam! “Não há coisa mais prejudicial a uma nova verdade que um velho erro”, Goethe.
         O Brasil está estéril de homens públicos sérios, competentes e honestos ultimamente. Os percevejos parlamentares, transvestidos de Louva-a-deus, inventam legendas partidárias descartáveis – “os nanicos” – de olho nas negociatas com partidos maiores e o Fundo Partidário. Ideologias eleitoreiras, mitológicas e salvadoras – não existem propostas, vociferam verborragia, hipocrisia e oportunismos. Transformam seus redutos políticos em verdadeiros “currais-eleitorais”, nos remetendo aos velhos e atuais tempos do coronelismo, oligarquias históricas, do voto de cabresto, de mandos e desmandos, com o irrestrito aval e o tinir de auréolas das bancadas BBB e dos perus de Natal cegos do que jamais enxergarão. Goiás, Alagoas, Pará, Roraima e outros “currais” pelos confins do país.
          Por aqui, não é diferente. Não se elege o melhor, há muito tempo! Não temos esse tão almejado privilégio. O que nos resta no exercício de nossa acanhada e modesta cidadania, é votar no menos ruim. O que explica o nível de governo e ações competentíssimas nos últimos anos. CELG, BEG, CAIXEGO, educação, saúde, segurança pública, a região do entorno, o vexatório transporte coletivo e muito mais, que aos olhos de nossos “nobres, perpétuos, ilibados e competentes” governantes, é apenas um mero detalhe. Se “o povo tem o governo que merece” então, estamos realizados! Nossa vocação para celeiro de fracassos é assustadora! "Tudo que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam", Burke.
          Enquanto isso, o espírito natalino embala anônimos à míngua pelo chão em algumas unidades de saúde pública, por falta de UTIs. Ou seja, para o “circo”, sempre tem alguém pronto a encobrir a própria incompetência em um corporativismo assustador. Os “palhaços”, famintos e moribundos cidadãos de bem, eleitores, definhando e condenados em qualquer espelunca chamada de CAIS.

Marcos Manoel Ferreira nasceu aos 23 dias de abril de 1968, na cidade de Goiânia, Goiás. Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás, com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. Professor, poeta, escritor, coordenador pedagógico, recreador infantil e palhaço voluntário de hospital. Escreve artigos de opinião e crônicas nos jornais Diário da Manhã e Jornal Opinião Goiás. “FLORES E ODORES”, poesias líricas, políticas e críticas, publicado em 2017 (1ª. Edição), 2018 (2ª. Edição) foi seu sexto livro. O primeiro “DESPERTAR”, poesias diversas, 1999; o segundo, “FRAGMENTOS”, artigos de opinião e crônicas, publicados em alguns jornais da capital, 2011; o terceiro, “ELZA”, poesias líricas, 2013; o quarto, “O MUNDO EM FOCO” – Um breve olhar sobre os séculos XX e XXI, atualidades, didático, 2013 1ª. e 2ª. edições; 2014 3ª. e  4ª. edições; sendo a 5ª. edição em 2015 e o quinto, “HONORÁVEIS CANALHAS”, poesias políticas, críticas, em 2015. Vencedor do 2º. Concurso Literário Deriva, 2018.



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